03/02
12:16

Mercado de trabalho entra 2019 em desaceleração

Ricardo Lacerda
Professor da UFS

O mercado de trabalho brasileiro vem desacelerando a geração de novas ocupações ao longo dos últimos trimestres. Depois de encerrar o ano de 2017 com as ocupações totais registrando crescimento de 2,05%, o último trimestre de 2018 mostrou incremento de apenas 0,97% nas ocupações totais, sempre na comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Em termos absolutos, foram criadas 1,89 milhão de novas ocupações na comparação entre os últimos trimestres de 2016 e 2017, e 890 mil novas ocupações na comparação dos mesmos períodos entre 2017 e 2018, menos da metade. 

O fato é que em todos os principais tipos de inserção no mercado de trabalho os resultados mais recentes vêm apresentando melhorias mais lentamente do que há um ano atrás, refletindo a desaceleração no ritmo de crescimento econômico. A grande interrogação é se as fortes elevações dos índices de confiança nos últimos meses terão ou não o condão de estimular a retomada do crescimento econômico e, assim, impulsionar a criação de empregos em 2019.

Precarização
Após sete semestres subsequentes de crescimento do PIB, a taxa de desocupação na economia brasileira se mantém muito elevada. No trimestre móvel outubro-novembro  de 2018 a taxa de desocupação se situava em 11,6%, apenas 0,2 pontos percentuais abaixo do resultado do mesmo período do ano anterior. Em relação a quatro anos antes, trimestre outubro-dezembro de 2014, a taxa mais recente se posicionava 5,1 pontos percentuais acima (ver Gráfico 1).

Além da lentidão na queda da taxa de desocupação, chama a atenção no mercado de trabalho brasileiro a qualidade ruim das novas ocupações. O emprego formal no setor privado continuou declinando em 2018, registrando retração de novas 324 mil ocupações com carteira de trabalho. As novas ocupações, por sua vez, revelam inserções precárias: em 2018, a ocupação por conta própria respondeu por quase 50% das ocupações criadas e quase 1/3 das novas ocupações correspondem a empregos sem carteira assinada no setor privado. 

Em termos de grupamentos de atividades no trabalho principal, chama a atenção a concentração das ocupações criadas nos segmentos de serviços sociais e outros serviços. Permanece grave a situação da ocupação na construção civil, que ainda não estabilizou o contingente de pessoas ocupadas; o setor vem apresentando sucessivas quedas na série que compara com mesmo período do ano anterior desde o trimestre móvel junho-agosto de 2016.




Desaceleração

Além dos fatos relatados acima, relativamente já bem conhecidos pelo público, há um dado novo e preocupante: a desaceleração na geração de novas ocupações nos últimos trimestres, mesmo quando são consideradas as ocupações mais precárias.

O Gráfico 2 apresenta as taxas de crescimento da ocupação total e do número de pessoas nos principais tipos de ocupações de maior de peso no total da população, na comparação com iguais trimestres móveis do ano anterior. Observando-se a ocupação total, indica-se que depois de crescerem 2,05% no último trimestre móvel de 2017, em relação a igual período de 2016, no trimestre móvel janeiro-março de 2018 essa taxa recuou para 1,84%; no segundo trimestre móvel (abril-junho de 2018), refletindo os efeitos da paralisação dos caminhoneiros, a taxa recuou ainda mais célere, para 1,11%. Na segunda metade do ano, apesar de alguma retomada no incremento na geração de ocupação no trimestre julho-setembro, a linha de tendência é claramente declinante, registrando-se nova forte desaceleração no último trimestre móvel de 2018.

Observando-se as evoluções dos principais tipos de ocupação, contata-se que a desaceleração foi generalizada entre os vínculos precários que vinham sustentando a retomada da ocupação, enquanto a ocupação formal no setor privado não mostrou sinal de animação maior, continuando a apresentar quedas sucessivas e ainda expressivas no número de pessoas ocupadas.

Assim, os empregos sem carteira de trabalho assinada que finalizaram o ano de 2017 apresentando taxa de crescimento de 5,69%, no último trimestre de 2018 registraram incremento de 3,84%; a taxa de crescimento dos empregadores, que cresceu 6,34% no final de 2017, no último trimestre de 2018 revelava forte desaceleração para 2,79%. Mesmo as ocupações por conta própria, último reduto de sobrevivência das famílias empobrecidas pela crise, já não cresciam em 2018 na mesma intensidade de 2017.

A desaceleração da retomada do mercado de trabalho a partir do segundo trimestre de 2018 pode ser atribuída, no primeiro momento, à paralisação dos caminhoneiros e, no segundo semestre, à instabilidade política interna e à piora relativa do cenário internacional. A expectativa para 2019 é de certa retomada no ritmo na geração de ocupações, apesar de todas as incertezas reinantes.  




Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
20/01
12:55

Nuvens no cenário externo

Ricardo Lacerda
Professor da UFS

Depois de um período, entre 2017 e parte de 2018, de aceleração e de sincronização de crescimento entre as maiores economias mundiais, o ano de 2018 se encerrou com moderação e assincronia no ritmo de crescimento entre os países líderes, limitando a retomada da atividade econômica nos mercados emergentes e países em desenvolvimento.

Em 2019, China, Estados Unidos e Zona Europeia deverão registrar reduções na taxa de incremento do PIB, enquanto o Japão deverá manter o desempenho já rebaixado de 2018. A moderação no crescimento nas grandes economias, novas rodadas de elevação nos juros básicos nos Estados Unidos e o recrudescimento das disputas comerciais são as principais ameaças à retomada do crescimento das economias em desenvolvimento, notadamenteentre os exportadores de commodities, como são os casos dos países latino-americanos.

Exportadores de commodities
A edição de janeiro de 2019 do relatório Perspectivas Econômicas Globais, do Banco Mundial, aponta o aparecimento de horizonte nublado no cenário econômico em 2019, como resultado da combinação de certa moderação no ritmo de crescimento e condições financeiras menos favoráveis no cenário internacional. Os riscos afetariam especialmente Mercados Emergentes e Economias em Desenvolvimento (EMDEs, na sigla em inglês).

Alguns dos principais EMDEs já estariam se ressentindo de substanciais pressões do mercado financeiro. A situação externa menos favorável vem afetando o crescimento dessas economias, retirando impulso na retomada do crescimento dos países exportadores de commodities, enquanto as economias emergentes importadoras desses bens apresentam desaceleração nos seus ritmos de crescimento. O relatório do Banco Mundial é seco nas suas conclusões sobre as perspectivas da economia mundial: o céu está escurecendo e a retomada dos Mercados Emergentes e das Economias em Desenvolvimento simplesmente parou.

O PIB argentino, depois de crescer 2,9%, em 2017, deve ter recuado 2,8%, em 2018 e, em 2019, deverá apresentar nova forte retração, projetada em 1,7%. No caso do Brasil, o relatório reviu para metade a projeção feita no meio do ano, de crescimento de 2,4% para 2018; a nova estimativa de crescimento para 2018 é de 1,2%, adição de apenas de 0,1 ponto percentual em relação ao PIB de 2017 (Ver Quadro).


Ameaças
Dois tipos de ameaças podem ter maiores impactos sobre as economias dos países em desenvolvimento: o acirramento e a difusão das disputas comerciais e o fim do impulso causado pelo miniciclo de valorização das commodities, sem que os EMDEstenham aproveitado o período favorável para sanear a situação fiscal de suas economias e realizarem esforços para torná-las mais competitivas. A desaceleração no crescimento de algumas maiores economias do mundo já se reflete nos preços das commodities, fechando uma janela de oportunidade para osEMDEs. Em outras palavras, a moderação no crescimento global restringe a retomada no crescimento desses países.

O relatório destaca que o aperto mais acentuado do que esperado anteriormente nas condições de financiamento poderá impactar desfavoravelmente a atividade econômica dos EMDEs e assinala que a escalada das tensões comerciais é outro grande risco negativo para a perspectiva global. O gráficoapresenta a evolução do PIB de algumas das principais economias emergentes entre 2016 e 2018 e as projeções do Banco Mundial para 2019 e 2020.





Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
21/10
15:47

O que se move e o que não se move depois da greve dos caminhoneiros

Ricardo Lacerda
Professor da UFS

Difícil falar sobre o comportamento do nível de atividade quando as instituições nacionais se encontram sob ameaça, diante do risco iminente da eleição de um candidato a presidente que já deu demonstrações cabais de falta de compromisso com as regras democráticas e cuja campanha se assenta na incitação ao ódio e à intolerância. 

Os amplos setores da sociedade que atualmente apoiam o candidato que vocifera slogans chamando à ordem provavelmente se defrontarão no próximo ano, caso se confirme a sua vitória, com enormes decepções, quando as frustrações nos mais diversos campos começarem a se acumular. Oremos, pois, para que dê tempo para consertar os estragos que serão necessariamente produzidos por uma gente que se mostra despreparada para a convivência democrática e ainda mais para governar, nas mais diversas áreas, inclusive na economia. 

Façamos uma pausa na política, o que não é fácil diante das preocupações reinantes, para tentar avaliar os últimos indicadores de atividade. Os dados referentes ao mês de agosto, publicados nos últimos dias, sinalizaram que os impactos mais diretos da greve dos caminhoneiros começam a ser dissipados. 

