17/03
11:52

Crônica do avesso do mesmo lugar

Cezar Britto
Advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil 

"Como dizer que não merece uma crônica a birra pública entre um presidente da República e um de seus mais íntimos ex-ministro, em que ambos, comprovadamente, acusam-se de mentirosos e chantagistas, ameaçando-se em diálogos reciprocamente gravados?"

Luís Fernando Veríssimo nos ensinou que “a principal matéria-prima para a crônica são as relações humanas. O modo como as pessoas se amam, se enganam, se aproximam ou se afastam num ambiente social definido. Ou qualquer outra coisa”. Seguindo a lógica do genial escritor gaúcho, escrever crônica seria uma tarefa extremamente fácil, mesmo porque as relações entre as pessoas são exercidas no modo automático, assim como é o pulsar do coração na manutenção da vida corpórea. Ama-se, engana-se, aproxima-se, afasta-se ou se faz alguma coisa a todo instante, queria-se ou não.

Esqueceu-se de dizer que para o cronista, especialmente aquele que tem a obrigação de escrever com regularidade, o problema está exatamente na fartura do material a ser escolhido como tema. Não é tarefa simples pinçar o assunto que, convertido em palavras amontoadas em único texto, possa servir de moldura narrativa dos fatos vividos em determinado lapso temporal. Ainda mais quando o hiato entre as crônicas produzidas é quinzenal e o período a ser abordado é fértil em acontecimentos que extrapolam qualquer raciocínio lógico.

Afinal, como dizer que não merece uma crônica a birra pública entre um presidente da República e um de seus mais íntimos ex-ministro, em que ambos, comprovadamente, acusam-se de mentirosos e chantagistas, ameaçando-se em diálogos reciprocamente gravados? Como dizer que é irrelevante o ministro da Educação, deseducada, ilegal e inconstitucionalmente, mandar gravar crianças em compulsória propaganda do mote da campanha eleitoral que o tornou encarregado de educar aqueles em que acusou serem filhos de “canibais”? Como não entender importante as redes sociais privadas interferirem nas escolhas e exonerações públicas, como admitiu o ministro da Justiça ao recuar na nomeação de uma suplente para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária? Como se recusar a escrever sobre o vídeo de conteúdo restrito postado pelo próprio presidente, em que acusa a maior festa popular brasileira de ser o “apogeu fetichista da chuva dourada”?

Realmente é de extrema dificuldade trazer para esta coluna o assunto eleito como tema principal, até porque quase estivemos em guerra fratricida contra os hermanos venezuelanos, apenas para agradar os plantonistas que governam nos EUA. Neste mesmo período, os militares foram indicados guardiões-mor da democracia e o vice-presidente se tornou o mais abalizado intérprete do pensamento presidencial, o Itamaraty voltou-se para a cela escura das perseguições internas, a imprensa foi outra vez ameaçada e se tornou pública a nomenclatura “olavetes” para designar a posse privativa de vários cargos importantes no governo.

Eleger o campo legislativo como assunto também é tarefa árdua, pois também nesta área reina a fertilidade de eventos à disposição do cronista regular. De logo, teria que se dedicar ao projeto que pretende retirar da Constituição Federal o instituto da aposentadora digna ou mesmo um dia alcançável para homens e mulheres. Teria que se dedicar ao projeto de lei que criminaliza os movimentos sociais e suaviza a vida dos que praticam caixa 2 e irrigam seus queridos laranjais. Em medidas ainda provisórias, não poderia deixar de registrar a assumida pretensão de se castrar as organizações não governamentais e matar por inanição financeira as entidades sindicais, salvo no que se refere ao Ministério Público Federal, que planeja criar uma esdrúxula fundação privada com o dinheiro público da empresa brasileira que se diz proteger contra ataques externos.

Entre trancos e barrancos, reconheço que preciso decidir o assunto que servirá de matéria-prima, sem correr o risco de ser tentado a plagiar o Barão de Itararé, quando nos contou que “este mês, em dia que não conseguimos confirmar, no ano 453 a.C., verificou-se terrível encontro entre os aguerridos exércitos da Beócia e de Creta”. Segundo relatam as crônicas, venceram os cretinos, que até agora se encontram no governo. Então escolho a Estação Primeira de Mangueira, para esclarecer que crônica quer “contar a história que a história não conta, avesso do mesmo lugar, pois é na luta é que a gente se encontra”.


