20/09
07:57

Canal do Panamá

Geraldo Duarte*

1958. Colégio Lourenço Filho. Aula do professor de Geografia João Hipólito Campos de Oliveira. Tema: Canal do Panamá.

Depois, o Instituto Brasil - Estados Unidos (IBEU) exibiu filme, no auditório do Colégio, narrando a história da construção da obra.

Imaginada pelo colonizador do Panamá Vasco Núñez de Balboa, no século 16, somente teve início com os franceses em 1880. Problemas de engenharia e a mortandade de perto de 20 mil trabalhadores, vítimas da malária e febre amarela, levaram a França a parar os serviços.

Os USA assumiram a empreita em 1904 e, em 15/08/1914, inauguraram o Canal. Mais de 5 mil operários faleceram nessa fase.

Ligando o Atlântico ao Pacífico, com 77,1 km de extensão, suas eclusas elevam ou baixam embarcações, compensando os 26 metros de desnível entre aqueles oceanos.

O S.S. Ancon, na data inaugural, foi a primeiro navio a atravessá-lo. Já o Norwegian Blis, de 168.800 toneladas brutas, capacidade de 5 mil pessoas, medindo 325,9 metros de comprimento, 41,4 de viga e 8,3 de calado, até o presente, é o maior na travessia.

A transposição, dura de 8 a 10 horas, evitando um trajeto de 20 mil km que seria necessário para contornar o extremo da América do Sul.

Cerca de 14 mil barcos, anualmente, fazem a passagem. Quase 30 mil empregos, sendo aproximados 10 mil diretos, participam da movimentação de 9 US$ trilhões em mercadorias transportadas.

Mês passado, viajando ao Canadá, fiz conexão de um dia na Cidade do Panamá, visitei o Canal nas eclusas de Miraflores, onde há, também, um museu sobre aquela maravilha do mundo moderno.

Realizado, assim, sonho de sessenta anos.

*Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.  


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Por Kleber Santos
17/09
09:07

Campus do Sertão e impulso desenvolvimentista

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

A luta da Universidade Federal de Sergipe para a instalação e a consolidação do Campus do Sertão, todo ele voltado para cursos nas áreas agropecuária e agroindustrial, tem como razão maior de ser a consciência de que o desenvolvimento e o progresso de uma região começam com o processo educacional. Não é admissível que, na segunda década do século XXI uma região tão sofrida como a sertaneja ainda passe por percalços que a afligem desde os tempos remotos. 

A região sertaneja sergipana não deve ser condenada a continuar presa ao subdesenvolvimento, quando a sua população é trabalhadora, corajosa e esperançosa de que os tempos e as situações mudem para melhor. A região, como todos sabem, destaca-se não apenas na produção de cereais, mas, também, na produção de carne, leite e seus derivados, com rebanhos que se afirmam dentre os maiores e melhores do estado: bovinos, caprinos e ovinos, notadamente.

O Campus do Sertão não é mais um sonho. É, sim, uma realidade, mas, que precisa de consolidação. Para tanto, a EMBRAPA nos cedeu, por 20 anos, uma área de terra de 70 hectares, dentro de sua fazenda experimental situada entre os municípios de Nossa Senhora da Glória e Feira Nova. Ali deverá ser construído o referido Campus, que, por ora, funciona provisoriamente na cidade de Glória. 

Professores qualificados e alunos animados, que, na sua maioria, têm origem na própria região, aguardam, ansiosos e confiantes, por gestões de quem nos possa ajudar a conseguir a liberação de recursos federais para a implementação das primeiras obras, que dizem respeito à parte de infraestrutura, como pavimentação da área a ser edificada, iluminação, rede de esgotamento sanitário, rede de escoamento de águas pluviais etc. A partir dessa infraestrutura, no segundo momento, virão as obras dos prédios administrativos, didáticos e técnicos (laboratórios, matadouro modelo etc.). 

A população de todo o sertão-norte de Sergipe precisa dos efeitos da educação superior ali inserida, a fim de concorrer para o aprimoramento das práticas utilizadas no manejo do solo, para incrementar a produtividade das lavouras ali cultivadas, na otimização dos rebanhos e no aprimoramento da indústria rural tão presente em alguns municípios. 

A sociedade sertaneja terá a sua face mudada. Até mesmo questões urbanísticas e ambientais passarão a ser tratadas de forma mais eficiente. Um Campus Universitário é um ganho ímpar para qualquer localidade. E quando tal Campus é voltado para as vocações produtivas locais, o ganho é ainda mais alentado. Os profissionais formados no Campus do Sertão, originários dali mesmo, serão os semeadores de um novo tempo, empregando as técnicas aprendidas para mudar definitivamente a face de uma região que precisa espancar de uma vez por todas a miséria que ainda rondam muitas famílias e minorar a pobreza, que ainda é gritante em muitos casos. Filhos da terra bem formados para formarem uma nova terra. 

