04/02
16:08

Sergipe vai voltar a gerar empregos formais em 2018?

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

Pesquisa do IBOPE tornada pública durante a semana passada constatou que apenas 6% da população acham que a economia brasileira está melhorando, apesar de as contas nacionais apontarem que o PIB se encontra em crescimento desde o primeiro trimestre de 2017. A principal causa do mal-estar, certamente, é a recuperação débil e desbalanceada do mercado de trabalho, com redução do emprego formal e forte incremento de vínculos precários, como emprego sem carteira de trabalho e ocupações por conta própria, como vêm mostrando os levantamentos da PNADC do IBGE.

O registro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, apontou saldo negativo em 2017 na geração de empregos regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), com o fechamento de 20.832 vagas. O resultado ficou bem aquém do que era esperado pelas autoridades econômicas no início do ano passado, quando se projetava saldo positivo ao final do ano. A retração do emprego formal em 2017 foi bem menos acentuada do que nos dois anos anteriores, 1,54 milhão, em 2015, e 1,32 milhão, em 2016.

A evolução recente do mercado de trabalho e as perspectivas de aceleração do ritmo de crescimento do nível de atividade dão suporte a projeções de aumento relativamente robusto do emprego formal para 2018, com as simulações variando entre 700 mil até um milhão de novas vagas.

O saldo do emprego formal em 2017 também foi negativo em Sergipe, mas, como no Brasil, bem menos expressivo do que nos dois anos anteriores. Ao longo do ano foram fechadas 1.381 vagas formais no estado.

Mesmo considerando que a recuperação do mercado de trabalho na maioria dos estados da região Nordeste tem sido mais lenta e com alguma defasagem temporal, é razoável projetar um incremento entre três mil e cinco mil empregos formais em Sergipe ao longo de 2018.

Setores
Em comparação ao ano anterior, a variação no emprego formal foi relativamente melhor em 2017 em todos os principais setores, mesmo entre aqueles que ainda apresentaram saldo negativo (construção civil, indústria de transformação e extrativa mineral). As atividades de comércio e os chamados Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP) registraram saldos positivos em 2017, frente a cortes de empregos em 2016 (ver Tabela).

Entre as principais atividades empregadoras a construção civil tem se revelado a de situação mais problemática; depois de cortar 5.561 empregos em 2016, eliminou 1.892 vagas em 2017 (ver Tabela).



Ponto de virada
A evolução do saldo de emprego formal no acumulado de doze meses, mostrada no gráfico, vem registrando melhoria relativa em ritmo acentuado desde o mês de março de 2017, à medida que os resultados mensais do ano foram se revelando melhores do que os dos meses correspondentes de 2016.

O gráfico mostra que a trajetória dessa série do saldo de emprego formal acumulado em doze meses inverteu naquele mês a tendência anterior de intensificação do corte de emprego iniciada ainda em outubro de 2015. O resultado de dezembro de 2017, nessa série, sinaliza se aproxima o momento em que a economia sergipana voltará a apresentar saldos positivos no acumulado de doze meses.

A reversão da tendência e a geração de saldos positivos crescentes ao longo do ano confirmam uma perspectiva de melhoria paulatina no mercado de trabalho no estado, acompanhando, com suas especificidades, o comportamento do país. O desafio de gerar empregos formais deverá permanecer em pauta por um período relativamente longo, no Brasil e em Sergipe.






*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
28/01
19:58

O mercado de trabalho do Nordeste demora mais a reagir – Parte 2

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

Vimos no artigo da semana passada que os impactos a crise econômica sobre o mercado de trabalho foram muito mais intensos na região Nordeste do que nas demais regiões, ainda que eles tenham sido muito fortes em todo o território nacional. 

Em linhas gerais, o emprego formal despencou em todas as regiões, mas a queda no Nordeste foi mais intensa do que na maioria das demais regiões, enquanto a ocupação informal (emprego sem carteira assinada e ocupação por conta própria) compensou parcialmente a retração nas ocupações formais na média das demais regiões mas despencou na região Nordeste. 

Não tenho conhecimento de explicação satisfatória das razões pelas quais as ocupações informais no Nordeste apresentaram trajetória diversa da maioria das demais regiões, ou mesmo por que o emprego formal sofreu queda tão mais acentuada na região. 

Procurando avançar na compreensão do que é específico na crise do mercado de trabalho no Nordeste examinaremos a evolução da ocupação nos últimos três anos segundo os grupos de atividades. Em artigos subsequentes procuraremos outros recortes que possam auxiliar na resposta às questões postas no parágrafo anterior. 

