19/07
10:04

Currículos informais de faculdades de direito

Afonso Nascimento - Professor de Direito da UFS

No meio universitário brasileiro, as faculdades de direito são os espaços em que mais predominam o formalismo. Nós somos assim: é doutor aqui, é data vênia ali, e assim por diante. Temos professores que dão aulas de paletó e gravata, geralmente indo ou vindo do emprego jurídico principal.


Nesses ambientes de tradição e de formalismo que são as faculdades de direito, existem dois currículos, um formal e outro informal. O currículo formal é aquele determinado pelo MEC, com os ajustes pontuais feitos pelas faculdades e tornado lei através de sua aprovação pelos conselhos superiores das instituições de ensino. Já o currículo informal corresponde ao conjunto de atividades de professores e de estudantes que não estão presentes no currículo formal e que são fundamentais na transformação dos aprendizes em bacharéis em direito.  Dizendo de outro modo, não é apenas a socialização dos estudantes baseada no currículo formal que é responsável pela construção dos especialistas em direito. Indo àquilo que interessa, quais são as principais atividades do currículo informal passadas numa faculdade de direito?


Podemos dizer que tais atividades curriculares informais passam pela interação entre professores e estudantes dentro e fora das salas de aulas, bem como entre os próprios estudantes. No caso dos professores, um tipo de atividade curricular informal tem a ver com as ocasiões em que eles comentam a conjuntura jurídica para os estudantes, passando para eles, então, seus pontos de vistas sobre o que está acontecendo. Nessas ocasiões eles transmitem e reforçam suas visões de mundo já expressas quando interpretam as leis e códigos para os estudantes. Eles poderiam se abster de fazer tais comentários, mas não o fazem – coisa que, aliás, não é exclusividade dos meios acadêmicos jurídicos.


Os professores de direito são majoritariamente oriundos de profissões jurídicas. Não são só professores. Muitos são ministros de tribunais superiores, outros são desembargadores e juízes, promotores federais e estaduais, advogados de firmas privadas etc. O magistério jurídico é a segunda profissão. Trazem por conta dessa primeira prática profissional experiência acumulada ao longo de suas carreiras em diversos postos jurídicos. Em salas de aula, servem-se dessa experiência profissional para relatar muitos casos e fatos de que fizeram parte, de que foram testemunhas ou de que simplesmente tomaram conhecimento. Esses relatos não estão necessariamente ligados aos temas registrados no currículo formal, mas são muito apreciados pelos estudantes e são fontes de prazer para os professores que falam do alto de sua experiência – experiência que é muito valorizada nos processos seletivos docentes. Eles, os relatos, também são parte do currículo informal.


Não é incomum professores convidarem estudantes para estagiar em seus gabinetes e em seus escritórios em condição remunerada ou não. Hoje em dia são realizados processos seletivos para essas posições de estagiários, embora isso não seja generalizado. Com esse tipo de relação estabelecida, ocorre com frequência a prática do nepotismo e do clientelismo. Os beneficiários desses estágios e assessorias conseguem um bom “empurrão” em termos de seu futuro profissional.


Uma outra prática do currículo informal, que reforça desigualdades, acontece quando os professores reconhecem nas suas turmas pessoas em função de sua origem familiar ou de classe social. São pares reconhecendo pares. Não existe nada demais o professor identificar na lista de estudantes filhos ou parentes de colegas seus, pois, afinal, existem muita tradição de netos, pais e avôs seguiram profissões jurídicas na família.


Quando ingressam nas faculdades de direito, os estudantes levam consigo suas visões de mundo – da mesma que forma que seus futuros professores, com a diferença de que estes já estão formados, são adultos, por mais jovens que sejam. Não começam os estudos universitários como uma folha de papel em branco. Eles trazem noções de certo e de errado, de justo e injusto, lícito e ilícito, entre outras, aprendidas em suas famílias, suas escolas e suas religiões. Também carregam consigo noções da cultura jurídica popular adquiridas através dos diversos meios de comunicação de massas.


Se os estudantes são filhos, têm parentes ou amigos de seus pais inseridos no mercado jurídico do trabalho, é muito possível que tragam informações da cultura jurídica erudita ou oficial. Dependendo de sua faixa etária, podem ter feito concursos públicos que tenham exigido noções da cultura jurídica oficial. Quando possuem pais e parentes integradas nas repartições jurídicas, práticas nepotistas os ajudam a penetrar em espaço jurídico paralelo ao de suas faculdades.


Durante a temporada que passam nas faculdades de direito, muitos são os estudantes que se envolvem em atividades de representação dos colegas junto aos órgãos colegiados de suas escolas e de suas universidades. Por conta disso, aprendem muito cedo a redigir petições, a dar pareceres, a fazer despachos, a sustentar oralmente demandas de seus colegas – independentemente dos estágios curriculares oficiais. Geralmente, mas nem sempre, esses estudantes se engajam em atividades dos diretórios ou centros acadêmicos, daí resultando a participação em reuniões estaduais, regionais e nacionais de associações estudantis de direito, bem como o aprendizado de conduzir assembleias estudantis, de organizar júris simulados, debates, encontros e seminários jurídicos para os próprios colegas ou ainda a prática de extensão jurídica universitária, com o que lidam com casos concretos de conflitos jurídicos.