O que nos falta, concretamente? Recursos financeiros. De onde eles poderão vir? Unicamente do orçamento da União. E quem nos poderá ajudar? Os nossos parlamentares federais, alguns dos quais já têm nos ajudado de forma reconhecidamente extraordinária em várias das nossas atividades. 

Para as obras de infraestrutura acima mencionadas, os recursos necessários giram em torno de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais), a serem desembolsados paulatinamente. Porém, será preciso que os desembolsos tenham início ainda este ano, considerando-se as dificuldades para iniciar uma obra dessa importância no início do próximo ano, ou seja, no início de um novo governo. Iniciando-se agora, a sequência ficará muito mais fácil. E o sertão já esperou demais. 

Este é o momento para algum dos nossos parlamentares federais, deputado ou senador (a) tomar a dianteira e, assim, apadrinhar estas obras, que se constituirão no pilar para a arrancada da consolidação do Campus do Sertão e, por conseguinte, do próprio processo de desenvolvimento e progresso do sertão sergipano. 

A Universidade Federal de Sergipe completou 50 anos, devidamente integrada à sociedade sergipana e a sua história. A arrancada desenvolvimentista do nosso estado teve suas bases muito mais fincadas a partir da instalação da UFS, em 1968, comprovando-se, sobejamente, o quanto é importante e valioso o processo educacional para levar adiante as aspirações do povo e para atender as suas vitais necessidades. 

Haveremos de, em nome dos nossos professores, técnico-administrativos e alunos do Campus do Sertão, mas, também, de toda a população sertaneja, das autoridades e lideranças políticas, econômicas e comunitários de toda aquela região, bater às portas dos nossos representantes no Senado e na Câmara dos Deputados. Tais portas jamais se fecharam para a Universidade Federal de Sergipe. E temos convicção de que, no mínimo, uma delas, agora, nós a encontraremos aberta. 

O Campus do Sertão da UFS será, sem dúvida, o motor propulsor das mudanças sociais e econômicas que o povo sertanejo tanto espera, quanto merece. Lutaremos. E temos convicção de que a nossa luta não será em vão. 


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Por Kleber Santos
13/09
10:48

Arroto choco

Geraldo Duarte*

Zeca Vaqueiro vinha, nos últimos tempos, amofinado e tristonho pelos cantos da morada. Nem aboiar, sua paixão, dava ânimo.

Bastava alimentar-se, em pequena ou grande quantidade, e sofrer o que jamais sentira em seu viver. Aos vizinhos e amigos contava os sintomas. Chás e mezinhas de todos os tipos usou. Rogou milagres, com promessas a realizar, aos santos e santas. Mas alívio, que era bom, nada. A queixa continuava a mesma.

“Premêro u’a gastura danada na boca. Adispois, u’a dor da molesta bem no entre peito. E aí, u’a água quente e fedorenta subindo da boca do estombo inté a guéla, queimando tudo lá dentro. É o diacho atanazando este fiel cristão!”.

Até que, não mais resistindo, desceu a serra e foi consultar-se no posto saúde da cidade.

Ao médico, relatou aquele padecer, inclusive, usando mímica no complementar de cada detalhe.

Depois de meticuloso exame e perguntas, o doutor diagnosticou a enfermidade como refluxo. Medicou comprimidos a serem ingeridos durante quinze dias. Recomendou tomar com “constância” e, quando o medicamento terminasse, voltasse, trazendo a receita e informando o resultado.

Zeca apanhou o medicamento e retornou para casa.

Passada uma semana, procurou novamente o clínico, dizendo que remédio havia acabado.

“Impossível! Você recebeu trinta unidades e recomendação de ingerir duas diariamente, portanto, não findariam em sete dias.”.

O respostar veio imediato: “O dotô num diche qui eu tumasse cum Constança? A muié, mermo sendo muito teimosa, tomô a força bruta, mais tomô! Cuma si vê, prus dois só deu pra u’a sumana! Vim buscá mais!”.

Coitada de dona Constância...
 
 *Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista


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Por Kleber Santos
01/09
15:18

Sergipe avançará com trabalho

Edvaldo Nogueira
Prefeito de Aracaju


Já afirmei várias vezes, desde o início do meu atual mandato, que minha intenção, ao decidir pelo retorno à disputa eleitoral e, com o aval da população, ao comando da Prefeitura de Aracaju, foi transformar a realidade da cidade, através de uma nova forma de fazer política. Assim tenho agido em todos os momentos. Por isso, não seria diferente agora quando declaro o meu apoio a Belivaldo Chagas para o governo estadual.