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Por Kleber Santos
10/03
13:25

Sergipe, um destino para muitas coisas, menos para o turismo

Luiz Eduardo Oliveira
Doutorando em Saúde e Ambiente

Poderíamos analisar o Estado de Sergipe sob várias perspectivas, bem como poderíamos descrevê-lo sob muitos ângulos e ainda poderíamos sustentar a condição de um Estado que possibilitou o surgimento de vários expoentes nacionais, a exemplo de Tobias Barreto, Silvio Romero, Rosa Moreira Faria, Bispo do Rosário, Ivo do Prado (teve destacada participação no movimento da Proclamação da República), dentre tantos outros. Sob qualquer manifestação de carinho ou de bairrismo poderemos defender este pequeno notável, menos no que diz respeito ao turismo.  Definitivamente, até o momento, não somos um destino turístico, nem mesmo sobre falácias muitas vezes repetidas. Aliás, não somos e não temos a menor pretensão para tal.

Geograficamente situado entre grandes polos de atração de turistas, insistimos em Ser, sergipanos. Movimento de resistência, que sob certa maneira, contribuiu para a manutenção de uma tênue identidade.  Para a preservação de um determinado povo, faz-se necessário o cultivo daquilo que os une, que os mantem enquanto moradores dos espaços. Assim já diz o Roger Scruton, em seu livro ‘Filosofia Verde.  Como Pensar Seriamente o Planeta”.  

Orquestrados, desde longa data, sob a regência de displicentes maestros, assistimos a uma sangria demasiadamente intensa, inviabilizando a nossa saída, enquanto sociedade/impaciente, do estado de letargia coletiva. Vivemos uma interdependência dos contrários e de contrastes políticos e sociais.

Pois bem, sustentar que o Estado de Sergipe é um destino turístico comporta, imediatamente, algumas ponderações.  Primeiro, o sergipano precisar conhecer e valorizar seus habitantes. Temos uma inclinação perversa para cultuar o estrangeiro, o que vem de fora, o que tem um sotaque “bonito”, aquele que se diz conhecedor e/ou morador de outras paisagens, mas que vem para residir por aqui e usufruir dos bens econômicos ou imateriais do nosso povo, como demonstrado por politiqueiros que usam o estado como ponto de eleição.   Segundo, e assim sucessivamente, precisamos “Ser”, vasculhar, no nosso interior, o que nos mantem com mentalidade tacanha, retrógada e impeditiva de realizar nossas pretensões intelectuais, artísticas, empreendedoras, políticas, enfim nossas habilidades sergipanas. 

Um Estado, antes de se tornar atrativo, turisticamente falando, precisa reconhecer e valorizar a força de seu povo. Prover os meios que possibilite a saída do estado de vulnerabilidade, há anos cultivada.  O que fazer? Reconhecer as fraquezas já é um começo, porém, só um começo. Precisamos agir e rápido.

Faz-se necessário pontuar que os poderes são igualmente importantes, o Estado é uno, que os tribunais não são mais importantes do que as instituições e que a máquina que mantem toda a engrenagem estatal funcionando vem da inciativa privada, vem da força do seu povo, vem dos empreendedores. 

Como cidadão e morador desta cidade, não há como confiar na qualidade da água de nossas praias, nossos rios. Como está sendo medida a balneabilidade de nossas águas? Como morador e também cidadão, como se sentir seguro para sair à noite e visitar o centro da cidade, jantar ou degustar alguns petiscos no mercado central sentindo a brisa que vem do Rio Sergipe e mirando a ilha? Como aproveitar as manifestações culturais nos bairros?  Como visitar cidades históricas como Laranjeiras, São Cristóvão, Simão Dias, Estância, entre tantas outras, se o acesso é vergonhoso e, mais ainda, perigoso, sem sinalização e/ou acostamento.  Não há como pôr a culpa no governo federal.  A culpa é nossa.  

Talvez, utilizando um sarcasmo local, poderíamos utilizar a rede ferroviária. Que crime está sendo praticado contra a memória do nosso povo.  Um espaço estratégico que poderia ser utilizado de forma convencional, para o transporte de nossos cidadãos, e também uma ótima atração turística.  Poder ir e vir para São Cristóvão e Laranjeiras de trem. Não penso que é por incompetência dos atuais gestores, deve haver outros interesses para o fechamento e abandono daquele terminal ferroviário, inaugurado em 1913, como continuação da outrora linha do Timbó e que até 1970 ainda realizava suas antigas funções.  