Queda generalizada
Na comparação entre a evolução da ocupação do ponto de vista setorial saltam aos olhos importantes diferenças entre a média do Brasil e o Nordeste.  Entre a média de quatro trimestres encerrados em setembro de 2017 e a média de quatro trimestres de 2014, o Nordeste participou com cerca de quatro em cada cinco ocupações perdidas. Diferentemente da média do país, em que o número de pessoas ocupadas caiu em quatro dos dez grupos de atividades considerados, na região Nordeste o pessoal ocupado se retraiu em sete grupos de atividades, grau de disseminação que não se repetiu em nenhuma outra região do país (Ver Tabela 1).

Um outro aspecto de caráter geral é que nessa comparação a taxa de evolução do número de pessoas ocupadas na região Nordeste foi pior do que a do país em todos os grupos de atividade, com uma única exceção, na indústria geral, agrupamento que reúne a indústria de transformação e a extração mineral (ver última coluna da Tabela 1). 






Grupos de atividade
Os maiores diferenciais de crescimento desfavoráveis ao Nordeste, entre as atividades que mais desocuparam, ocorreram na agricultura, construção civil e no amplo segmento de serviços que apresentado no grupamento 5 da tabela. 
 
A partir desses dados, é razoável concentrar a explicação do desempenho pior do mercado de trabalho no Nordeste nesses agrupamentos, ainda que a retração tenha sido generalizada, sintoma que a crise no mercado de trabalho da região foi contaminando setor a setor. 

A seca e a crise canavieira foram devastadoras para a ocupação regional: a retração na ocupação em atividades agrícolas regionais atingiu o contingente de 863 mil pessoas. Mas o desempenho na construção civil, nos segmentos de comércio e serviços, e, mesmo que  acompanhando a média do Brasil, na indústria geral também concorreram fortemente para quadro que se estabeleceu no mercado de trabalho da região.

Chama atenção como a crise nas finanças públicas (e a consequente corrida para a aposentadoria) tem impacto muito superior na ocupação do Nordeste do que na maioria das demais regiões.  

Em 2017
Ao se comparar o 3º trimestre de 2017 com o mesmo período de 2016, constata-se que, em um número expressivo de atividades, todas integrantes ao setor terciário, o contingente de pessoas ocupadas também registrou crescimento na região Nordeste. Todavia, mesmo nessa comparação, a evolução na região permanece inferior à média do país em quase todos os grupos de atividades econômicas (última coluna da Tabela 2).  

Seca, queda mais acentuada na construção civil e comércio e serviços públicos e privados em retração traçam um cenário muito crítico no mercado de trabalho do Nordeste nos últimos três anos, situação que também vem se revelando de reversão bem mais lenta do que na média do país. 






*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
21/01
17:22

O mercado de trabalho do Nordeste demora mais a reagir

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe 

A crise no mercado de trabalho nos últimos três anos vem sendo muito mais dura nas regiões Nordeste e Norte e menos acentuada nas regiões Sul e Centro-Oeste. A região Sudeste se situa em uma posição intermediária, com a ocupação total caindo menos do que na média brasileira, mas com o desempenho dos empregos formais acompanhando a média do país. De fato, a evolução no mercado do trabalho no Nordeste tem sido muito pior do que na região Norte, com a ocupação total encolhendo em velocidade mais do que duas vezes superior. 

Não tenho conhecimento de que tenha sido elaborada uma explicação robusta das causas pelas quais os mercados de trabalho das regiões mais pobres têm sofrido muito mais do que os das regiões mais estruturadas economicamente. Em linhas bem gerais, o que se percebe é que o comportamento do mercado de trabalho do Nordeste na crise atual pode ser sintetizado da seguinte maneira: as ocupações formais do Nordeste se retraíram em ritmo bem superior aos das demais regiões, com exceção da região Norte, e as ocupações informais também despencaram, diferentemente da maioria das demais regiões em que ampla parcela das pessoas buscou refúgio em ocupações como empregos sem carteira assinada e por conta própria. 

A tabela apresentada resume o comportamento das ocupações total, do emprego com e sem carteira assinada e das ocupações por conta própria no agregado do Brasil e nas regiões Nordeste e Sudeste, a partir de comparações entre alguns períodos. 

Quatro em cada cinco 
Na comparação entre a média dos quatro trimestres de 2014 e a média entre o último trimestre de 2016 e 3º trimestre de 2017, o Brasil apresentou retração de 1,93 milhão de pessoas ocupadas. Desse contingente, mais de quatro em cada cinco pessoas (82%), residiam no Nordeste. 