Entendo que o quadro político atual local e nacional exige de nós um posicionamento muito claro, sem subterfúgios. Lógico que diante do trabalho que venho realizando na cidade, dos avanços que já são sentidos por todos, eu, que ainda tenho dois anos e quatro meses de mandato, poderia me abster de participar do pleito e esperar o resultado final. Mas este não é o meu perfil.

Sempre me posicionei claramente. E o fiz desde que comecei a minha militância política no PCdoB, na década de 1980. Na eleição deste ano, não poderia ser diferente, porque entendo que o projeto iniciado por Marcelo Déda e que agora está nas mãos de Belivaldo Chagas, trouxe progresso para Sergipe, mas o ciclo de desenvolvimento que ele representou se encerrará em dezembro deste ano.

É preciso agora que este projeto passe por uma atualização, para enfrentar as dificuldades do presente e preparar o Estado para o futuro. Sergipe precisa se abrir para um novo ciclo, com uma nova matriz de desenvolvimento econômico, com novas estratégias, mais inclusão social, mais geração de emprego, racionalização da máquina pública, um severo programa de redução de despesas e foco no investimento que atenda as necessidades do cidadão.

Por isso, na última quinta-feira, 30, no ato que realizamos no Iate Clube, com a presença de mais de 3 mil pessoas, oficializei o que já havia verbalizado em declarações diversas: meu apoio integral ao projeto que está em curso em Sergipe. Mas não foi uma simples adesão. Naquele evento, apresentei ao candidato a Carta de Aracaju, documento que reuniu os pleitos principais do município à futura administração estadual.

Aracaju é o motor do desenvolvimento de Sergipe, por isso deve ser ouvida pela gestão estadual para a construção das políticas públicas. E mais do que isso: deve ser incluída nas definições das ações do futuro governo em áreas estratégicas, como Segurança, Saúde, Educação, Desenvolvimento Urbano e Turismo. Como capital e concentrando as principais atividades da vida econômica, política, social e cultural, Aracaju desempenha papel decisivo para os novos rumos e caminhos futuros.

Diante desta realidade, decidi que era preciso pactuar com Belivaldo uma pauta conjunta de ações, em favor do nosso povo. Ele concordou e se comprometeu com aquilo que expus na Carta. Assim, Aracaju ocupará o lugar que merece na agenda do futuro governador. Assim como fizemos na capital, ao assumir a administração em 2017, é preciso, de maneira arrojada e pensando fora da caixa, encontrar novas soluções para os velhos problemas do nosso Estado.

Enfrentei, ao lado de uma equipe muito competente e focada, todas as dificuldades da etapa da reconstrução da cidade, priorizando a regularização dos salários dos servidores e garantindo o funcionamento dos serviços públicos essenciais, como a limpeza, a educação e a saúde, além de iniciar um programa ousado de retomada de obras. Agora, num novo momento de avanços, temos trabalhado firme no projeto de construção de uma Aracaju inteligente, Humana e Criativa.

Não há receita pronta, mas é preciso disposição e planejamento para que Sergipe supere este momento de dificuldades e volte a crescer. Belivaldo possui a melhor plataforma de gestão para Sergipe e é capaz de levar o Estado novamente ao desenvolvimento. Para isso, Sergipe tem que descobrir sua vocação, encontrar seus caminhos e com a participação da sociedade organizada, da iniciativa privada, das universidades, enfim de toda a população, iniciar um novo ciclo de crescimento econômico, progresso social e distribuição de renda. Como escreveu Fernando Pessoa, navegar é preciso.



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Por Eugênio Nascimento
05/08
14:56

Um ganho coletivo

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

No decorrer da semana que se finda, a imprensa e as redes sociais deram ênfase à história de um aluno do curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe, no Campus de Lagarto, que chegou à conclusão da etapa do ensino superior. Prepara-se, pois, para a colação de grau. Trata-se de João Santos Costa, cuja história comoveu quem dela teve conhecimento. João é negro, natural do interior de Simão Dias, vem de uma família pobre e recentemente fez uso da internet para contar a sua história e tudo que enfrentou até chegar ao término do curso, cuja formatura dar-se-á no mês de setembro. Aplausos para João e votos de muito sucesso na vida profissional que se avizinha. Bravos, João! Bravos, Doutor! 

A história de João Santos Costa repete-se por centenas ou milhares de histórias. Muitos jovens pobres, rapazes e moças, podem contar uma história parecida com a do João. Nos mais diversos cursos e nos vários Campi da UFS. Eles vêm das chamadas cotas reservadas para os alunos das escolas públicas e para determinadas minorias ou camadas sociais até bem pouco tempo excluídas do ensino superior. Por exemplo: quantos egressos da escola pública conseguiam lograr êxito nos vestibulares realizados pela Universidade Federal de Sergipe? Quantos negros, pardos, índios ou portadores de necessidades especiais o conseguiam? E quantos adentravam nos cursos de mais procura ou mais cortejados pela sociedade, como Medicina, Direito, Engenharias etc.? As estatísticas mostravam números residuais. E assim o era nas demais Universidades federais ou noutras públicas, como as estaduais, onde elas existem. 