Todas essas práticas curriculares informais de professores e de estudantes nos levam a concluir que eles possuem uma considerável relevância na formação dos futuros bacharéis em direito. Embora muitas dessas atividades não apareçam nos currículos formais nem nos históricos de avaliações escolares dos estudantes, elas são muito importantes e dão a certeza de que o conjunto de habilidades adquiridas durante o período escolar possa ser bem desigual segundo as práticas curriculares dos estudantes. Isso indica que, se a influência dos professores é bem maior, também há espaço para que os estudantes façam do aprendizado jurídico não uma trilha de mão única, mas dupla, dando-lhe uma dimensão de ação recíproca.       (Publicado originalmente no Jornal da Cidade)



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
07/07
12:28

O Bar de "Burguesia"

Afonso Nascimento - Professor de Direito da UFS

 

 

 

 

Burguesia foi o apelido que colou em Gilberto Teles Menezes, um comunista sergipano que faleceu na primeira metade dos anos 1990. Fazia parte do grupo de comunistas nascidos na classe trabalhadora, no período anterior ao golpe militar de 1964. Como esse apelido pegou nele se ele era integrante das classes populares sergipanas? Segundo seu filho Edilberto Menezes, seu pai era um conhecido comunista que, sempre que passava pela rua João Pessoa na década de 1960, um grupo de pessoas o chamava "comunista", o que a isso ele respondia rotulando àquela gente que sabia que ele tinha sido preso de "burguesia". O tempo passou e os provocadores terminaram por achar mais engraçado apelidá-lo de "burguesia", rótulo que nunca mais se descolou dele.

 


Burguesia tinha baixíssima escolaridade. Não conseguira concluir o primário. Ainda assim, teria desenvolvido o hábito da leitura. Aparentemente, conhecia bastante da literatura brasileira e mundial. O seu nascimento ocorreu em São Cristóvão em 1919 ou 1920. Sua esposa era dona de casa e funcionária pública e não punha restrições à sua militância política clandestina.
 Os amigos de seu marido sempre eram bem-vindos em sua cas.

 

 
Teve três filhos, os quais teriam se integrado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), não por influência do pai, mas através de comunistas que eles conheceram. Agamenon Araújo foi, por exemplo, quem levou Edilberto à Juventude Comunista local, o qual, por sua vez, tinha sido iniciado por Wellington Mangueira. Isso deve ser verdade, porém já havia uma predisposição familiar a um eventual pertencimento ao "partidão".

 

 
Burguesia, ainda muito jovem, mudou-se para Aracaju, cidade em que ocupou diversos empregos como trabalhador não qualificado. Durante o governo de Leandro Maciel, por obra desse político udenista, tornou-se funcionário público estadual, trabalhando como porteiro num entreposto em que o algodão era guardado antes de seu embarque para exportação no porto de Aracaju. Nesse emprego público sem concurso, coisa mais do que comum naqueles tempos, ficou até o golpe militar de 1964, quando foi aposentado pelos militares, dessa aposentadoria resultando uma pequena pensão. Mais tarde, foi contratado pelo Instituto Brasileiro do Café (IBC), numa ocupação igualmente precária.

 


Engajou-se no "partidão" entre os anos 1930 e 1940. Conheceu a prisão diversas vezes. Participou da manifestação popular que, 1948, protestou contra a ilegalização do PCB durante o governo do general Dutra e da qual resultou a morte do operário Anísio Dário. As suas principais prisões ocorreram, primeiro, em 1952, quando teve lugar o desmantelamento de todos os aparelhos do PCB em Sergipe. Foi interrogado mas não foi torturado. Com o golpe de 1964, Burguesia foi preso novamente e por duas vezes. Num primeiro momento, escondeu-se em casas de parentes e de amigos, depois decidindo voltar para casa e esperar que militares viessem buscá-lo.


E eles de fato chegaram num jipe ocupado por um sargento e dois soldados e dirigiram a viatura com outro passageiro para o quartel do 28 BC. Após a sua partida, a sua mulher se encarregou de fazer uma grande fogueira com todos os seus livros e materiais partidários comprometedores – já que aqueles que prenderam seu marido não fizeram uma varredura na casa. Nessa primeira prisão ficou pouco tempo no quartel. Na segunda vez, o seu encarceramento foi mais demorado, lá permanecendo cerca de sessenta dias. Durante esse período, sua mulher e seus três filhos iam visitá-lo no improvisado xadrez militar. O que os militares queriam saber dele? O habitual  "quem é quem" entre os presos, isso também valendo para ele. Uma vez mais não foi torturado.

 


Ele teve então a oportunidade de dizer aos seus interrogadores que sua ocupação no "partidão" era de arrecadador de fundos para financiar as atividades do PCB em Sergipe. Para cumprir essa tarefa, mensalmente, visitava casas e mais casas de membros e simpatizantes da organização clandestina em Aracaju, recolhendo contribuições. Depois dessa última prisão, as suas atividades como militante parecem ter diminuído, disso sendo um indicador o fato de não ter sido preso em 1976. Mesmo assim, continuou a fazer parte do grupo de velhos camaradas.