O pessoal ocupado na região Nordeste encolheu em 1,58 milhão de pessoas, frente a redução em 214 mil pessoas na região Sudeste, lembrando que a última região participava com 44% do pessoal ocupado no país em 2014, frente a 25% de participação da região Nordeste. Na comparação entre esses períodos, a ocupação total na região Nordeste recuou 7%, frente à média de 2,1% no Brasil e de 0,5% na região Sudeste (ver 1ª coluna da Tabela).  

O número de pessoas ocupadas em empregos formais no setor privado no Nordeste registrou retração muito acentuada (743 mil pessoas), inferior em termos absolutos à queda na região mais industrializada (1,57 milhão), mas bem mais intensa em termos relativos, 12,5% e 8,2%, respectivamente. A média de recuo no país foi de 8,5%.

Além da retração mais acentuada no emprego formal, a região Nordeste não conseguiu, nesses três anos de crise no mercado de trabalho, gerar ocupações alternativas, com vínculos informais, à diferença de todas as demais regiões. 

Assim, os empregos no setor privado sem carteira assinada no Nordeste recuaram em 3,7% na comparação entre a média dos quatro trimestres de 2014 e a média dos quatro trimestres encerrados no 3º trimestre de 2017. Nessa comparação, os empregos sem carteira no setor privado aumentaram 1,7% no país e 5,1% na região Sudeste. Apenas a região Centro-Oeste acompanhou o Nordeste na redução dos empregos sem carteira de trabalho, ainda assim registrando taxa bem menos acentuada (-0,9%). 

O comportamento divergente da região Nordeste na geração de ocupações informais foi ainda mais acentuado nas ocupações por conta própria, que recuaram 5,9% no Nordeste, e cresceram 13,2% na região Sudeste. Em todas as demais regiões as ocupações por conta própria apresentaram incrementos importantes, ainda que bem inferiores ao apresentado na região Sudeste. 

Retardo
Nos dois últimos trimestres com dados disponíveis, 2º e 3º trimestres de 2017, a ocupação total aumentou no Nordeste, em parte por conta de fatores sazonais relacionados ao início da safra da cana-de-açúcar ou às ocupações no comércio, na indústria e nos serviços relacionadas às vendas de final de ano. 

Na comparação com os mesmos trimestres do ano anterior, o Nordeste foi a única região em que o pessoa ocupado continuou recuando no 3º trimestre de 2017, mas é provável que as taxas tenham invertido para positivas a partir do último trimestre de 2017 (ver última coluna da tabela). 

Nessa comparação que reflete o comportamento no período mais recente, a taxa de retração do emprego com carteira assinada permanece mais acentuada no Nordeste do que na média das demais regiões e os vínculos informais ainda não começaram a reagir. Tanto em relação ao mesmo trimestre do ano anterior quanto em relação ao trimestre imediatamente anterior, a ocupação por conta própria no Nordeste continuou recuando no 3º trimestre de 2017, enquanto o emprego sem carteira assinada apresentou certo incremento na margem, mas continua recuando na comparação com o mesmo trimestre anterior.   

A deterioração mais acentuada e o retardo na recuperação no mercado de trabalho no Nordeste explicam uma perda de quase 1% na sua participação na massa da renda nacional de trabalho. 



*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
15/01
12:35

Perspectivas do Banco Mundial para 2018

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

A edição de janeiro de 2018 do relatório Perspectivas Econômicas Globais, do Banco Mundial, apresenta panorama relativamente otimista do cenário global para 2018 e 2019. Depois de constatar que, em 2017, o crescimento do nível de atividade se acelerou entre as principais economias avançadas e mercados emergentes, o relatório projeta a continuidade da expansão em ritmo moderado no ano corrente e no próximo ano. 

A recuperação da economia em andamento da economia global teria sido ajudada pelo incremento dos investimentos internacionais e pela expansão do comércio mundial suportados pelas condições financeiras benignas, em grande parte asseguradas pelas políticas monetárias acomodatícias dos principais bancos centrais. A recuperação parcial nos preços das commodities, após o colapso anterior nas cotações, também favoreceu o crescimento das economias emergentes.

O relatório assinala, todavia, que o incremento da produtividade da economia mundial encontra-se em desaceleração,o que limitaria o potencial de crescimento de boa parte dos países em um horizonte mais largo de tempo, depois que a capacidade produtiva tornada ociosa no período recessivo venha a ser ocupada. E reconhece que a economia mundial, em conjunto, e, particularmente, as economias emergentes, não retomaram o potencial de crescimento do período anterior à crise financeira de 2008.

Potencial de crescimento
Quase dez anos depois que o estouro da bolha imobiliária na economia norte-americana provocou reações em cadeia, demarcando o início da grande recessão na economia mundial, que se disseminou entre economias avançadas e mercados emergentes, o crescimento na maioria dos países e grupos de países não retornou ao ritmo anterior.