As famílias mais pobres, que não podiam pagar escolas mais qualificadas para os seus filhos e filhas estudarem, não conseguiam vê-los (as) portando facilmente um diploma do ensino superior. A exclusão era grande e absolutamente injusta. Afinal, as escolas públicas de ensino superior são custeadas pelos recursos públicos que advêm dos tributos que todo o povo paga. Mas, nem todas as camadas da população, no geral, viam os seus jovens nas universidades públicas. Todos pagavam e pagam tributos, mas, nem todos podiam deles usufruir em termos de educação superior. 

As camadas mais abastadas da população, que podiam pagar as melhores escolas para os seus filhos, viam-nos acabarem ocupando a maioria esmagadora das vagas nos cursos superiores mais concorridos. “Aos melhores, o melhor”.  Esse era o jargão. Melhores, não. Mais preparados pelas boas escolas do ensino básico, fundamental e médio. 

As cotas causam urticária em muitas pessoas. Estas requerem as vagas das cotas para os seus filhos que estudam nos colégios “top” de linha. Os que nasceram em berços de ouro ou de parta, que têm tudo, ou quase tudo, do bom e do melhor, seriam os legítimos ocupantes das vagas nos cursos mais conceituados ou mais procurados. Porém, de onde brotaria essa legitimidade? Do poder econômico? Da condição social mais acalentada? 

Anos de exclusão dos mais pobres, por exemplo, não causavam a menor compreensão dessa dura realidade por parte dos mais favorecidos. Uma sociedade desigual em que os desiguais de cima não conseguiam enxergar os desiguais de baixo, mesmo que os olhassem com lupas. 

As cotas nas escolas superiores públicas ensejaram a inclusão de muitos e muitas jovens, que se arrastavam nas periferias, nos subúrbios das pequenas cidades, nos povoados mais distantes, sem que pudessem vislumbrar oportunidades de terem uma vida digna através do trabalho profissional qualificado. 

Numa democracia, a luta pela igualdade, e, mais ainda, pela igualdade proporcional, deve ser uma finalidade do estado. É isso que se pode chamar de justiça social. Dar mais é quem menos tem e dar menos a quem mais tem. E assim, aos poucos, a sociedade vai se ajustando, isto é, vai-se tornando mais justa. Quão triste é vier numa sociedade injusta!

No país inteiro são milhões de jovens, rapazes e mocas, que percorrem os corredores das Universidades públicas, que adentram em suas salas de aula, para se lançarem na busca do conhecimento, da afirmação da dignidade humana, da cidadania e da oportunidade de enfrentar o mercado de trabalho em condições de disputar com todos os outros. 

A história comovente, sim, do jovem João Santos Costa, negro, quilombola, disposto, lutador, digno de sua conquista, é a história de muitos jovens dos dois sexos, parecidos com ele. Que muitos outros tenham a coragem e a firmeza de mostrar a sua face, de mostrar o seu valor. A belíssima vitória de João não é um ganho individual. É, deveras, um ganho coletivo. São muitos os Joãos. São muitas as Marias. Parabéns ao João de Simão Dias. Parabéns aos outros e às outras que ainda estão no anonimato. O ganho é coletivo. É de toda a sociedade sergipana. 


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Por Kleber Santos
24/07
07:39

No fio da navalha

Geraldo Duarte*
Advogado

Necessitei de rápido conserto no carro e busquei a SidCar, oficina do velho amigo Sidney Gomes. E quando nos encontramos, mil e tantas conversas não cessam.

No prosear, disse-lhe que iria à barbearia. Daí, surgiu o mote deste artiguete.

Contou-me que, há mais de vinte anos, não aceita que lhe tirem a barba, nem façam o pé do cabelo usando navalha. Mesmo as modernas adaptadas para lâminas de barbear. A meu provocar, explicou o porquê.

Dezembro de 1995. A sobrinha Bárbara concluíra o Curso Normal e exigia-lhe que fosse o padrinho de formatura e com ela dançasse a valsa da festa comemorativa.

Sexta-feira, véspera do evento. Preparou a mala e, depois do expediente, dirigiu-se à estação rodoviária. Embarcou em ônibus destinando-se a Piripiri, Piauí, onde a concludente residia.

Viagem tranquila. Amanheceu na cidade, sendo recebido pelos familiares.

Após as boas-vindas e de instalar-se, solicitou ao sobrinho Paulo Henrique que o levasse a uma barbearia, pois necessitava preparar-se visando à solenidade. Cortados cabelo, barba, bigode e unhas pagou e saíram. Passando em frente ao mercado público, resolveu conhecê-lo.