 


Foi através de um desses antigos companheiros que, na primeira metade dos anos 1970, foi convidado para assumir a direção de um bar que tinha sido montado na praia de Atalaia, ao lado direito do que é hoje um restaurante de uma rede de fast-food norte-americana (e que fora antes lugar dos restaurantes O Vaqueiro e de O Tropeiro, respectivamente). Esse bar tinha administrado antes por alguém de nome Carrinho, mas não dera certo. A ideia do bar tinha sido de Marcélio Bonfim, um alto escalão do PCB.

 


Recorrendo à nossa memória, o bar era bem simples, não possuía nada demais: tinha mesinhas e bancos ordinários, servia caranguejo cozido com água do mar, pedacinhos de carne do sol, caipirinha, cuba libre (um drinque muito popular que misturava Coca-Cola, rum Montilla, rodela de limão e gelo), etc. Não se sabe como, mas, de repente, o bar de Burguesia se tornou o local mais procurado da Atalaia por estudantes universitários, professores, jornalistas, políticos e candidatos a futuros políticos, etc. Era tão grande a sua procura que, não cabendo tanta gente no espaço interior do bar, as pessoas ficavam do lado de fora encostadas nos carros estacionados em frente ao estabelecimento, em altos papos que varavam a madrugada.

 


O bar de Burguesia teria sido pensado supostamente para ser uma "célula" do PCB. Se foi, é difícil de afirmar. Policiais federais também rondavam o bar da moda, mas nunca houve incidentes. Naqueles tempos de começo de abertura política do regime militar, o bar do velho comunista ficou famoso especialmente por um drinque que era servido, ou seja, uma caipirinha com vodca que algum estudante universitário resolveu chamar de Kepler, o nome de um físico polonês que nada tinha a ver com nada, a não ser talvez o fato de a Polônia comunista pertencer ao Pacto de Varsóvia e que a vodca ser a aguardente mais tomada nos países do Leste Europeu naquela época e ainda hoje

 



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
14/06
09:46

O grande timoneiro do MDB sergipano

Afonso Nascimento - Professor de Direito da UFS

 

Recentemente falecido, José Carlos Mesquita Teixeira nasceu em Aracaju na segunda metade dos anos 1930 do século passado, mas foi registrado como natural de Itabaiana, terra de sua mãe e de seu pai. Sua mãe tinha o segundo grau e tocava piano, enquanto seu pai não conseguiu concluir o primário e foi mais um exemplo do self-made man da cidade serrana. Oviedo Teixeira foi um novo rico, muito rico integrante da burguesia comercial sergipana.

Enquanto criança e adolescente José Carlos Teixeira frequentou algumas das melhores escolas sergipanas e uma escola de elite de Salvador, o Colégio Marista. Voltou a Aracaju porque não se adaptou às regras da escola, à sua comida e ao fato de os diretores dessa tradicional instituição baiana não permitir que ele fizesse uso de seu piano. Em solo sergipano, concluiu o curso de técnico em Contabilidade. Bem mais tarde, ele fez curso superior em Ciências Contábeis e  sua esposa estudou Pedagogia em Brasília.

José Carlos Teixeira foi um amante da música clássica, a música dos grandes mestres. Naturalmente, esse gosto veio da parte de sua mãe, pois o seu pai sempre foi um comerciante desde criança. Não tinha capital cultural desse tipo para lhe passar, mas lhe permitiu nascer como um menino rico. Aprendeu a tocar piano com sua mãe e com outros professores de Aracaju. Era elitista e não gostava de música popular. A sua paixão pela música clássica e pelas artes em geral fez dele um político diferente da maioria da classe política brasileira.

Foi um empresário ligado ao comércio de automóveis, segundo documento oficial da Câmara de Deputados. Em Brasília, tinha uma empresa gráfica que trabalhava para o Senado. Em razão disso, ocupou cargo importante no Sindicato das Indústrias Gráficas e foi diretor da Federação das Indústrias Gráficas de Brasília de 1974 a 1982. Todavia, a seu  principal métier foi o de político profissional.

O seu interesse pela política veio de sua família. Seu pai gostava de política. O tio de seu pai, Antônio Oviedo Sobrinho, fez política em Itabaiana até os anos 1930. O seu tio Silva foi prefeito de Itabaiana e deputado estadual com vários mandatos e presidente da Assembleia Legislativa. Assim, nada mais natural que se envolvesse na política. Em sua trajetória, foi deputado federal por quatro vezes e pertenceu ao conservador PSD, depois ao MDB durante o regime e, por fim, ao PMDB. Ainda na política, foi prefeito biônico de Aracaju por sete meses, nomeado pelo político dos militares João Alves Filho, de quem também foi vice-governador. Ocupou outros postos políticos por indicação política como secretário de Estado da Cultura de João Alves Filho, a direção de captação da Caixa Econômica Federal e participou de diversos conselhos.