Frente ao crescimento da média anual 2005-2007 de 5,3% na economia mundial, a média de 2015-2017 deve ter se situado, na estimativa do Fundo Monetário Internacional, em 3,4% (ver Gráfico).

As economias avançadas cresceram 2,8%, no primeiro período, e devem ter crescido 2,0%, no segundo período. A América Latina, que havia crescido 5,3% ao ano entre 2005 e 2007, encerrou 2017 com média móvel trienal de 0,1%. É fato que o Brasil concorreu para empurrar para baixo a média trienal do subcontinente, mas todas as principais economias das regiões apresentaram média anual no triênio 2015-2017 muito abaixo da média anual 2005-2007. 

Perspectivas regionais
A estimativa do Banco Mundial no relatório Panorama Econômico Mundial, de janeiro de 2018, é de que a América Latina deve ter apresentado crescimento de 1,0% em 2017, devendo acelerar para 2,0% em 2018, taxa quase idênticas às previstas para a economia brasileira para o período, 0,9% e 2,0%, respectivamente. Em 2019 e 2020, em projeções que não dão para se fiar muito, a economia brasileira deverá acelerar o crescimento, segundo o relatório, para 2,3% e 2,5%.
 
Diferentemente das autoridades brasileiras, o organismo internacional não demonstra euforia sobre as perspectivas de crescimento do país em 2018  e anos seguintes. O fato alvissareiro é que a edição de janeiro do relatório do Banco Mundial reviu para cima, em relação à publicação anterior, os números do crescimento para o Brasil de 2017 e 2018. 

No capítulo dedicado às perspectivas regionais, o relatório constata a recuperação do nível de atividade na América latina e Caribe em 2017, depois de dois anos consecutivos de retração. E estima que o crescimento poderá se acelerar até 2022, à medida em que os países exportadores de commodities, marca da sub-região, continuem a melhorar. 

Fontes do crescimento e ameaças
O crescimento da América Latina em 2017 foi impulsionado pelo incremento do consumo privado, enquanto a recuperação do investimento vem ocorrendo em ritmo muito lento. As fortes restrições fiscais decorrentes do fim do ciclo anterior de valorização de commodities limitam a contribuição dos investimentos públicos para acelerar o crescimento econômico.

O risco mais acentuado de que esse cenário de melhoria moderada não se confirme decorreria de contaminação na sub-região de uma piora nas condições no mercado financeiro internacional e dos efeitos da ascensão do protecionismo comercial norte-americano.

O relatório prevê que algumas forças que impulsionaram o crescimento da América Latina perderão impulso nos próximos anos, como os ganhos nos preços das principais commodities e as desacelerações do crescimento da China e dos Estados Unidos projetadas para 2019 e 2020. Daí que a continuidade da aceleração do crescimento na América Latina deverá ser suportado pelo fortalecimento do consumo interno e dos investimentos em infraestrutura, em parceria com o setor privado.
 

Agenda das reformas
A contrapartida de tal diagnóstico é a usual recomendação dos organismos multilaterais de que os países promovam reformas que possam atuar sobre os fatores de oferta aos quais são atribuídos o potencial de crescimento econômico, como a ampliação do capital físico e humano, a elevação da taxa de atividade da força de trabalho e melhoria no funcionamento das instituições. 

Para os países em desenvolvimento com problemas fiscais, as propostas de reformas se estendem para a recomendação de contenção dos gastos públicos, revisão de gastos com funcionalismo, privatização de empresas e mudanças em regimes previdenciários. Como dito, nada além da cartilha convencional. Para lustrar o relatório, o Banco Mundial não deixa de mencionar a importância de reduzir as desigualdades de rendas vigentes e compartilhar de forma justa socialmente os custos dos ajustes.

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
02/01
10:02

Tudo depende do mercado de trabalho

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

Enunciada como no título a afirmativa tem muito de circular, mas cumpre o papel de evidenciar como a evolução recente do mercado de trabalho no Brasil tem sido titubeante, sendo ao mesmo tempo sintoma ecausa da debilidade da retomada de crescimento nessa transição para 2018. 

A recuperação do mercado de trabalho no segundo semestre de 2017 se revelou bem menos robusta do que o governo federal anunciava. De triste memória pela emissão da portaria que restringia a fiscalização de trabalho escravo, o agora ex-ministro do trabalho se despediu do cargo com a blague de que serão criados 1,8 milhão de empregos em 2018.  A piada de mau gosto foi dita no mesmo dia em que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Previdência Social, informou o corte de 12.292 empregos formais. 