Ao parar numa banca de artesanatos, ouviu lancinantes gritos de um homem em desabalada carreira, quase nele esbarrando.

“Aquele não é o barbeiro?” – perguntou ao sobrinho, que confirmou. “E você me levou para ficar sob o fio da navalha dele?”.

A explicação foi de ser o melhor profissional do lugar, ter de tempos em tempos igual ataque, mas nunca feriu ninguém. Tudo devido à mulher o haver trocado por um caminhoneiro.

Ao final, indagou-me: “Tenho ou não razão de evitar navalha?”.
 
*Administrador e dicionarista


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Por Kleber Santos
21/07
09:54

Nordestinos que incomodam

*Eleomar Marques, nordestino de Porto da Folha/SE



O Brasil é um país que, ao longo da sua colonização pelos portugueses, apresentou *ciclos econômicos: o pau-brasil, o açúcar, o minério, a borracha e o café. O Nordeste foi o centro de produção desses dois primeiros, inclusive Sergipe se destacou na produção açucareira por volta do século XIX. Pois bem, a partir daí o Sudeste foi palco dos últimos ciclos econômicos. Salvador, primeira capital, perdeu seu status para o Rio de Janeiro. Essa mudança histórico-econômica provocou uma migração de nordestinos para a região Sudeste. O motivo é simples, na região Nordeste, sobretudo no seu interior, a estiagem predomina e o abandono estatal perdura há décadas. Vale salientar que, nessa região, há grande concentração de renda nas mãos dos latifundiários.

 

 

Os “paraíbas” ou “nortistas” deslocaram-se para ocupar a mão-de-obra ociosa das grandes indústrias que, infelizmente, eram implantadas no sudeste apenas. Até porque era lá que os “donos do poder” estavam. Quem não se lembra da velha política “café-com-leite”, em que paulistas e mineiros se revezavam no poder da República Velha? E o nordeste? Este de grande produtor de açúcar passou a coadjuvante ou mesmo apêndice dessa política rasteira e corrupta.

 

 

A verdade é que o Estado não deu oportunidade aos nordestinos de produzir no seu próprio lar. Fora-lhe tirado o direito de conviver com sua família, isso não teria ocorrido se os estadistas não virassem as costas para a região ou fizesse da mesma a famosa “indústria da seca”. Fábrica de fazer “voto de cabresto” e de assistencialismo. Resumindo, um povo que, além de contribuir de forma relevante para o crescimento do país, poderia muito bem ser independente economicamente, mas infelizmente se transformou no que muitos entendem como “prejuízo para a nação.”

 

Mas, como o carioca Euclides da Cunha (1866-1909) deixou cravado na mente brasileira quando expressou durante a cobertura do massacre a Canudos: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”, sem perder o sentido, podemos muito bem substituir, nos dias atuais, o termo “sertanejo” por “nordestino”. Somos tão fortes que nos destacamos no cenário nacional, mesmo com a grande dificuldade já mencionada e o preconceito que ora vem à tona.

 

 

As mãos que ergueram a grande São Paulo, agora são perfuradas com espinhos da ingratidão e ignorância sudestinas. Contudo, se passarmos um olhar panorâmico a bordo de uma nave espacial pelo Brasil chegaremos à conclusão de que os adjetivos pejorativos e ignorantes direcionados aos nordestinos não passam de falácias e preconceitos contra um povo que, em vez de exaltar o país, prefere a apartheid social.

 

 

Ao sobrevoar o país a bordo de uma nave que oscila entre passado e presente, com intuito de observar as ações humanas no Brasil, um curioso verificou que milhões de trabalhadores oriundos do Nordeste, desde os anos 50 do século XX constroem os luxuosos prédios na cidade de São Paulo. Porém, aqueles seres não se resumiram a esse tipo  de labuta.

 

 

Chegando a nave aos anos 80, o curioso constatou que o povo, através da televisão brasileira, se entreteu com as buzinadas do velho guerreiro Abelardo Barbosa, o eterno Chacrinha (1917-1988), nas tardes de domingo. Nesses mesmos dias, o país parava para gargalhar com o trapalhão Renato Aragão, o Didi. Na mesma linha e época, com genialidade ímpar, Chico Anysio (1931-2012), revestido de vários personagens, ganhava lugar de destaque nas noites televisivas globais, mostrando seu talento. Recuando na história para o governo de Getúlio Vargas (1930-1945), lá o curioso descobriu o grande responsável pela propaganda do estadonovista, um rapaz de origem sergipana conhecido pelo nome de Lourival Fontes (1899-1967). Ele praticamente construiu a imagem do ditador gaúcho.