Setores de atividade
Os números de maio e, em alguns setores, de junho, foram tão fora dos padrões que há muita dificuldade para avaliar exatamente o que os resultados dos meses seguintes significam em termos normalização da produção e de crescimento: o comércio varejista apresentou crescimento de 1,3% em agosto, em relação ao mês de julho, depois de três meses de recuo, não chegando, todavia, a repor, na série livre de feitos sazonais, o nível de atividade anterior à paralisação nacional dos rodoviários.   

A indústria de transformação já havia recuperado em junho o nível de atividade perdido em maio, mas desde então não apresenta novos incrementos. O setor de serviços, o segmento que mais retardava o crescimento entre os diversos setores de atividade, vem apresentando fortes oscilações mensais desde maio e no mês de agosto apresentou resultado relativamente robusto, com crescimento de 1,2% em relação a julho na série livre de feitos sazonais. 

Na comparação com igual mês do ano anterior, o volume de vendas do varejo apresentou crescimento robusto em agosto, ainda que as taxas tenham se apresentado muito dispersas entre os setores. Essa também tem sido a marca das atividades de serviços, forte dispersão entre as taxas de crescimento entre os subsetores, revelando a fragilidade da recuperação da atividade.
 
A retomada das atividades industriais, que se iniciou mais cedo do que no comércio e nos serviços, tem se mostrado mais robusta, ainda que alguns subsetores de bens de consumo não duráveis, como têxteis, calçados e alimentos industrializados mantenham produções rebaixadas, além da fabricação de materiais para a construção civil. 

Cabe alertar que permanecem as dificuldades em avaliar o significado dos resultados mais recentes; o quanto do incremento nos últimos meses se deve à reposição dos volumes de produção e vendas perdidos durante a greve dos caminhoneiros e o quanto se deve ao retorno à trajetória de crescimento, mesmo modesto, interrompido nos meses de maio e junho. 

Desconfio que a interpretação dos resultados na série livre de efeitos sazonais mais recentes ficou relativamente comprometida pelos números tão adversos de maio e junho. Nesse sentido, observar a série de indicadores sem o ajuste sazonal, na comparação com igual período do ano anterior, notadamente os resultados acumulados ao invés de mensais, permite captar melhor o comportamento recente do nível de atividade. 

Trimestre e doze meses
Os resultados do mês de agosto são os primeiros que permitem calcular as taxas de crescimento trimestrais sem a maior parte do impacto direto da greve dos caminhoneiros. 

Na comparação com igual trimestre de 2017, o crescimento do volume de vendas do varejo no trimestre completado em agosto alcançou 1,5%, quando antes da paralisação nacional estava rodando quase 4%, em relação a igual trimestre do ano anterior. Em doze meses acumulados as diferenças são bem atenuadas, com índices de crescimento do volume de vendas no varejo similares do período anterior à paralisação nacional, ainda que as vendas no varejo em alguns subsetores permaneçam rebaixadas, como moveis e vestuário e calçados.

Na indústria de transformação, a produção física em doze meses cresceu 2,2%, em relação a igual período anterior, bem inferior ao ritmo anterior à paralisação (cerca de 4%), e muitos dos segmentos de bens de consumo não duráveis continuam com a produção rebaixada. Finalmente, as atividades de serviços, que antes da paralisação nacional rodavam abaixo dos resultados de 2017, apresentaram resultado notavelmente favorável no trimestre encerrado em agosto de 2018, com destaque para os segmentos de transporte e armazenagem.

Para finalizar, o gráfico apresentado traz a evolução das taxas trimestrais e em doze meses do crescimento do Índice de Atividade do Banco Central (IBC-BR), em relação a iguais períodos anteriores. Nas duas séries, o crescimento do nível de atividade da economia brasileira já vinha desacelerando desde o último trimestre de 2017, situação que se agravou no 2º trimestre de 2018.

Após os impactos a paralisação dos caminhoneiros, a economia brasileira, aparentemente, retoma a atividade, com ritmo de incremento de cerca de 1,5%, com uma dispersão relativamente grande entre setores, subsetores de atividade e regiões. O mercado de trabalho continua eliminando empregos formais. A melhor aposta na recuperação seria um forte estímulo aos investimentos públicos na construção civil. Mas as perspectivas eleitorais definitivamente não apontam para a pacificação política da nação.




Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
07/10
17:56

Os escafandristas

Ricardo Lacerda  
Professor da UFS                  

Nunca tive a veleidade de convencer ninguém a votar em candidato ou partido A ou B. Sempre entendi que cada eleitor, a partir de suas referências, faz sua própria leitura sobre a realidade e se posiciona, independentemente de idade e nível de escolaridade. E depois suporta as consequências de suas escolhas. Converso sim sobre as opções existentes com amigos e pessoas com quem me relaciono.

Nos dias que antecedem as eleições, nem a isso me proponho. Escrevo o presente artigo para registro futuro; não o futuro próximo de 2019 ou 2020 e sim o futuro dos escafandristas que, como nos versos da música de Chico Buarque Holanda, depois de “milênios, milênios no ar (...) virão explorar seu quarto, suas coisas, suas almas, desvãos (...) vestígios de estranha civilização”.