A queda do emprego formal registrada pelo CAGED foi corroborada pelas últimas edições mensais da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar contínua – (PNADc). O contingente de trabalhadores do setor privado com carteira de trabalho assinada encolheu em 194 mil na comparação entre o trimestre móvel setembro-novembro de 2017 e junho-agosto de 2017, depois de já ter caído nos dois trimestres móveis anteriores (ver Gráfico).  

Mesmo com a propalada recuperação do emprego, o ano de 2017 vai se encerrando com quase um milhão a menos de empregados com carteira de trabalho no setor privado, na comparação entre o trimestre setembro-novembro de 2017 e o mesmo período do ano anterior. Contabiliza-se,nessa comparação, queda de simplesmente 857 mil empregos formais no setor privado, com o agravante de que a curva de redução desse tipo de vínculo não dá demonstração de esfriar já por quatro edições mensais da PNADc. 

Massa de rendimentos
Apesar disso, a economia se move. As pessoas têm buscado alternativa de sobrevivência, se inserindo no mercado de trabalho como é possível, em geral, como empregado sem carteira de trabalho, como trabalhador doméstico, como empregador, ou como trabalhador por conta própria (ver Gráfico).  

No trimestre setembro-novembro de 2017 havia 888 mil pessoas ocupadas a mais, sob qualquer de vínculo, do que no trimestre junho-agosto, e é isso que tem movido a economia, mesmo que muito lentamente. Com mais pessoas ocupadas, mesmo com vínculos precários, a soma dos rendimentos do trabalho tem crescido e ajudado a economia se recuperar. 

Desde o segundo trimestre do ano que a massa de rendimento real de todos os trabalhos vem apresentando crescimento, na comparação com os trimestres móveis anteriores, e chegamos ao trimestre setembro-novembro com a massa de rendimentos reais de todos trabalhos registrando incremento de 4,5% em relação ao mesmo período de 2016. 

É esse incremento da renda da população que tem impulsionado a economia, por meio do aumento do consumo das famílias. A expectativa de retomada do crescimento econômico está assentada nessa evolução do poder de compra das famílias, decorrente do incremento da ocupaçãoe da redução da inflação. 

Para 2018, o mais recente relatório trimestral de inflação, do Banco Central do Brasil, projeta incremento de 3% do consumo das famílias, enquanto o consumo do governo deverá evoluir bem abaixo do crescimento do PIB. O consumo das famílias, praticamente sozinho, deverá sustentar a expansão do PIB, com alguma contribuição do incremento dos investimentos. 

Trôpega
Nem mesmo é possível atribuir a precarização do vínculo no mercado de trabalho à recente reforma trabalhista, cujos efeitos em termos de geração de emprego ainda são uma grande incógnita. A precarização das relações trabalhistas é fruto da prostração profunda em que a economia se encontra desde 2015. 

É possível que, em um segundo momento, o emprego formal no setor privado comece a reagir, mas a recuperação trôpega do mercado de trabalho nesse final de 2017 revela os limites do ajuste executado pela atual equipe econômica.


Fonte: IBGE.PNADc.

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe
 


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
24/12
15:57

Perspectivas para 2018 e mais além

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe 

Do ponto de vista do ciclo de negócios, o ano de 2017 representou o ponto de inflexão da trajetória descendente para uma retomada do nível de atividade. Depois de recuar 3,5% em 2015 e em 2016, acumulando retração de 6,9% nos dois anos, a economia deverá crescer um pouco menos de 1%, em 2017, e pouco mais de 2,5% em 2018 (ver Gráfico). 

É uma retomada em ritmo modesto, diante da intensidade da queda.  O PIB per capita demorará alguns anos para atingir o pico de 2013. Serão nove anos, até 2022, para retornar ao mesmo patamar. Apesar do ritmo vacilante, a economia voltará a crescer e o mercado de trabalho deverá apresentar melhorias paulatinamente. Há, todavia, outras questões mais preocupantes sobre o futuro do Brasil. 

O ano de 2017 representou também um outro tipo de transição, depois do ciclo de crescimento com forte inclusão social de 2004-2014, que foi oportunizado, é verdade, pelo cenário externo favorável, mas que foi movido pelo projeto de consolidar em patamares mais elevados as promessas de construção de estado de bem-estar inscritas na constituição cidadã de 1988. 2017 significou também o início do desmonte progressivo do estado de bem-estar social.

2008
A atual recessão remete a explosão da bolha imobiliária norte-americana, em 2008, que se desdobrou na crise europeia de 2011, e alcançou os países ditos de mercados emergentes, em 2013, com a o fim do longo ciclo de valorização de commodities.

A reversão do cenário na economia mundial, como não poderia deixar de ser, foi impactante, provocando um vendaval político que derrubou, um a um, os partidos e coalizões políticas então no poder, tanto no mundo industrializado, como entre os países periféricos. 