 

 

Avançando alguns anos nessa jornada para atingir um momento crucial e obscuro da nossa história, a Ditadura Militar (1964-85), o grande curioso acompanhou a ação de dois homens estadistas que se levantaram contra a violenta repressão daquela época.

 

 

 Mesmo sob a mira das baionetas eles optaram pelo nacionalismo e a democracia. Os referidos homens eram os governadores Seixas Dória (1917-2012) e Miguel Arraes (1916-2005), de Sergipe e Pernambuco, respectivamente, aliás, dos governadores foram apenas ambos os que resistiram a tal golpe.

 

 

Ainda no campo político, a nave chega aos dias atuais para presenciar a vitória do pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva que, tornou-se presidente da República com o aval da maioria absoluta dos brasileiros. Inclusive com a participação efetiva do eleitorado de São Paulo. Conquanto, o curioso da nave ficou pasmo com a grande vitória do palhaço cearense José Everardo, o Tiririca. Esse cidadão foi eleito deputado federal com expressiva votação pelos paulistas. Sim, pasmo porque, além de palhaço, nordestino.

 

 

Falando em ditadura, a nave capta imagens da época na área cultural. Foi durante esse período que um grupo de jovens baiano sacudiu o Brasil com um movimento conhecido como Tropicália. Liderados por Caetano Veloso e Gilberto Gil, a Tropicália, levou os jovens a uma maneira diferente de protestar contra um regime autoritário. Era como se a nave retratasse as cenas de outrora que estão inseridas na história do país.

 

 

Ainda observando as músicas, o curioso notou a ação de cantores que embalaram o Brasil, não com funk, mas com músicas que retratam as coisas do coração e as do Brasil. O rei do baião, Luiz Gonzaga (1912-1989), levou os costumes nordestinos para o sul do país, Raimundo Fagner ganhou destaque com suas canções passionais às quais o Brasil se rendeu. No retorno ao tempo, o espectador da nave ainda se deparou com artistas como Patativa do Assaré (1909-2002) e Jackson do Pandeiro (1919-1982), que influenciaram gerações de todo o Brasil.

 

 

A nave se voltou para o carnaval nordestino, que não é tão luxuoso e não promovelugares restritos, mas realizado a céu aberto. Um exemplo dessa manifestação cultural é a cidade de Olinda  em Pernambuco. De quebra, ainda há os criadores do pau elétrico e do famoso trio elétrico, Dodô (1914-1978) e Osmar (1920-1997), nordestinos que se tornaram conhecidos no Brasil inteiro por causa dessas invenções.

 

 

Na área jurídica, o piloto da nave se depara com os sergipanos Tobias Barreto (1839- 1889) e Sílvio Romero (1851-1914). Eles fizeram escola em Recife e na Alemanha, além de pertencerem à Academia Brasileira de Letras, aliás, na referida área das ciências jurídicas o destaque nordestino é do também sergipano, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres de Brito.

 

 

Na literatura, o curioso da nave fica maravilhado ao adentrar nesse mundo, observou que Gregório de Matos (1636-1695) denunciava os atos irregulares da sua época. Percebeu também que o poeta dos escravos, Castro Alves (1847-1871), mobilizou o Brasil contra a vergonhosa escravidão através de sua poesia engajada. Conheceu um pouco da cultura local de Alagoas com Graciliano Ramos (1892-1953) e o sul baiano com Jorge Amado (1912-2001), que popularizou seu nome com o romance “Gabriela, Cravo e Canela”, dentre outras obras. Esses escritores levaram o Brasil para o Brasil e para o mundo.

 

 

No Rio de Janeiro, o viajante espectador notou que tiveram destaque através de séries exibidas na televisão os contos de Nelson Rodrigues (1912-1980) e os filmes irreverentes de Ariano Suassuna (1927-2014). O curioso envereda pela contribuição educacional e encontra com Paulo Freire (1921-1997) e Anísio Teixeira (1900-1971), ambos deixaram correntes pedagógicas a serem seguidas até nossos dias. O curioso ficou totalmente surpreso ao saber que um dos malandros da favela carioca que conquistou os bambas do Rio de Janeiro, o Bezerra da Silva (1927-2005), era genuinamente nordestino de Pernambuco. Esse nordestino fez escola no subúrbio carioca.

 

 

Numa viagem ao cinema brasileiro, descobriu o cinema novo, um jeito diferente demostrar a realidade brasileira. Essa missão coube ao baiano Glauber Rocha (1939- 1981). Ele revolucionou o cinema, por isso, está inserido na história da arte brasileira. Um voo rasteiro aos folguedos possibilitou ao viajante observador perceber rapidamente que a riqueza do nordeste é imensurável, o maracatu, a taieira e o reisado são exemplos dessa grandeza.