Talvez possamos utilizar a duplicada BR-101, para conhecer e aproveitar os destinos turísticos deste Estado. Obra esta que se encontra abandonada e sem uma punição sequer daqueles que se comprometeram e receberam os recursos para a sua duplicação.  Os órgãos fiscalizadores precisar dar uma explicação à sociedade. Não é uma opção, é uma obrigação funcional. 

Enfim, estamos em fase de recuperação do Teatro Tobias Barreto, por uma empresa particular, que de forma “generosa” resolveu recuperá-lo.  Estamos resgatando as expressões artísticas do nosso povo, inclusive com o pagamento de artistas locais, em dia, (??) quando de suas apresentações em festas patrocinadas com o dinheiro público.  Estamos recuperando o Centro de Convenções de Sergipe, há pouco tempo e com pouco dinheiro, algo em torno de 20 milhões, só neste último aditivo contratual... 

Falar em Sergipe como um destino turístico.... sei não...


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Por Kleber Santos
10/03
13:22

A Última Rodouro

Marcos Melo (*)
Professor Emérito da UFS

Em 1962, conclui o 2º ano do Curso Científico, no Colégio Batista Alagoano, de saudosa memória. Fui aprovado com boas notas e me preparava para o vestibular de engenharia da Escola Politécnica de Alagoas. Estava no limiar dos 18! Como prêmio pelos meus avanços nos estudos, a matriarca, dona Helena, liberou seu primogênito para ir passar o carnaval em Aracaju. Para os gastos com o tríduo, empurrou no meu bolso notas com a efígie do descobridor, as tais abobrinhas, já corroídas pela inflação.

Depois de apelos chorosos, pois não queria me vender alegando que era para consumo próprio, adquiri duas lanças metálicas, da marca Rodouro, do contraventor Bodega, lendário carnavalesco propriaense, compadre do sanfoneiro Gerson Filho, que havia estocado várias caixas da rainha das perfumadas, acho que prevendo a proibição decretada pelo esquizofrênico Jânio Quadros. 

A primeira lança-perfume foi detonada no baile à fantasia realizado na boate Miramar, no domingo, com direito a show de coristas sob a direção do coreógrafo pernambucano Reginaldo Camargo. Aboletados em mesa de pista estávamos Toninho Britto, que seria prefeito de Propriá, meu primo Dominguinhos, descobridor de cabarés longínquos, e eu. No palco o pianista Millet comandava um conjunto de bons músicos. A marchinha Pai Adão – “que não teve sogra, mas teve mulher” – cantada por Alcides Gerardi, era o hit do pedaço. Foi uma senhora esbórnia!  

Na terça-feira, estava eu, juntamente com o amigo Gomes, também estudante em Maceió e que se graduaria em Medicina, em plena folia no animadíssimo baile da Associação Atlética de Sergipe, à época sob a presidência de Evaldo Freire. Como não sócios, tivemos que pagar ingresso. Adentrei armado da última Rodouro e com disposição de empacotar a noite até a derradeira clarinada. 

Ávido por um porre, notei que, em face da proibição e do assédio dos sem-lança, os poucos detentores da perfumada as escondia e cheiravam na maior discrição nas áreas térreas e afastados das aglomerações, com o tácito consentimento de seguranças e diretores, dentro do melhor espirito carnavalesco. E como bom aprendiz, procedi dessa maneira. Dava minhas voltinhas no salão de festas na tentativa de ganhar uma colombina, sempre com um copázio de cuba libre na mão esquerda e um hollywood sem filtro na direita. No palco, os crooners Hilton Lopes e Dalva Cavalcante, apoiados por uma orquestra bem ensaiada de metais e saxofones, atacavam de Cabeleira do Zezé, Garota Bossa Nova, A Lua é dos Namorados, Me Dá um Dinheiro Aí e outras marchinhas de sucesso naquele carnaval, além daquelas de todos os tempos a exemplo de O Teu Cabelo não Nega, que incendeia salões, mesmo censurada pelos catões da moda como politicamente incorreta.

Rejeitado, com um tunco da colombina, o pierrô descia a velha escadaria em caracol para mais uma cheiradinha. De repente, não mais que de repente, senti que estava sendo seguido. Parei, imaginando um policial ornamentado num colar havaiano querendo surrupiar minha Rodouro. O guapo se aproximou e, todo contrito, como se me pedisse um auxilio, apresentou-me uma pequena toalha. Saquei no ato! Queria uma borrifada! Desfeito o susto, presenteei o suplicante com um generoso jato na sua toalhinha. Sempre que me encaminhava para mais um porre, o suplicante vinha no meu encalço, ou melhor, o neosócio, com sua felpuda. E tome-lhe porre!  Já era 7 da matina quando a orquestra, na saída da Atlética, caprichava nos acordes finais do eterno Vassourinhas. Àquela altura a última Rodouro já havia dado seu último suspiro. Despedi-me do sócio, que se nominou Chico, e seguimos, Gomes e eu, de taxi, para o hotel Amado.