Assim como as crises cambiais dos anos noventa haviam levado de roldão os governos de orientação neoliberal, que não entregaram à população a melhoria de bem-estar prometida pela integração à nova ordem mundial, a contaminação pela crise financeira internacional induziu ao encerramento do ciclo de governos de matizes populares e desenvolvimentistas na América Latina.

Da crise econômica à crise política

A presidente Dilma se defrontou com o período de reversão do cenário internacional favorável aos países emergentes. Depois do levante das ruas em 2013, as forças políticas conservadoras e os mercadistas, não são a mesma coisa, perceberam a oportunidade de retomar o poder. E a presidente Dilma cometeu muitos erros quando percebeu o cerco político se fechando à medida que a economia perdia empuxe. 

Repetindo o voluntarismo de outras épocas, a presidente Dilma forçou muito a mão para estimular o nível de atividade e a economia não respondeu, o que gerou fortes impactos fiscais. Além de ter cometido erros incompreensíveis, como ter promovido desonerações generalizadas para setores de atividade e ter permitido por período demasiadamente longo a defasagem dos preços dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica. Quando o nível de atividade despencou em 2015 e as receitas desabaram, a situação fiscal brasileira fugiu de controle.


O ajuste e as reformas

Quando a recessão se instalou, os mercadistas perceberam a oportunidade que tinham pela frente e se associaram aos setores conservadores e de extrema direita em uma aliança estratégica, com o propósito de impingir retrocessos às conquistas sociais pactuadas na constituição cidadã. Se os setores de extrema direita têm uma pauta conservadora e mesquinha e algumas vertentes chegam a propagar uma agenda obscurantista, anticientífica e homofóbica, a ameaça real à ao estado de bem-estar social não vêm deles e sim dos setores mercadistas. 

A coluna vertebral das reformas é o rígido teto de gastos, que engessa as políticas de ajuste e impõe uma redução de dimensões inéditas do tamanho do estado como proporção do PIB em um horizonte de vinte anos. 

Para cumprir o congelamento dos gastos estabelecido em lei estão sendo adotadas “reformas” em série que visam ao fim e ao cabo promover o encolhimento do estado nacional: estatais estão sendo vendidas a preço de banana e as riquezas minerais estão sendo entregues a investidores internacionais, assim como extensas terras agrícolas. Essa coalizão que atualmente comanda a política nacional, liderada pelos mercadistas, vai dizimar o que resta de indústria nacional e de projeto nacional de desenvolvimento. E esses setores foram hábeis em manipular o discurso contra corrupção em favor dos seus propósitos. 

Com a profundidade da crise econômica que atingiu o país, não se enganem, a agenda do ajuste fiscal se impôs. Não há como contornar esse tema.  Nem nacionalmente, nem localmente. A questão é como fazê-lo de modo inteligente, para reduzir o sofrimento da população, e como distribuir o seu ônus, sem comprar o pacote pronto das reformas liberais. Em cenário tão adverso politicamente, os setores populares têm como desafio apresentar uma proposta coerente e consistente de ajuste fiscal. 

Fonte: IBGE, CNT 2003 a 2016. BCB. Expectativa de mercado, 15/12/2017

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


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17/12
20:57

O Investimento e o consumo na saída da recessão

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

Em 2018, não se pode esperar contribuições adicionais significativas da safra agrícola e do setor externo no crescimento do PIB. Consumo e investimentos, nessa ordem, deverão ser os principais componentes de aceleração do crescimento da economia.

O PIB brasileiro vem apresentando incremento desde o 1º trimestre e 2017, depois de completar oito trimestres consecutivos de queda. Além de lenta, a recuperação do nível de atividade da economia brasileira tem sido desigual, tanto em termos de setores de atividade, quanto no que se refere aos componentes da demanda. 

Agricultura, indústria de transformação e comércio e transporte vêm apresentando incrementos mais robustos, enquanto as atividades de governo, comunicação e informação, atividades financeiras e os serviços pessoais registraram evoluções menos favoráveis. Crítico mesmo tem sido o desempenho da construção civil. 

Do ponto de vista do dispêndio, o consumo das famílias e o setor externo foram os componentes que mais contribuíram para o crescimento no acumulado de três trimestres em 2017. O gasto público apresentou retração no período e os dispêndios com investimentos ainda não apresentaram retomada mais significativa.

Perspectivas 
Todavia, mais importante do que olhar para o retrovisor é buscar identificar quais serão os vetores de aceleração do crescimento da economia brasileira nos próximos trimestres.  