Nunca foi um político de esquerda,  nem de centro esquerda, mas um liberal de boa linhagem. Enquanto político nunca foi incluído por ninguém  na lista dos “autênticos” do MDB. O seu trabalho mais importante como político foi, a partir de 1966, fundar e presidir o MDB durante o regime militar sempre de forma firme e equilibrada e fez o mesmo com o PMDB  em 1979. O MDB sergipano era uma frente heterogênea composta por alguns políticos de esquerda ligados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), alguns liberais e uma porção deles que poderiam estar bem à vontade na ARENA, o partido da ditadura militar. Ulysses Guimarães foi uma espécie de José Carlos Teixeira sergipano para o Brasil. Foi o seu grande timoneiro.

Com o golpe militar de 1964, muitos sergipanos foram presos, no meio dos quais estavam comunistas e não-comunistas. Ele se lembra dos seguintes presos nas visitas de solidariedade que fez à "colina": Alencarzinho, Vianna de Assis, os dois irmãos Maia de Propriá, Chico Varela, etc. A maioria dos presos por ele identificada fazia parte da cúpula do PCB em Sergipe.

De acordo com ele, muita gente foi presa injustamente. Entre as razões para isso, ele cita “problemas de ordem pessoal, despeito, mediocridade”. A duração das prisões no 28 BC variava dependendo do caso. Alguns ficavam poucos dias e em seguida eram libertados, enquanto outros lá permaneciam por mais tempo. José Carlos Teixeira ia visitar esses presos políticos ou na sexta-feira ou na segunda-feira. Nessa época era deputado federal pelo PSD. Para José Carlos Teixeira, as prisões de 1976 foram mais duras, ocasião em que, por conta de torturas, o militante comunista Milton Coelho perdeu a visão.

Segundo José Carlos Teixeira, as prisões de 1976 se deveram ao fato de pessoas tentarem reorganizar a sociedade depois do fracasso da luta armada e fazerem isso na clandestinidade. Essas pessoas pareciam ignorar que Sergipe era uma “terra de muro baixo, (onde) todo o mundo sabe quem é quem, o que faz e o que não faz”. O grande timoneiro do MDB é sempre lembrado por ter feito discurso na Câmara de Deputados denunciando tais prisões e torturas encabeçadas por militares da "linha dura" que não queriam o fim da ditadura.

Não terminaremos este pequeno texto sem destacar o importante papel de José Carlos Teixeira enquanto membro e presidente da Sociedade de Cultura Artística de Sergipe (SCAS). Essa instituição sem fins lucrativos tinha sido fundada pelo antropólogo Felte Bezerra e era dedicada à promoção das artes e da cultura em geral, numa sociedade que era um deserto cultural. Somente o trabalho desse homem de cultura à frente da SCAS merece um artigo em separado para registrar os seus esforços pessoais enquanto promotor cultural, juntamente com outras figuras como Bonifácio Fortes, Alberto Carvalho, Ivan Valença, Djaldino Mota Moreno, José Silvério Leite Fontes, entre outros. Além da SCAS, José Carlos Teixeira também foi fundador da Aliança Francesa de Aracaju.

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Texto construído a partir de entrevista inédita José Carlos Teixeira concedida em 2002 ao vice-reitor da Universidade Federal de Alagoas, José Vieira da Cruz, que gentilmente nos permitiu acessá-la. 

Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
09/06
12:52

Dom Brandão de Castro: do assistencialismo ao engajamento

Afonso Nascimento  -  Professor de Direito da UFS

 

Foi-se o tempo em que brasileiros tinham respeito e admiração por bispos e padres que tomavam partido não retórico contra injustiças sociais e contra situações de opressão que ocorriam no campo e nas cidades do país. Homens de fibra como dom Helder Câmara, dom Pedro Casaldáliga, dom Evaristo Arns, entre outros, faziam denúncia de violações dos direitos humanos cometidas pelo regime militar, bem como por indivíduos e instituições da sociedade civil. Eram pessoas com compromisso com valores do cristianismo e com as declarações dos direitos humanos. Além dos nomes da lista incompleta acima, incluiremos dom José Brandão de Castro, o primeiro bispo da Diocese de Propriá, o que significa dizer bispo da região do Baixo São Francisco, ontem e hoje o maior bolsão de pobreza de Sergipe.

 

Foi um bispo que chegou a Sergipe em 1962, proveniente de Minas Gerais e que trabalhou com dois arcebispos de Aracaju, a saber, Dom José Vicente Távora e dom Luciano Duarte. O bispo mineiro tinha nascido numa família classe média e nunca escondeu que era anticomunista. Apoiou golpe militar de 1964, celebrou missa e fez marcha para comemorar a ruptura democrática que ocorria no país. 

 

Na sua diocese recém-fundada, fez visitas a diversas cidades e a povoados e concluiu que ali vivia uma população católica mas quase sem nenhuma instrução religiosa. Esse foi o perfil construído por ele. Para poder realizar o seu trabalho, concluiu, tinha um problema principal para resolver: a sua diocese não tinha quadros religiosos com os quais trabalhar junto ao seu rebanho de miseráveis. Além de criar um seminário, buscou na França e na Bélgica padres e freiras que desejassem vir trabalhar em Sergipe como missionários, no grupo dos quais também incluiu católicos leigos dos dois países. Não muito mais tarde, ou quase ao mesmo tempo, também aqui aportaram freiras e padres brasileiros. Foi assim que, com equipe formada, dom Brandão lançou-se ao trabalho de bispo que lhe fora destinado por seus superiores hierárquicos.