Desencontros

Aqueles que nesse futuro distante se debruçarem sobre a realidade do Brasil de 2018 certamente terão dificuldades para compreender o que se passava nesses tempos tumultuados, marcados pelos desencontros. Como uma sociedade passou tão celeremente de uma euforia e ganhou confiança sobre futuro durante o mais abrangente e socialmente inclusivo ciclo de crescimento de sua história, entre 2004 e 2012; realizou gigantescas manifestações de rua, em 2013, quando as melhorias sociais começaram a mostrar os seus limites; e se afundou em parafuso desde 2015, afastando a presidente eleita, em 2016, alguns acreditando que novos tempos viriam, e se defrontou com a falta de perspectivas e o desencanto nos últimos dois anos?

Claro que uma parcela importante dos problemas atuais tem raízes no exterior, com a crise financeira de 2008 nos Estados Unidos; a contaminação da Europa, em 2011; o comprometimento do crescimento do nosso principal parceiro comercial, a China, em 2013. Mas isso é apenas uma parte do enredo, importante no contexto geral, mas insuficiente para entendermos a dimensão do impasse em que nos encontramos. Sim, a forma e a intensidade com que reagimos aos ventos externos foi muita própria e revelam muito da natureza das nossas mazelas internas.

Há, pelo menos, duas ordens de questões que emergiram quando a economia brasileira começou a perder o ímpeto de crescimento: uma de natureza econômica e social e outra de natureza cultural e moral. Não tenho competência para falar das últimas mas, ainda assim, irei me arriscar a tecer algumas ligeiras reflexões, porque é necessário considerá-las para entender o tamanho da enrascada em que nos metemos.

Na dimensão dos costumes, a agenda de direitos humanos avançou em ritmo acelerado nos últimos dez anos, contemplando o respeito à diversidade, reconhecimento de direitos de minorias, estabelecimento de cotas em concursos públicos, questões de gênero, sexualidade e novos arranjos conjugais. A velocidade com que essa pauta andou, ainda que haja muito caminho a considerar, assustou muitos segmentos da sociedade, abrindo espaço para o oportunismo exacerbado de líderes religiosos que buscaram se capitalizar, no sentido literal e no metafórico, com a reação da sociedade que, se não pode ser classificada de natural, pode ser encarada como compreensível. Os escândalos de corrupção foram mais um ingrediente relevante na percepção de descontrole e de degradação geral dos costumes.

Na dimensão econômica e social, o fim do ciclo de crescimento econômico e de forte inclusão social, repito, o mais importante da história do Brasil, fez aflorar ressentimentos que se acumulavam entre segmentos da classe média tradicional que perdiam relativamente posição social com a significativa ascensão dos pobres, mesmo que os segmentos médios também estivessem melhorando de vida em termos absolutos. De outra parte, a deflagração da crise econômica deu partida à disputa pela distribuição dos custos do necessário e inadiável ajuste fiscal. Nessa contenda, literalmente, quem pode mais, paga menos, ainda que, com a conflagração interna, os custos sociais estejam se revelando muito maiores do que precisariam ser.

As alianças

As alianças sociais que se formaram nas disputas internas, e que estão refletidas na atual corrida eleitoral, são estarrecedoras, apesar de não serem inusitadas. Como, cargas d’água, os chamados liberais, que defendem a menor presença do estado no funcionamento da economia, se aliam aos setores mais conservadores em termos de costumes, em uma aliança sombria que corteja redução de direitos sociais e estímulos à repressão aos novos padrões e costumes? Como os defensores do livre mercado abrem mão dos mais comezinhos padrões de civilidade e passam a apoiar um candidato sustentado por verdadeiras milícias, pela bancada da bala e que defende a discriminação das mulheres e a perseguição implacável a minorias que podem representar 5% ou mais da população.

Apesar das especificidades dos nossos descaminhos, há sim lições a aprender com a comparação do que acontece em outros países. Seja nos Estados Unidos, seja na Europa, seja em quase todos os demais países da Nuestra América, as divisões internas na população se aguçaram nos últimos anos.

Tais divisões tendem a emergir em períodos de crise econômica e social que muitas vezes são também momentos de grandes transformações, tanto na dimensão produtiva e social, quanto nas dimensões dos costumes.

Para além das diferenças arraigadas sobre o melhor caminho para enfrentar a crise fiscal, a respeito do tamanho adequado do estado nacional e sobre qual seria a melhor estratégia de desenvolvimento econômico e social, é necessário recusar o obscurantismo e dizer não a opções que coloquem o país na rota do retrocesso econômico e social.