 

 

A nossa eficiente nave detectou um insano que partiu de Sergipe para o Rio de Janeiro, onde foi internado como louco, mas que na verdade era uma lenda da arte futurista. Artur Bispo do Rosário (1909-1989), até nossos dias é um orgulho para o local onde morreu (Rio de Janeiro) e para os sergipanos.

 

 

Ainda no Rio de Janeiro, a nossa nave descobriu um colossal estádio de futebol com onome de um nordestino singular, Mário Filho (1908-1966), por ser amante do esporte brasileiro e ter contribuído com este, cedeu seu nome ao Maracanã. Aliás, o esporte brasileiro deve muito ao alagoano, o velho Lobo, Zagallo. Ele é o único brasileiro que detém o titulo de pentacampeão mundial de futebol, isso sem comentar da sua conterrânea Marta, eleita por duas vezes a melhor jogadora de futebol feminino do mundo.

 

 

Na área religiosa e social, o condutor da nave detectou várias obras de caridade na Bahia. Assim como madre Teresa de Calcutá na Índia (1910-1997), a nossa Irmã Dulce (1914-1992) deixou um exemplo de amor ao próximo e de grande solidariedade.

 

 

Ao lançar um olhar sobre fatos recentes relativos à educação, o curioso da nave  localizou uma universidade federal que se destacou na prova da OAB, superando inclusive universidades renomadas como USP (Universidade de São Paulo) e UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). A Universidade Federal de Sergipe (UFS), por alguns anos ocupou o primeiro lugar no Brasil na avaliação da Ordem dos Advogados do Brasil. Com certeza a futura advogada paulista, aquela que postou no seu twitter a seguinte frase: “Nordestino não é gente, faço um favor a São Paulo, mate um nordestino afogado”, essa moça iria querer afogar todos os bacharéis sergipanos. Não adianta, é como se comparar o Tietê com o São Francisco, o funk com o forró, pois, enquanto falamos das cabras através da interpretação do cantor baiano Elomar, no Rio de Janeiro eles cantam “as cachorras”. A divergência é nítida, sem querer desmerecer os aspectos positivos sudestinos, os nossos não seriam inferiores.

 

 

O curioso da nave a que nos reportamos é um sociólogo. Ele percebe que não é maioria os preconceituosos, mesmo porque, se assim o fosse, esses nordestinos não seriam tão destacados. A incompetência da minoria sudestina se incomoda com o lugar de destaque que conquistaram esses nordestinos. Portanto, se o curioso que estava a bordo da nave fosse a estudante de Direito, Mayara Petruso ou qualquer grupo de preconceituosos, com certeza não mandaria afogar um desses nordestinos. Afinal, subtrair uma figura importante para o país não seria interessante, mesmo porque outros viriam, mas o Brasil conviveria com um gênio  a menos. Além disso, se não fôssemos gente, como salientou Petruso, quem teria construído e contribuído para o desenvolvimento de São Paulo em todas as áreas?

 

 

Dizem que não escolhemos o lugar em que nascemos e sim o aquele em que vivemos, porém, se ainda assim, desse para escolher, escolheria o nordeste para nascer, viver e morrer.

 

 

*Licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe e acadêmico de Direito pela mesma universidade. Professor da rede estadual de ensino e da rede municipal de Porto da Folha/SE. Radialista DRT 8703/ DF. Ocupa a cadeira 25 da ALAS (Academia Literária do Amplo Sertão).

 


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Por Eugênio Nascimento
07/07
11:51

Síndrome de jabuticaba

Cezar Britto - Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil


Certa vez, ao conceder uma entrevista a uma emissora nacional, perguntou-me o âncora do programa jornalístico se não era uma “jabuticaba” a tese que eu defendera na tribuna do STF, na qualidade de representante do Movimento de Combate à Corrupção (MCCE). Referia-se ele ao julgamento da 
ADI 4650, ajuizada pela OAB para declarar a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que autorizavam as contribuições de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais. Antes de responder sobre a importância de se impedir o financiamento (investimento) privado das eleições, perguntei a ele a razão do preconceito contra a jabuticaba, uma das especiais frutas nativas da Mata Atlântica. Disse-lhe que eu adorava jabuticaba, mas se ele gostava de peras, morangos, maçãs, pêssegos e outras frutas estrangeiras eu respeitaria. Mas que não concordava com a premissa de que as coisas do Brasil não mereciam ser respeitadas.

O grave é que esse desprezo pela jabuticaba (leia-se: coisas do Brasil) tem se espalhado como um mantra impressionante. Escuto-o a todo tempo ou lugar. Até mesmo no onisciente STF a fruta brasileira já constou como elemento depreciativo de um texto constitucional, dizendo-se que deveria ele ser reinterpretado por ser fruto do “pecado original” cometido pelo constituinte tupiniquim. Tenho a impressão de que, caso pudessem, eles receitariam o “jejum de jabuticaba” como caminho ideal para a conquista do nirvana brasileiro. Ou, recitando o mantra com outras palavras, diriam eles que o Brasil somente melhoraria se copiasse o modelo trilhado pelo nobre padrão europeu ou pelo "arrojado" sistema democrático estadunidense.