Gostei tanto daquele carnaval e do clima festeiro de Aracaju que desisti de fazer engenharia em Maceió e me transferi para o Colégio Estadual de Sergipe, hoje Ateneu, a fim cursar o 3º ano científico e tentar ingressar na então famosa Escola de Química de Sergipe, uma das mais importantes do país. Ocorre que 1963 foi um ano de pouco estudo e de muita efervescência/militância política: guerra fria, assassinato de Kennedy, plesbicito para reestabelecer o presidencialismo e fortalecer Jango, reformas de base, desigualdades regionais e por aí vai.  

Engajei-me na Campanha Nacional de Politização – CANEP, entidade criada e presidida pelo conterrâneo Manoel Messias Veiga, mais tarde advogado de sucesso. Nessas andanças reencontrei meu sócio carnavalesco na última Rodouro, o universitário de Química e líder estudantil Chico Varella; e, por ocasião dos Jogos Universitários de 1965, em Maceió, do qual participamos, ele craque no basquete e no vôlei, nos aproximamos mais.  A partir desses Jogos, firmamos uma amizade per omnia saecula, saeculorum. 

Enfim, não fiz o vestibular de Química porque certamente seria reprovado, mas, já bancário, o de Economia, no ano seguinte. Ano passado completei 50 anos de graduado, festejados em memorável efeméride organizada pelo amigo e colega Dilson Barreto. Acho que acertei em cheio na mudança para Aracaju e na profissão de economista. Graças ao carnaval de 63!

(*) Presidente da Academia Propriaense de Letras e membro da Academia Sergipana de Letras. 


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Por Kleber Santos
04/03
13:15

As Universidades Federais e a Soka Gakkai do Japão

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

Na última segunda-feira, 18, estiveram reunidos na sede da nossa Universidade, no Campus de São Cristóvão, reitores e reitoras de diversas Instituições Federais de Ensino Superior do Nordeste, objetivando discutir e dar os encaminhamentos necessários sobre os termos da cooperação interinstitucional junto à Soka Gakkai International (SGI) do Japão, presidida pelo Dr. Daisaku Ikeda. A SGI é uma organização não governamental filiada à Organização das Nações Unidas – ONU, cujos objetivos são a promoção da paz e do respeito em face da dignidade humana. Dita instituição desenvolve projetos nas áreas de educação, artes, ciências e saúde, dentre outras. E todas essas áreas são afetas às Universidades Federais, nos seus misteres para cumprir o que preceitua a Constituição Federal, ao elencar os três pilares da educação superior, quais sejam, o ensino, a extensão e a pesquisa. Sem sombra de dúvida, esses pilares têm sido melhor executados, no conjunto, pelas Universidades públicas, com o respeito que merecem as instituições particulares, especialmente algumas delas. Poucas, é bem verdade. 

Na visão dos reitores e reitoras reunidos, em síntese, o que se espera é que essa relação com a Soka Gakkai seja tão somente o primeiro passo de uma caminhada longa e frutuosa, integrando, especialmente, as Universidades Federais da região Nordeste, que não devem mais exercer suas atividades de forma isolada. Quando os relacionamentos são estreitados, a troca de experiências exitosas beneficia a todos. Afinal, as Universidades Federais sediadas no Nordeste não são concorrentes entre si. São, sim, congêneres que se devem irmanar, para o bem da sociedade nordestina e brasileira. 

Os dirigentes das Universidades Federais nordestinas têm consciência de que o alinhamento de ideias em torno da cooperação interinstitucional é relevante para que se possa discutir e implementar as tecnologias sociais, que deverão resultar em benefícios significativos, notadamente nesse momento tão crucial da vida brasileira em que o tecido social tem se esgarçado de forma acentuada. Recompor esse tecido é urgente e as Universidades Federais têm como colaborar efetivamente. 
No Nordeste, há dezoito (18) Universidades Federais. E, através da Soka Gakkai, buscamos uma integração entre essas universidades nordestinas. Isso certamente fará com que estejamos juntos na construção do ensino superior público federal no Nordeste e, de certa forma, compartilhando os saberes, as experiências, as formas e os modos de agir. Mais do que isso, fortalecendo, através de uma unidade bastante integrada, que pode vir através das tecnologias sociais, da educação e da saúde, e de tudo mais que possa representar essa tão buscada unidade.