Os escafandristas se perguntarão no futuro que estranho pacto se formou para fechar as portas de acesso dos mais pobres à melhoria de vida e legitimou a violência e a perseguição às minorias que buscavam apenas serem reconhecidas como parte de uma sociedade diversa. Há sim pactos não legítimos em outras alianças, como a recusa de abrir mãos de privilégios estabelecidos, mas nada tão assustador quanto ao que no referimos. Até o fim a minha palavra de ordem para ressoar no futuro será  #EleNão.


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
08/07
11:54

Superar a crise institucional é mais determinante para crescimento do que resultado das eleições

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

Virou lugar comum afirmar que o ano de 2018 já estaria perdido e que restaria esperar que o bloco político ungido nas eleições de outubro próximo venha a ter capacidade de reorganizar o país e prepará-lo para deixar para trás o período de instabilidade política e institucional que nos imobiliza nos últimos anos. Do ponto de vista do crescimento econômico, o governo eleito teria a legitimidade para propor as mudanças necessárias para superar a crise de confiança que estaria na raiz da debilidade da recuperação do nível de atividade. 

Essa narrativa pode fazer sentido, mas é preciso matizar melhor o que se encontra em jogo para, mais uma vez, não vender ilusões. Não ver ser fácil conferir um mínimo de estabilidade institucional e coesão interna para retirar o país da atual situação de entropia. 

A ponte que ruiu
Não esqueçamos de que o governo atual, com o respaldo estridente da banda de música da imprensa e do mercado financeiro, dava como certo que o programa de reformas e de ajuste fiscal sintetizado no documento Uma Ponte para o Futuro conduziria à redenção do país. 

Dois anos depois, vimos que não foi bem assim. Pelo contrário, continuamos nos afundando mais e mais na crise política e institucional, com evidentes implicações na vida econômica. Há quem defenda, em simplismo exacerbado, de que a transição conduzida pela dupla Temer-Meirelles não foi bem sucedida porque a gravação da JBS comprometendo pessoalmente o presidente da república em denúncias de corrupção jogou por terra as condições de promover as reformas propostas. 

O que em outras palavras essa linha de argumentação está afirmando é que a implantação das reformas previstas no documento citado imporia a distribuição de perdas que o ajuste fiscal exigiria, superando a situação de impasse, como também definiria as condições de sustentabilidade fiscal no médio e longo e estabeleceria regras de regulação econômica mais amigáveis ao mercado. Depois de um período delimitado de purgação, mais dolorosa para uns do que para outros, o paraíso estaria logo ali na frente: a economia retomaria e o emprego voltaria a se expandir, conferindo legitimidade e apoio ao plano de transição. O padrão raso dessa perspectiva indica não apenas o quanto os economistas podem ser prepotentes, como reflete os equívocos a respeito da gravidade da crise institucional em que estamos enredados.  

Crise institucional
O fracasso do plano Temer-Meirelles não foi em vão. Afastada a abordagem mais simplista, que procura reduzir a dinâmica social, política e institucional à dimensão de mercado, vão assentando posições mais refletidas sobre a natureza da nossa crise e, por conseguinte, dos caminhos de sua superação. 

Foram ganhando maior presença na grande imprensa manifestações de articulistas revelando preocupações com os embaraços institucionais em que fomos nos enredando e que criaram disfuncionalidades não apenas na operação da economia, como também no sistema judicial e nos mecanismos de controle de despesa pública.  

Tais disfuncionalidades decorreram, em sua essência, da proposição de soluções ad hoc para problemas que ganhavam visibilidade, como os desvios nos gastos públicos e a disseminação de conluios entre políticos e agrupamentos empresariais. Na busca de enfrentar tais desvios, atropelou-se a constituição federal, judicializou-se a política, desequilibrou-se a relação entre os poderes e fez-se pouco caso dos direitos individuais, conferindo inclusive mais instabilidade nas relações contratuais e não mais segurança institucional como o funcionamento dos mercados demanda. 

As eleições são sim uma oportunidade para o país buscar retomar o rumo do desenvolvimento econômico e social, o que pressupõe equacionar a distribuição dos custos dos ajustes econômicos. Mas isso não é automático. É uma construção política. Apostar no retrocesso institucional em nome do reequilíbrio fiscal e do combate à corrupção é uma opção equivocada e uma conta que em parte cabe aos economistas. 

*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
09/06
21:16

O Mercado procura

Ricardo Lacerda
Professor da UFS

Depois do peso argentino, foi a vez do real enfrentar um ataque especulativo.  Ao longo da semana que passou, o real desvalorizou-se 5% (até quinta-feira ) em relação ao dólar,  cuja cotação de venda fechou em 3,925 reais, mesmo diante da forte atuação do Banco Central para estabilizá-la. O ataque encontra-se em pleno andamento, aguardando-se novos lances na semana entrante. 