Aconselho aos amantes das frutas importadas que leiam o livro: Pilhagem. Quando o Estado de Direito é Ilegal. Nele, o italiano Ugo Mattei, professor de direito internacional nas universidades da Califórnia, de Hastings e de Turim, em coautoria com a estadunidense Laura Nader, professora de antropologia da Universidade da Califórnia, explicam as consequências deste “encantamento” nada inocente. O livro, escrito ainda na era do general George W. Bush, explica o desmonte das políticas públicas, a privatização das riquezas nacionais, a coisificação da pessoa humana, os retrocessos sociais, o uso dos meios de comunicação, o ativismo judicial e, enfim, o "Reinado do Mercado". Qualquer coincidência com o Brasil não é, portanto, mera coincidência. Eis o que alertam:


“Os subordinados, ou pelo menos parte significativa deles, devem ser convencidos da natureza superior da ordem e da civilização dominante em comparação com a deles. Sem este componente ideológico, a opressão seria um exercício mais dispendioso.”
“Os países periféricos são, assim, intelectualmente humilhados, criando-se as condições psicológicas para a aceitação da hegemonia estrangeira.”

“A ideia da hegemonia revela, por parte do sistema jurídico dominador, de ser “admirado” pela periferia, obtendo, assim, mero consenso junto a nação dominada.”

“Para conseguirem esse resultado final, uma espécie de paraíso neoliberal em que poderosos agentes de mercado podem transformar todas as pessoas do mundo em consumidores e todo trabalhador não especializado em bem de consumo, os programas de desenvolvimento indicam cinco áreas e imperativos principais de reforma: 1- Permitir que os mercados livres determinem os preços. 2 – Diminuir o controle estatal dos preços. 3 – Transferir os recursos mantidos pelo Estado para o setor privado. 4 – Reduzir o orçamento do Estado ao máximo possível. 5 – Reformar as instituições estatais (tribunais e burocracia) a fim de facilitar o setor privado (boa governança e Estado de Direito).

É evidente que os “adoradores das frutas estrangeiras”, em providencial amnésia argumentativa, não apontam que fora o “modelo europeu de democracia” quem produzira Hitler, Mussolini, Franco, Salazar, Dollfuss, Ceau?escu e vários sistemas autoritários, genocidas, racistas e separatistas desprezados pela História. Também esquecem que provocou duas grandes guerras mundiais, usufruiu-se do tráfico de pessoas humanas e ainda elege discursos fundados nos mesmos crimes do passado. Não citam, ainda, que a “liberdade democrática estadunidense” organizou, apoiou, ensinou, torturou e lucrou com Pinochet, Saddam Hussein, Stroessner, Fujimori, Idi Amin Dada, Videla, Fulgêncio, Papa Doc, Noriega Castello, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo e tantos outros ditadores. Não lembram que os EUA não aceitam a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, da Corte Interamericana de Direitos Humanos e, mais recentemente, da Comissão de Direitos Humanos da ONU, substituindo-a pela justiça de Guantánamo, Abu Ghraib e do Patriot Act. Não relembram, certamente, a lição já antecipada por Rui Barbosa, quando, resumidamente, ensinou que A tirania muda de amantes.

Evidentemente não rejeito ou desgosto de outras frutas, pessoas, culturas ou histórias. Gosto também dos sabores delas, alimentando-me, diariamente, dos prazeres, das informações e das coisas que derivam de suas exclusivas características. Até porque os sabores e os saberes são plurais, nenhum melhor ou pior do que o outro, apenas diferentes. Erros e acertos integram todas as páginas escritas no evoluir da humanidade. Eles acompanham todos os povos, todas as raças, todos os espaços do tempo. Mas, confesso, não posso aceitar o argumento de inferioridade expresso na acusação de que as coisas do Brasil são desprezíveis e, em razão disso, elas são piores do que os acontecimentos forasteiros.

Na verdade, o que abomino é a Síndrome de Jabuticaba, a doença social em que a vítima nacional aceita e subordina a validade de seu pensamento à aprovação de seu verdugo internacional. Não concordo, portanto, que se reinterprete a Carta de Pero Vaz de Caminha, retirando a jabuticaba do rol das frutas que “em se plantando tudo dá”. Afinal, como alertado pelos professores Ugo Mattei e Laura Nader, o efeito colateral da Síndrome de Jabuticaba é devastador para o Brasil, gostando-se ou não da fruta brasileira. E, com não abro mão da minha jabuticaba, seguirei defendendo-a nas tribunas da vida.



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Por Eugênio Nascimento
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