Uma entidade de porte mundial como a Soka Gakkai pode nos dar uma colaboração imprescindível para o aprimoramento de nossas atividades. A SGI tem uma atuação firme na área da educação humanística e uma compreensão alargada dos problemas mundiais em todas as áreas de sua atuação. Logo, as Universidades Federais nordestinas terão muito a ganhar com a parceria firmada. 

Conscientes da importância da parceria, todos os representantes das universidades presentes assinaram um protocolo de intenções, afirmando perante a SGI a disposição de levar adiante essa auspiciosa relação interinstitucional.

Também presente à reunião, o presidente da Soka Gakkai no Brasil, Miguel Shiratori, foi o responsável pela intermediação. Ele levará para o Japão e trará de lá um retorno sobre quais atividades poderão ser dialogadas com as Universidades Federais, a respeito dessa parceria. De acordo com Miguel Shiratori, o acordo inicialmente firmado é o princípio de um grande trabalho em prol do desenvolvimento do cidadão nordestino. Nesse sentido, disse ele: “O princípio do nosso movimento é a criação de valores humanos fundamentados na formação humanística. Então o que nós nos propomos a contribuir é compartilhar dessa filosofia, desse pensamento, desse ideal. Porque acreditamos que o ponto básico da transformação de uma sociedade parte da transformação do cidadão”.

Na última quinta-feira, 28 de fevereiro, o Conselho Universitário da UFS – CONSU, por unanimidade, aprovou a concessão do título de Doutor Honoris Causa ao Dr. Daisaku Ikeda, um dos grandes humanistas do mundo nos dias de hoje, como reconhecimento da nossa Universidade ao trabalho e obra desse cidadão do mundo, que tem trabalhado incansavelmente em prol da educação e da paz universal. 

Por fim, a Soka Gakkai International (SGI) é uma organização budista de base comunitária que promove a paz, a cultura e a educação centradas no respeito pela dignidade da vida. Os membros da SGI defendem a filosofia humanista do Budismo. A composição harmônica das filosofias ocidental e oriental tende a dar bons e expressivos resultados, que se traduzirão em ganhos indeléveis para todos. 

As Universidades Federais, como centros de produção do conhecimento, devem abrir-se para todas as experiências que possam trazer, como dito antes, o devido aprimoramento em suas múltiplas atividades. 


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Por Kleber Santos
17/02
12:29

Na terra dos papagaios e dos cajus...

Luiz Eduardo Oliveira
Mestre em Direitos Humanos

Um pequeno Estado, uma localização privilegiada, belezas naturais abundantes, recursos minerais importantes e estratégicos, mas que, infelizmente, pensa e age pequeno.... Tínhamos o necessário e o básico para sermos referência nacional, no sentido positivo do termo.

Desde criança ouvimos falar na impotência deste Estado, nas tentativas descontroladas para sairmos das faixas consideradas inaceitáveis dos índices de pobreza, analfabetismo, baixo desenvolvimento humano, insegurança pública, carência em saúde pública universal, etc, etc.

“Crescemos” e os nossos problemas continuam os mesmos e as aparências não enganam, não... Com o advento da Constituição Federal de 1988, vislumbrávamos, nós, cidadãos sergipanos um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera. Com habilidade para dizer mais sim do que não, não. Não.

O fortalecimento da participação da sociedade civil ficou adstrita a algumas ONG’s e à concentração de poder de polícia nas mãos de Órgãos Ministeriais.  Assistimos desde aquela época a um desmonte do Estado nacional, a um enfraquecimento das instituições públicas e em Sergipe não foi diferente. O principal descumpridor das normas de segurança, das leis, tornou-se, por ironia, o próprio Estado. Os órgãos fiscalizadores tornaram-se implacáveis com os moradores das cidades e complacente com o Leviatã. 

Para um cidadão empreender neste canto do país tornou-se uma atividade hercúlea e o órgão arrecadador cada vez mais feroz e devorador para com os pequenos, os geradores e fabricantes de dinheiro.  

A Constituição cidadã, para utilizar uma expressão do Ulisses Guimarães, transformou-se em belo texto, uma referência mundial de garantias individuais e coletivas, que raramente é percebida pelos moradores e trabalhadores sergipanos.