Pressionado a elevar a taxa básica de juros para conter o ataque especulativo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, declarou que a política monetária,  que define o tratamento a ser dado aos juros, e o câmbio são questões que serão enfrentadas separadamente, ou seja, que a instituição não promoverá elevações na taxa Selic para enfrentar a onda especulativa, como já fez em  episódios especulativos anteriores. E antecipou que o banco central ofertará US$ 20 bilhões em swaps cambiais até sexta-feira,  14 de junho. Quem viver verá, mas muitos apostam que o Banco Central terminará cedendo.

O ataque a moedas de paises periféricos no sistema mundial iniciou-se após a mais recente elevação  na taxa de juros dos títulos do tesouro norte-americano, sinalizando a aceleração do fim do período da política de juros anormalmente baixos que o banco central daquele país adotou depois da crise financeira de 2008. 

Turquia e Argentina foram os primeiros alvos, mas o mercado passou a apontar suas apostas contra o real, visto por muitos analistas como a bola da vez.  A incerteza eleitoral é componente decisivo na instabilidade reinante.

As voltas que o Mundo dá

O Mundo gira, a Lusitana roda. Nas voltas que o mundo dá,  as turbulências politicas se sucedem com frequência intensa desde que o período da grande moderação deu lugar à instabilidade e ao baixo crescimento característicos do pós-2008. 

Seria de grande utilidade que levantamentos exaustivos elaborados por cientistas politicos informassem a frequência de alternâncias de blocos no poder, por via democrática ou não, depois da deflagração da crise financeira internacional naquele ano.

Na Nuestra América, governos de vertente popular, que haviam sido eleitos na esteira das crises cambiais da segunda metade dos anos noventa e que surfaram nas ondas favoráveis do longo ciclo de commodities com cotações favoráveis iniciado nos primeiros anos do novo século, foram varridos do poder, por via eleitoral ou não, depois que a crise econômica se aprofundou no subcontinente a partir de 2013; no Chile, na Argentina, no Equador, no Paraguai, no Brasil e em repúblicas centro-americanas.

No momento atual, governos que contaram com amplo apoio do mercado, essa entidade aparentemente abstrata, mas que sabe defender como poucos, de forma muito concreta, seus interesses e pontos de vista, como Maurício Macri, na Argentina, e Michel Temer, no Brasil, enfrentam ondas de descontentamento popular.   


Orfandade 

No Brasil, o ocaso do governo Temer é melancólico e frustra, mais do que a parcela da população que foi às ruas pelo afastamento de sua antecessora, os fiadores da transição para o novo governo em 2019. 

Claro que não foi só o mercado o fiador do projeto de transição entre o governo afastado e o novo mandato presidencial; foi uma aliança maior, cuja abrangência fique mais bem delimitada sendo definida como o establishment, que atualmente se ocupa em  buscar construir uma alternativa eleitoral a partir do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sempre precioso na sua criatividade em dourar a pílula, denominou de o Centro Democrático e Refomista.

A paralisação dos caminhoneiros instalou a percepção  de falta de rumo no país, que é agravada pelas incertezas em relação à disputa presidencial em outubro próximo.  

O chamado Mercado se sente órfão de candidato com efetivas chances eleitorais que tenha compromisso com a estabilidade fiscal; em outras palavras, que seja capaz de implementar as reformas que afastem os riscos de crescente descontrole fiscal.

Diante da dificuldade da candidatura do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckimin deslanchar, o mercado está em busca frenética de alternativas eleitoralmente viáveis.

O mercado já namorou as candidaturas de outsiders do mundo político, como  o apresentador de TV Luciano  Huck e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, mas que já foram descartadas. 

Na falta de opção de um candidato que defenda medidas de austeridade   que vêm sendo massivamente rejeitadas pela população mas que tenha potencial eleitoral, lideranças associadas ao establishment  buscam sondar e tentar arrancar  compromissos de presidenciáveis tidos por elas proprias como populistas. 

No momento, essas lideranças estão se acercando da candidatura de Ciro Gomes, que, todavia, mesmo afirmando compromisso com o ajuste fiscal duro,  mantém o discurso desenvolvimentista, o que causa forte reação contrária  na turma vinculada ao setor financeiro e rentistas.
 
 
 


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
03/06
18:18

Fracassou o Plano de transição, mas a demissão de Pedro Parente pode zerar o jogo

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

Sob qualquer perspectiva adotada, o Plano Temer-Meirelles fracassou e o Brasil se encontra órfão de projeto de transição para o novo governo que assumirá em 2019. O fracasso foi geral: econômico, político e social. A paralisia de norte ao sul do país durante uma semana, provocada pela mobilização dos caminhoneiros, apenas cristalizou para a ampla massa da população a percepção de que nos espera um cenário de débil recuperação da atividade econômica, insuficiente para encerrar o período já demasiadamente longo de elevadas taxas de desocupação e de penúria social.