 

Para que se tenha uma ideia da grande presença de padres estrangeiros na Diocese, apresentamos aqui alguns de seus nomes: Paul Lebeau, Nestor Mathieu, Guido Michel Dessy, Gérard Olivier, Claude Philippe, Domingo Pulgiz, Jean Sielski, Henri Kuleska, Henri Tomazzewski, etc. Também chegaram à conservadora Propriá as voluntárias estrangeiras como Anita Nissink e Monica Poncin, etc. Essas pessoas do velho continente passaram a viver o cotidiano do povo da região e, de respente, pareciam sertanejos e ribeirinhos pobres que falavam uma língua que não era o francês da Bélgica e da França, mas o sergipanês em conflito com a gramática e o dicionário do Brasil. Seríamos injustos se negássemos a importância dos padres brasileiros nesse trabalho de engajamento político, alguns dos quais mais tarde se tornaram políticos.

 

Dom Brandão não era o que se poderia chamar de um bispo progressista, embora frequentasse encontros nacionais e internacionais de grupos religiosos ligados à Teologia da Libertação. A sua prática era o assistencialismo religioso tão comum ao Brasil de ontem e de hoje - e muito semelhante ao assistencialismo que fazem as secretarias municipais e estaduais de assistência social pelo país afora. Com uma diferença: enquanto o assistencialismo religioso busca o controle sobre as "almas" do rebanho, o assistencialismo político não quer senão o controle dos votos dessa população. E não é raro que os dois assistencialismos se juntem, como foi muito comum na maior parte da história do Brasil.

 

Tradicionalmente, em Propriá e outras cidades da mesma região, os religiosos católicos tinham uma aliança mais do que explícita com os grupos políticos e econômicos dominantes. De acordo com um certo relato, as chaves da casa paroquial, da igreja, entre outras, ficavam sob o controle desses grupos civis. Dada tal imbricação, a igreja não passava de uma extensão dos interesses políticos e econômicos dos mandões da região.Aos poucos, porém, esse quadro vai sendo modificado com a atuação dos times de trabalho de dom Brandão, que se estabeleceram em Comunidades Eclesiais de Base em 1971 e que passaram a incomodar os poderes estabelecidos locais.

 

Em nossa opinião, isso pode ter tido a ver com o fato de os religiosos estrangeiros não terem vínculos com os grupos dominantes locais, bem como, de certa forma, o fato de Dom Brandão também ser um "estrangeiro", ou seja, não sergipano. Começou a haver uma certa autonomia dos religiosos em relação aos poderosos da região e, por conseguinte, com o regime militar em Sergipe. No ano de 1966, dom Brandão foi chamado a depor na Polícia Federal diversas vezes. Como resultado disso, é nesse ano que ocorre um certo distanciamento dos religiosos da Diocese de Propriá com o regime militar. Mas foi no caso da Fazenda Betume que a grande ruptura teve lugar. Segundo as palavras do próprio Dom Brandão, "não resta dúvida que foi o caso do Betume que abriu meus olhos". Depois desse caso, dom Brandão passou abertamente a fazer a sua opção preferencial pelos pobres, abandonando práticas de assistencialismo por aquelas de engajamento religioso ao lado dos trabalhadores rurais. 

 

Foram esses os principais conflitos - que quase exclusivamente giravam em torno da terra - em que se envolveram dom Brandão e suas equipes:  o caso da ocupação da Cooperativa Camurupim, onde trabalhavam padres belgas, na qual a Polícia Federal fez buscas, sem explicar as razões para isso, apenas revelando tratar-se de problema de segurança nacional no ano de 1973; o caso da agressão ao frei Roberto Eufrásio, que foi agredido fisicamente pelo filho do dono da Fazenda Araticum, em 1974; o caso da Fazenda Betume, comprada pela CODEVASF, empresa federal que não pagou indenização a posseiros e agregados da terra; o caso do povo indígena Xocó em 1978; o caso dos camponeses de Santana dos Frades; o caso dos moradores do povoado Ilha do Ouro em 1980. Por engajar-se nessas lutas do lado dos trabalhadores, o bispo e seus seguidores receberam críticas e ações de solidariedade da parte de religiosos e civis, dentro e fora de Sergipe. Não se pode esquecer que essas batalhas começaram no governo do general Médici e entraram no governo do general Figueiredo e que o uso da violência – até mesmo dentro da Igreja! – não faltou.