A expectativa é de que os impulsos gerados pela safra agrícola favorável em 2017, pelo impacto do crescimento das exportações sobre o nível de atividade de importantes cadeias produtivas e, principalmente, pela expansão gradual do poder de compra da população associada ao incremento da ocupação, deverão se disseminar progressivamente entre os vários setores de atividade, sem, contudo, significar que a retomada seja sustentável no médio prazo.  

O crescimento do consumo tem sido associado ao incremento gradual do poder de compra das famílias derivado do aumento da ocupação e da melhoria das condições de acesso ao crédito. No relatório da inflação de setembro último, antes da publicação do PIB do 3º trimestre, o Banco Central projetava expansão de 0,4% no consumo das famílias em 2017 e de 2,5% em 2018, indicando a continuidade do crescimento do componente nos próximos trimestres. 

Investimento
O investimento na economia brasileira iniciou sua trajetória declinante no último trimestre de 2013.  Aparentemente a queda foi estancada nos dois últimos trimestres, registrando-se variação de -0,1%, no 2º trimestre, e incremento de 1,6%, no 3º trimestre. Esses últimos resultados não chegaram a ser animadores. Esperava-se contribuição mais relevante dos investimentos na retomada da economia.  

O Relatório de Inflação de setembro do Banco Central projetava que a Formação Brutal de Capital Fixo (FBCF), mesmo crescendo no segundo semestre, fecharia o ano de 2017 com queda de 3,2%, depois de ter despencado 10,3% em 2016, e 13,9%, em 2015. Em relação ao final de 2013, o investimento do 3º trimestre de 2017 se situava 27,6% abaixo (ver Gráfico). Na mesma comparação, o consumo das família se entrava 4,1% abaixo. Para 2018, o relatório da inflação indica crescimento de 3% na FBCF, ritmo ainda muito baixo frente ao que se poderia esperar depois de retração tão acentuada nos últimos quatro anos. 

O crescimento de 2018, é possível inferir, deverá ter como impulso principal o crescimento do poder de compra das famílias, que finda gerando algum efeito positivo sobre os investimentos para responder a  estrangulamentos e oportunidades setoriais, dado que no agregado da economia o nível de ociosidade permanece muito elevado. Não se deve esperar, em 2018, que a safra agrícola e o setor externo voltem a contribuir significativamente no crescimento do PIB. Consumo e investimentos, nessa ordem, deverão ser os principais componentes de aceleração do crescimento da economia.

Parâmetros divulgados na semana passada pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda, revê a projeção do crescimento do PIB de 2018 de 2% para 3%. E revela pelo menos dois dados elucidativos: o primeiro é que o retardo na redução dos juros nominais teria contribuído para reduzir o PIB de 2017 em 0,8%. Para 2018, a política monetária impulsionaria o PIB em 1%, enquanto a política fiscal seria neutra.  A estimativa da SPE é que o Hiato de Produto atual seria de 3%, mais um indicador de que, pelo lado da oferta, no agregado, há espaço para crescer sem investimento líquido. 

Fonte: IBGE.CNT

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
10/12
12:48

Examinando o crescimento de 0,1% do PIB no 3º trimestre de 2017

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

O governo central comemorou efusivamente, com a cumplicidade mais do que benevolente dos meios de comunicação, o terceiro crescimento sucessivo do PIB trimestral, mesmo tendo o resultado do 3º trimestre registrado aumento de apenas 0,1%, quase traço. 

O esforço publicitário na divulgação do resultado do PIB integrou a mobilização geral que se assiste nas últimas semanas pela derradeira tentativa do governo de votar a reforma da previdência ainda esse ano. Do ponto de vista do governo, é preciso convencer a população que a economia encontrou o rumo da retomada do crescimento e que a reforma previdenciária é etapa fundamental para consolidar o ajuste e assegurar que não haverá risco de reversão na recuperação econômica. A julgar pelas pesquisas de opinião, o público não demonstra muito entusiasmo, nem em relação à recuperação da economia, muito menos com a reforma previdenciária. 

Afinal, o crescimento de 0,1% no 3º trimestre foi bom ou foi ruim? Significou que a economia brasileira confirmou a retomada do crescimento ou revelou sua debilidade? A resposta mais razoável para tais questões é: depende das expectativas que cada um tem em relação ao que o crescimento econômico deve promover e da velocidade que a economia deveria se expandir para atender minimamente essas expectativas. Até me arriscaria avaliar que se o objetivo principal da retomada é proporcionar a recuperação de emprego e renda para a população e promover o reequilíbrio das finanças públicas, mesmo que em um horizonte de prazo bastante largo, poder-se-ia afirmar que o resultado do PIB é um copo ¼ cheio e ¾ vazios. 