Ainda que a mútua alimentação das causas econômicas e políticas da crise brasileira sempre suscite a indagação sobre o que surgiu primeiro, atualmente não restam dúvidas de que a instabilidade política e a insegurança jurídica constrangem as possibilidades de recuperação econômica. Pairam incertezas até mesmo sobre as condições e as regras em que serão realizadas as eleições gerais marcadas para outubro próximo. Se há uma ilusão que se desvaneceu ao longo do 1º semestre de 2018 foi a de que a economia e a política seguiriam descoladas até o final do atual governo, aguardando o desenlace das eleições. 

Pontes em ruína
Para ser justo, o fracasso não é propriamente da dupla Temer-Meirelles e sim do projeto de transição que respaldou o afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff dois anos atrás e que buscou se legitimar na promessa de entregar para o novo governo que assumisse em 2019 o país pronto para dar partida a um novo ciclo de crescimento, que se acreditaria responsável e sustentável fiscalmente. Era o que pretendia acenar o documento Uma Ponte para o Futuro. Por circunstâncias diversas, domésticas e externas, não vai entregar o prometido. O governo que assumir em 2019 vai ter que construir suas próprias bases de legitimidade e encontrar as forças que possam retirar a economia da armadilha de baixo crescimento e agravamento do quadro fiscal. 

Restou a sensação de que, além dos atropelos causados pelas denúncias de desvio contra a cúpula do poder federal, o plano de transição engendrado subestimou os riscos de esgarçamento do tecido social. A apresentação da carta de demissão de Pedro Parente à presidência da Petrobras, na última sexta-feira (01/06/2018) talvez seja a melhor síntese desse momento, de fracasso da transição e da rejeição por parte da população à falta de sensibilidade política e social com que ela foi conduzida. 

Contraditoriamente, com ela abre-se com uma oportunidade, mesmo que tênue, de construir um novo pacto para a transição do país, em bases mais realistas e menos excludente na questão social. Cabe reconhecer, todavia, considerando a amplitude das diferenças políticas estabelecidas, o imbróglio jurídico-policial em que se encontra a classe política, além da miopia prevalecente, que a probabilidade maior é de continuarmos imersos na pasmaceira, sem falar que o risco de uma solução por cima não está afastado.  

PIB e emprego
Os dados mais recentes do nível de atividade econômica e de geração de emprego confirmaram a desaceleração do ritmo de recuperação da economia, configurando um cenário de crescimento muito lento do PIB e de baixa capacidade de geração de postos de postos de trabalho. 

Do ponto de vista do emprego, dois pontos chamam a atenção na edição de abril da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar: o primeiro é que, até o trimestre fevereiro-abril de 2018, o emprego com carteira de trabalho no setor privado continuou caindo, ou seja, nem mesmo encontrou seu ponto de estabilização, na média de doze trimestres móveis; o segundo é que as formas alternativas de ocupação, como as atividades por conta própria, vem apresentando desaceleração na taxa de crescimento.  

O resultado do PIB do 1º trimestre confirmou indicadores parciais que mostravam a retração no ritmo de crescimento do nível de atividade econômica. Na comparação com o 4º trimestre de 2017, na série livre de efeitos sazonais (ver Gráfico 1), o crescimento do PIB se limitou a 0,4%, atribuído em sua quase plenitude ao aumento da agropecuária, porquanto as atividades industriais e de serviços se mantiveram estagnadas.  

Do ponto de vista dos dispêndios, o desempenho dos investimentos (FBCF) foi decepcionante, o consumo do governo continua declinando e o consumo das famílias vem se apresentando aquém do esperado. 

A série que compara com igual trimestre do ano anterior (Gráfico 2) mostra com mais clareza a inflexão do ritmo de crescimento do PIB trimestral. Nessa série, o consumo das famílias confirma-se como o principal sustentáculo de crescimento, ainda que modesto, da economia. 



*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe
 


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/05
13:21

Estamos sentados em um paiol de pólvora?

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe
 
Sim e não. Há sim uma insatisfação generalizada entre a população pobre e uma grande frustração da classe média que apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas a probabilidade que o atual cenário de desalento conforme um quadro de convulsão social de grandes proporções ou que ocorram manifestações gigantes de rua, como em 2013 e em 2016 (tipicamente mobilizações de classe média) ainda é relativamente baixa. 
 
A greve dos caminheiros, com o suporte de locaute das transportadoras, paralisou, em um pouco mais de 24 horas, o país de Norte a Sul. O impacto sobre o suprimento de combustíveis, de alimentos e de componentes para as linhas de produção de atividades industriais foi quase que imediato. Direta e indiretamente todos os principais modais de transporte foram afetados; seja por conta da falta de combustíveis, seja por dificuldade de acesso, a operação de portos, aeroportos e rodovias foi prejudicada. Nos centros urbanos, as redes de postos de combustíveis, supermercados e centrais de abastecimentos não tardaram a ser afetadas por problemas de suprimento.
 