 

Por conta de sua ação ao lado de trabalhadores rurais, índios e quilombolas, dom Brandão foi chamado por autoridades federais de "inocente útil", o que significava dizer que ele não era comunista. Enquanto dom José Vicente Távora esteve vivo, ele contou com o apoio do arcebispo de Aracaju. Com a sua morte em prisão domiciliar na Cúria, o posto do religioso cearense passou a ser ocupado por dom Luciano Duarte, aliado dos militares, que lhe retirou suporte e passou a trabalhar, com sucesso, para fazer expurgos dos padres estrangeiros. É aqui que a Polícia Federal começa a colocar dificuldades para a renovação dos vistos de permanência no país dos padres estrangeiros e têm início as pressões para retirar dom Brandão de Sergipe. Então, de "inocente útil", o bispo mineiro que tinha feito sua carreira em solo sergipano, recebeu a alcunha de "comunista", agressão também feita por dom Luciano Duarte.

 

Religiosos que, em diversas ocasiões, dividiram dormitórios improvisados com dom Brandão testemunharam pesadelos do bispo mineiro que gritava "Dom Luciano, eu sou comunista!" Para um anticomunista como ele ser chamado de comunista parecia algo equivalente a ato de tortura moral. Dom Brandão não suportou as pressões de religiosos (Núncio Apostólico no Brasil, dom Luciano Duarte, etc.) e de autoridades do regime militar e, finalmente, em 1987 renunciou ao seu posto na Diocese de Propriá e voltou para as suas Minas Gerais. Com a sua partida, a Igreja Católica sergipana vem se arrastando através do velho assistencialismo e perdendo seguidores no mercado da fé.

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Esse texto está baseado livremente na dissertação de mestrado de Isaias Carlos Nascimento Filho, intitulada “Dom Brandão, o profeta do povo de Deus do Baixo São Francisco”, a qual foi defendida na Universidade Católica de Pernambuco no ano de 2012.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
31/05
22:42

Setransp desmente validação da meia passagem aos domingos

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) declara que não procede a informação que representantes do sindicato tenham se reunido com os vereadores Seu Marcos e Isaac Oliveira para tratar sobre a validação da meia passagem aos domingos, nem muito menos que tal gratuidade já estará em vigor em Aracaju, como eles divulgaram. 

A medida depende de regulamentação e esta não aconteceu, já que se limita a Aracaju e o transporte na capital faz parte de um sistema integrado com mais três cidades da região metropolitana. O Setransp ressalta ainda que essa temática envolvendo a ampliação de gratuidades no transporte coletivo, promulgada como lei pela Câmara de Vereadores, foi vetada anteriormente pela Prefeitura de Aracaju devido a sua inconstitucionalidade. Tal lei não apresenta fonte de custeio como determina a Lei Orgânica do Município e a Lei Federal, e pode onerar o próprio passageiro já que compromete o custo  da tarifa.

O Setransp solicita a gentileza dos veículos de comunicação que divulgaram a notícia  inverídica que, em espaço semelhante, divulguem a retificação, para amenizar o tumulto causado aos passageiros de ônibus com a desinformação.


Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
31/05
20:15

Cabo Anselmo, o agente duplo

Afonso Nascimento - Professor de Direito da UFS - Membro da Comissão Estadual da Verdade

 

A ditadura militar (1964-1985) foi uma ordem política autoritária que engendrou contra si dois tipos de resistência, a saber, a resistência democrática e a resistência armada. Interessa-nos aqui tratar da resistência armada realizadas organizações de esquerda que acreditavam poder derrubar o regime militar, tendo como combustível uma forte dose de voluntarismo, leituras equivocadas da realidade social brasileira e treinamento e financiamento quase sempre externos.

 

As principais organizações eram a AP (Ação Popular), PC do B (Partido Comunista do Brasil), MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro), ALN (Ação Libertadora Nacional) de Marighella, VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) de Lamarca, entre outras mais. Todas essas organizações foram derrotadas pelo regime militar e seus integrantes, exceções à parte, tomaram o caminho do exílio, “desapareceram” para sempre, conheceram a tortura e a morte nos porões da ditadura e nas lutas urbanas e rurais.

 

Para a derrota dos grupos radicais armados, o regime militar contou com um desproporcional conjunto de recursos materiais (todas as forças armadas estatais) e de recursos humanos que fez da luta armada parecer, embora hipervalorizada pela ditadura em termos de ameaças à ordem política, uma temporada de caça a seres humanos sem chances de qualquer vitória sobre os militares. Um desses recursos foi a infiltração de quadros do regime militar no interior das organizações da esquerda armada. É aí que entra o Cabo Anselmo, agente duplo infiltrado em organizações clandestinas que entregava militantes às forças da repressão para o desaparecimento, a tortura e a morte. Calcula-se que ele tenha nas costas entre cem e duzentos mortos. Afinal, quem foi esse alcaguete chamado Anselmo, indivíduo ainda vivo e morando em algum lugar no interior de São Paulo?

 

Cabo Anselmo é um sergipano nascido em Itaporanga d´Ajuda, em Sergipe e que, em 2018, completa setenta e seis anos. Sua origem social está nas classes populares, o que pode ser deduzido do fato que, apesar de chamado de cabo, não passava do equivalente a um soldado raso. Mas isso não importa pois o apelido pegou. Na sua certidão de nascimento só consta o nome de sua mãe que, com ele, se mudou para a cidade do Rio de Janeiro em busca de uma vida melhor. Sabe-se também que chegou a estudar Direito por algum tempo, o que significa dizer que tinha feito a escola secundária.