Sustentabilidade e fragilidade
É importante registrar que o anúncio do PIB do 3º trimestre foi acompanhado pela revisão para cima dos resultados dos dois trimestres anteriores, de 1% para 1,3%, no 1º trimestre, e de 0,2% para 0,7%, no 2º trimestre.  Com isso, as projeções de crescimento para 2017 devem ser revistas levemente para cima. O Relatório de Mercado- Focus elevou de 0,73% para 0,89% a projeção do crescimento do PIB para 2017, sem impacto, todavia, no crescimento para 2018. 

Se a projeção anual foi revista levemente para cima, uma correção mais de caráter estatístico do que uma mudança de fundo na atividade econômica, os resultados trimestrais assinalam, sem sombra de dúvida, uma desaceleração na margem do ritmo de crescimento, de 1,3%, no 1º trimestre, para 0,7%, no 2º trimestre e, finalmente, de 0,1% no 3º trimestre. 

Alguns analistas questionaram se essa evolução não poria em dúvida a própria sustentabilidade da retomada do crescimento, que poderia ter sido associado nos dois primeiros trimestres a fatos extraordinários, não recorrentes; respectivamente o salto na produção agrícola, no 1º trimestre, e o impacto da liberação dos recursos do FGTS e do PIS sobre o consumo das famílias, no 2º trimestre e ainda com impacto no 3º trimestre. 

Ainda que esses efeitos tenham participado de fato com peso significativo nos resultados do PIB na primeira metade do ano, a abertura dos dados, tanto do lado da produção, quanto do lado do dispêndio, parece afastar essa preocupação de que a recuperação não venha se mostrar sustentável nos próximos trimestres, sem deixar de confirmar, por sua vez, que ela tem sido lenta e vacilante e que vai demorar muitos trimestres até que a população perceba melhorias mais robustas. Os congressistas estão conscientes disso. 

Produção
O Gráfico 1 apresenta a evolução dos PIBs trimestrais em relação aos trimestres imediatamente anteriores, já livre dos efeitos sazonais, segundo os setores e alguns subsetores  de atividade mais significativos.  

No 1º trimestre de 2017 foi a recuperação da produção agrícola, depois dos efeitos da estiagem no ano anterior, o principal fator do incremento do PIB, mas o início da recuperação da indústria de transformação, depois de anos de retração,  e o incremento do comércio também contribuíram. 

Depois do forte impulso no 1º trimestre, o setor agropecuário apresentou resultados negativos nos 2º e 3º trimestres, sem prejudicar o incremento anual que deverá ser superior a 10%. 

O incremento do PIB no 2º trimestre, pelo lado da oferta, foi explicado principalmente pela expansão das atividades comerciais e pelos subsetores de transporte e de outros serviços. O crescimento desse período pode ser parcialmente atribuído à expansão do poder de compra das famílias associado à liberação de mais de R$ 40 bilhões de recursos do FGTS.  

No 3º trimestre, indústria de transformação, comércio e, em menor grau, serviços puxaram para o crescimento da economia, enquanto o setor agropecuário empurrou para baixo. Assim, excluídos fatores muito específicos do setor agropecuário, muitas das mais importantes atividades econômicas apresentaram crescimento relativamente bom no 3º trimestre, permanecendo, todavia, a preocupação com a construção civil, que continua sem se mexer do lugar. 



Dispêndio
O exame dos componentes do dispêndio provê elementos adicionais para avaliar o comportamento do PIB em 2017. Como apresentado no Gráfico 2, o consumo da família apresentou incremento robusto tanto no 2º quanto no 3º trimestres, em parte por conta da redução da inflação e dos juros nominais, em parte por conta da liberação dos recursos do FGTS, em parte por conta do incremento da ocupação, mesmo com vínculos precários de trabalho. O consumo do governo tem se mantido em ligeira retração ao longo de todo ano. 

Um aspecto interessante é que o setor externo, que vinha contribuindo em termos líquidos para a expansão do PIB, deixou de fazê-lo no 3º trimestre, não porque  as exportações de bens e serviços tenham deixado de crescer, e sim porque o incremento do nível de atividade interna impulsionou a demanda bastante comprimida de bens para consumo das famílias e para a atividade das empresas. Os investimentos apresentaram evolução positiva, mas a partir de uma base de comparação muito rebaixada. 

Em resumo, do ponto de vista do dispêndio, os gastos do governo puxam o freio da economia, enquanto o consumo das famílias, em parte por conta do incremento da ocupação, em parte por conta dos juros mais baixos nas operações de crédito, põe alguma tração para cima.  A resultante das forças não poderia ser mesmo espetacular, mas é razoável supor que a recuperação, em ritmo lento e desigual setorialmente, tenha continuidade nos próximos trimestres. 




*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
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