A possibilidade de desabastecimento, mais do que o desabastecimento em si, não chegou a provocar pânico, mas gerou um frenesi que se alastrou feito pólvora, em uma velocidade espantosa, mobilizando a atenção de toda a população. Apesar dos constrangimentos e desconfortos causados, a maioria da população, aparentemente, foi simpática à paralisação, como se os protestos dos caminhoneiros em relação às seguidas elevações nos preços do diesel traduzissem a insatisfação generalizada da população, que foi amplificada nas últimas semanas em razão dos aumentos quase diários nos preços da gasolina. Pairou um sentimento de catarse coletiva, como que cristalizando a insatisfação generalizada com os rumos do país. 
 
Onda de insatisfação
Sob certo sentido, havia uma percepção de que uma onda de insatisfação com a crise econômica, com tudo que ela vem representando de desemprego e perdas de rendimento, com milhões de famílias sem alternativas de renda, poderia estourar a qualquer momento, para além da espiral de violência urbana que presenciamos. Nem o mais desavisado dos cidadãos deixou de perceber que as ruas das cidades médias e grandes se encheram nos últimos dois anos de biscateiros, de vendedores de balas, frutas e legumes e de malabaristas e flanelinhas nos semáforos. 
 
Ainda que improvável, a onda de insatisfações poderia ter surgido como convulsão social, brotada por meio de saques a supermercados e feiras livres, invasões em massa de prédios abandonados ou imolações públicas, a exemplo do que aconteceu na Tunísia em 2011, ainda que essa última não seja uma modalidade de protesto encontrada no hemisfério ocidental. Ou por meio de ações de setores mais estruturados, como greves gerais de trabalhadores ou, como se deu, a partir de paralisação dos caminhoneiros e transportadoras. Ou ainda, por meio de nova rodada de manifestações de rua. 
 
Não dá nem mesmo para afirmar que a mobilização dos caminhoneiros antecipe ou vá se desdobrar em outros movimentos de reinvindicação ou de protesto, mas a alma dos brasileiros está plena de insatisfações, ainda que não pareça que esteja pronta para explodir como um barril de pólvora.
 
Juros, câmbio, óleo e eleições 
Em um cenário de penúria e desalento da população pobre e de frustração e de queda do poder de compra de amplas parcelas da classe média, por um período que já se estende por mais de três anos, novos fatores negativos estão se sobrepondo e podem ser sintetizados em quatro elementos básicos: juros, câmbio, preço do barril de petróleo e instabilidade política interna. 
 
A expectativa de elevação da taxa de juros básicas dos EUA provocou desvalorização generalizada das moedas dos países periféricos e pôs em perspectiva dificuldades crescentes para as economias desses países se financiarem externamente. Desvalorização cambial e elevação dos juros externos impactam diretamente o endividamento em dólar de empresas brasileiras e podem gerar algum impacto sobre os preços internos, ainda que a recessão venha cuidando de manter os preços bem comportados. 
 
Brent
A cotação do barril de petróleo vem em uma espiral ascendente desde maio do ano passado por conta de acordo entre alguns dos principais países fornecedores para limitar a oferta mundial. Mais recentemente, a ameaça de que os EUA rompa unilateralmente o acordo internacional de controle do programa nuclear do Irã, o que pode alijar a oferta desse país do mercado, trouxe novo impulso aos preços, de forma que a cotação do barril do brent esteja se aproximando celeremente de US$ 80. 
 
Diante da política de preços adotada pela Petrobras de repassar imediatamente para os preços as variações da cotação do produto no mercado internacional corrigidas em reais pelas oscilações diárias do câmbio, o preço médio da gasolina ao consumidor subiu algo em torno de 18% desde julho de 2017. Quando, recentemente, o preço do litro de gasolina na bomba ultrapassou cinco reais em algumas cidades o sinal de alerta acendeu, patenteando que algo não ia bem com uma politica de preço que implica remarcações para cima quase diárias.
 
A nova política da Petrobras para os preços dos derivados de petróleo talvez não se sustente por muito tempo. Assim como o controle político do preço trouxe diversos prejuízos à empresa e consequências duras para o país, a modalidade de liberação adotada, acoplando os preços internos de forma imediata e sem mediação aos preços internacionais corrigidos pelo câmbio causa forte instabilidade e imprevisibilidade. Ficou patenteado que o sistema adotado pela Petrobras não se adequa à realidade de um país sujeito a fortes oscilações no câmbio.  
 
Finalmente a forte e prolongada crise política interna, que a permanência do ex-presidente Lula na prisão somente agrava, é o ultimo e talvez o mais importante, ingrediente do cenário de instabilidade que toma conta do país.

 
Extraído de https://br.investing.com/commodities/brent-oil-historical-data
 
*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Eugênio Nascimento
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