 

O seu nome está associado à ditadura militar por duas razões. Em primeiro lugar, foi o Cabo Anselmo o líder da rebelião dos marinheiros em março de 1964, no Rio de Janeiro, acontecimento que servirá de pretexto para o golpe militar daquele ano. Com sua rebelião, os marinheiros quebraram a hierarquia e a disciplina tão prezadas pelas forças armadas. Bom orador, Cabo Anselmo se transformou, de uma hora para outra, numa figura conhecida nacionalmente e o seu nome virou passagem obrigatória para os estudiosos do golpe de 1964, geralmente ligado ao discurso do presidente João Goulart, na Central do Brasil, no mesmo mês. Com o golpe, Cabo Anselmo foi expulso da Marinha e, sobre essa etapa de sua vida, questiona-se se ele já era um agent provocateur a serviço da CIA – o que é negado por ele.

 

No período que vai de 1964 a 1967, desligado da Marinha, o Cabo Anselmo desaparece, se aproxima da AP, se asila na Embaixada do México e finalmente é preso (com ou sem aspas). Em 1967, “foge” da cadeia ajudado pela AP e chega a Cuba para fazer treinamento para a luta armada. Em território cubano tem contato com outros candidatos a guerrilheiros que lá estavam com os mesmos objetivos. Em 1970, está de volta ao Brasil -e aqui entra a segunda razão -, quando passa a trabalhar como alcaguete dos órgãos de repressão. Seu nome então é Jadiel e depois será Jônatas, Kimble e Daniel. Busca contato com o capitão Lamarca da VPR, organização em que passa a atuar, chegando ao posto de um de seus dirigentes nacionais. Depois de preso em São Paulo pelo tenebroso delegado Fleury é quando se torna um agente infiltrado, segundo ele, porque essa era a única escolha para poder sobreviver.

 

Homem frio e calculista, o Cabo Anselmo sobreviveu entregando nomes, pessoas, senhas, aparelhos, endereços e “pontos” (lugares de encontros) da VPR e de outras organizações. Fazia isso, não por idealismo ou como serviço voluntário, mas como trabalho remunerado, com o que ganhava salário equivalente ao de um capitão, com contrato e recibos de pagamentos. Ele era aquilo que os órgãos de repressão chamavam de “cachorros”. Não era o único, naturalmente. Havia mais “cachorros” que faziam parte de outros órgãos de repressão infiltrados em organizações de luta armada.

 

Pessoas que militavam na clandestinidade e que tiveram o azar de se aproximarem do alcaguete sergipano ou que tiveram contato com ele quase sempre conheceram o mesmo destino: prisões, torturas, desaparecimentos e mortes. A despeito da cirurgia plástica que fizera no rosto e de seu carisma como suposto militante, integrantes dos grupos armados desconfiaram dele e ele foi submetido a três julgamentos no Chile, onde estavam exilados da luta armada brasileira. No terceiro deles, tomou a iniciativa e entregou o seu revolver para aqueles que dele desconfiavam o matassem. Ninguém teve a coragem necessária para tanto.

 

Do Chile voltou ao Brasil para liderar um grupo de luta armada para sua organização em Recife. Entre os membros dessa nova turma estava uma mulher chilena com quem o Cabo Anselmo tinha um romance e que estava grávida de filho dele. O resultado é que esse foi mais um grupo desmantelado pelos órgãos da repressão, sendo todos mortos, à exceção dele e de outro infiltrado. Sobre isso também existe polêmica. Há uma versão que diz ter ele pedido ao delegado Fleury para poupar a sua mulher chilena e tem outra que afirma o contrário. Com o fim da luta armada contra a ditadura militar, Cabo Anselmo voltou a desaparecer.

 

Ele reapareceu com o fim do regime militar, especialmente no momento em que se discutia sobre indenizações para vítimas da ditadura. Ele pediu reparação monetária que cobrisse o período em que fora marinheiro até o momento em que ocorriam as indenizações, o que lhe foi negado. Em 2011, vimos a entrevista que concedeu ao Programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, mostrando uma certa desenvoltura nas respostas que dava às perguntas. Em declarações que estão disponíveis na internet, a figura sinistra que é o Cabo Anselmo diz que não se arrepende de nada. Sem mais comentários

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Livros consultados para este texto:

BORBA, Marco Aurélio. Cabo Anselmo: a luta armada ferida por dentro. São Paulo: Global Editoria, 1981.

GASPARI, Elio. A ditadura escancarada: as ilusões armadas. Rio de Janeiro: Editora Intrínsica Ltda, 2014.

 


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/05
13:50

Coluna Primeira Mão

Deso: onde vai parar?


A Deso mudou estatuto, mudou nome de diretoria para empossar pessoas que não preenchem os requisitos mínimos exigidos pelo seu estatuto bem como da nova lei das S.A's. Diretoria de Meio Ambiente e Engenharia passou a ser diretoria de meio ambiente e expansão. A diretoria de operações passou a ser diretoria de operações e manutenção. Para as diretorias acima citadas, o estatuto exigia formação de nível superior na área da engenharia, exigência que foi excluída para satisfazer os interesses de indicação política. Pior é que tudo isso acontece sob a omissão de instituições que no passado fizeram história como o CREA, o Sindicato dos Engenheiros e o próprio Sindisan.

Fim dos jetons

São muitos os conselhos estaduais disso ou daquilo na estrutura governamental do estado. Se o governador Belivaldo Chagas quer mesmo reduzir despesas e otimizar recursos, por que não cortar pela metade os jetons pagos a esses conselheiros? Para alguns membros do primeiro e do segundo escalões, essas gratificações são verdadeiros altos salários, especialmente quando os conselheiros participam de mais de um conselho.

Uso e abuso

Quando Belivaldo Chagas assumiu o governo estadual, o secretário da Saúde sabia que tinha seus dias contados. O novo governador arrumou um pretexto e esperou Jackson Barreto voltar de suas férias e demitiu o seu primo. Demitido, Almeida Lima saiu "atirando". E fez uma denúncia grave sobre o uso político da Secretaria da Saúde até por comunicadores.

Força dos caminhoneiros

Os caminhoneiros se tornaram o mais poderoso sindicato do Brasil. Salvo engano, essa é a segunda vez que eles param o país, que tem quase total dependência em relação ao transporte do PIB brasileiro. Cerca de um milhão de pessoas compõem essa categoria que, quando atua, conta com o apoio do sindicato patronal ligado a esse tipo de transporte rodoviário.


 

 

 

 

Roubo de celulares

 

O roubo de celulares é um dos crimes mais populares em Sergipe. Os bandidos que praticam essas transgressões da lei não o fazem para a montagem de coleções pessoais desses telefones. Ao contrário, eles os vendem a receptadores a preço de banana, que repassam a outros consumidores. Salvo engano dessa coluna, as investigações policiais não são bem-sucedidas quando se trata de receptação.


Quadro lamentável



É lastimável que os sergipanos tenham 250 cemitérios e apenas um esteja funcionamento legalmente. O MPE, fiscal da lei, precisa tomar providências a esse respeito. O odor de corpos em putrefação no Cemitério São João Batista já é forte para quem passa pelas sua calçada e insuportável para os defuntos enterrados nas "gavetas". Em lugares mais civilizados, as autoridades governamentais têm mais respeito pelos que se foram.


Fragilidade brasileira


Parte da mídia brasileira sempre bate na crise da Venezuela e lembra com frequência o problema do desabastecimento em termos de alimentos nos supermercados "bolivarianos". Com a crise provocada pelos caminhoneiros brasileiros, em apenas quatro dias o Brasil também tem sofrido uma crise profunda de desabastecimento em ceasas, feiras, supermercados, etc. A prudência é recomendável a todo o mundo.


De olho na Ordem


O advogado Cristiano Cabral pretende disputar a Presidência da seccional de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE), em novembro próximo.


Confederação


O deputado federal Laércio Oliveira em ritmo de dedicação total à campanha pelo comando da Confederação Nacional do Comércio (CNC).


Questão de grana


O contraste não poderia ser mais gritante. De um lado, temos o processo interminável de reforma da Catedral de Aracaju, enquanto de outro está a acelerada construção de um imponente templo do empresário da fé Edir Macedo perto do Terminal do D.I.A. Num caso, falta dinheiro e, no outro, a grana nunca foi problema.


Um novo HUSE


O Governo do Estado precisa organizar para pleno funcionamento esse sistema estadual de saúde ou construir um novo Hospital de Urgência para Sergipe. Esse HUSE precário que aí está funcionaria para atender Aracaju e Municípios vizinhos (São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros, Laranjeiras, Itaporanga D’Ajuda, Riachuelo, Divina Pastora e Pirambu) além de receber os casos mais complicados de todo o Estado, e um outro no interior, entre Itabaiana e Lagarto, capaz de dar atenção para os demais municípios sergipanos.


Sergipe ausente


A seleção brasileira de futebol não terá nenhum sergipano entre os seus jogadores na copa deste ano. Pela seleção canarinho só passou Clodoaldo, na Copa de 1970, nascido em Sergipe mas criado em Santos, em São Paulo. O sergipano Diego Costa jogará pela Espanha, uma das seleções favoritas ao título.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
23/05
10:35

Emgetis pagará jeton a secretário ausente em reunião do conselho

O Presidente do Conselho da Emgetis, Rosman Pereira, não participou da reunião do Conselho, nesta segunda-feira, 21 de maio, pois estava na posse do novo Presidente da CODISE. Mesmo assim, Ézio Faro, Presidente da Emgetis que presidiu a reunião, mandou pagar o jeton, que é devido quando da efetiva participação em reuniões deliberativas. Em contra-partida o pessoal da limpeza e da copa cruzou os braços na terça-feira, dia 22/05, por falta de pagamento dos salários de abril. A Empresa também está com os telefones cortados há mais de 10 dias por falta de pagamento. O pagamento de jeton sem participação em reunião é ilegal. O salário dos terceirizados é questão de verba alimentar e o telefone é ferramenta de trabalho e atendimento aos clientes e usuários do Governo. A denúncia foi feita por servidores da Emgetis.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
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