Nossa Constituição Estadual, sim nós temos uma, pouco ou quase nada alterou em termos de emancipação da sociedade civil. Na realidade já tivemos oito, sendo que cinco foram elaboradas por assembleias constituintes (1891,1892, 1935, 1947 e 1989), e três foram impostas (1890, 1967 e 1969).

Enquanto cidadãos o que nos resta?  Será que é preciso utilizar de tantos artifícios, lícitos ou ilícitos, para entendermos o por que é tão difícil implementar as políticas públicas referentes ao sistema penitenciário, às populações quilombolas? De igual modo, por que é extremamente desgastante implementar o piso salarial do magistério? 

Para manter o “baixo clero” afastado das decisões e dos privilégios concedidos a alguns, o Estado não poupa e não poupará esforços para manter a “ordem”. 
Uma lição é clara, se o estado está na situação de pré falência, os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário, os órgãos fiscalizadores, os tribunais de contas são igualmente responsáveis, por ação ou omissão.  

Em um Estado, famélico, onde há um excesso de “excelências” e de “autoridades” que vivem de auxílios e penduricalhos fica difícil acreditar no ressurgimento ou fortalecimento das instituições públicas.  Há que repensar urgentemente o papel do Estado. 

Nas terras dos papagaios, quase extintos, e dos cajus, cada vez mais raros, somos nós, cidadãos, os responsáveis solidários e que sofremos as consequências da falta de segurança pública, de saúde nos postos ou unidades básicas, das sofríveis escolas públicas. 
 
Começamos uma “nova” administração em Sergipe?

*Doutorando em Saúde e Ambiente
**eduardoabril1965@gmail.com
 


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Por Kleber Santos
17/02
10:58

A crise em Sergipe: Dias piores virão?

Eugênio Nascimento

 

Ainda que se possa afirmar que o discurso queo governador pronunciou na abertura do período legislativo de 2019, na Assembleia de Sergipe (Alese), foi “sem novidades”, não há como negar que o conteúdo foi “impactante” e chamou a atenção de todos que estavam na Casa, inclusive os dirigentes do Judiciário, do Ministério Público e do Tribunal de Contas, além dos deputados estaduais, o principal alvo de Chagas.

Foi nesse cenário que o governador anunciou: A Previdência quebrou. Realmente há mais de sete anos fala-se nisso, mas sem realizar nada capaz de superar as dificuldades que vinham sendo ampliadas ano a ano e neste 2019 chegaremos a um déficit mensal de R$ 100 milhões, o que atingirá R$ 1,2 bilhão ao final dos 12 meses. Isso enerva Chagas, que corre contra o tempo para evitar queo  pior ocorra.

As finanças do Estado vivem um momento tão ruim que afirmar que o quadro é caótico ainda é pouco. E, o pior: o agravamento disso poderá acontecer em abril próximo, mês que já bate à porta. Nele, caso o Estado não consiga R$ 500 milhões a mais em sua receita, Sergipe não conseguirá cumprir o calendário de pagamento de funcionalismo, que já acontece com certo atraso. Isso assusta os mais de 40 mil servidores e os terceirizados, que já são vítimas dos atrasos dos repasses.

Imagine a preocupação dos 29 mil aposentados e os 3 mil pensionistas, que compõem uma folha de pessoal mensal, junto com aqueles que estão na ativa, de R$ 300 milhões.

Mas o Governo não está parado. Belivaldo vai a Brasília, conversa com ministros, pede ajuda ali e acolá, mas, até agora, tem voltado para Sergipe de mãos vazias. Isso poderá ser desanimador, mas não o é. Ele alimenta a esperança de que dias melhores virão. Por isso, insiste em levar projetos capazes de atrair recursos enquanto renegocia as dívidas do Estado, medida também adotada por outros governadores.

O fechamento da Fafen, cimenteira do Grupo João Santos, as atividades lentas da exploração do potássio, a produção devagar quase parando de petróleo e a paralisação de atividades de algumas outras empresas atingiram muito a economia sergipana. Geraram desemprego e redução de arrecadação por parte do Governo.

Desde o final do ano passado e no início deste, Belivaldo vem adotando algumas medidas de economia, diminuindo locação de veículos, uso de telefonia, revendo contratos. Extinguiu 900 cargos em comissão, enxugando cargos também no segundo escalão, está em andamento uma auditoria na folha dos servidores para identificar anomalias. Mas só isso não é suficiente. É preciso cortar ainda mais os gastos e resolver a crise na Previdência estadual, o que vai esperar a solução nacional para ser seguidas nas terras do cacique Serigy.

A crise econômica internacional, iniciada em 2008 nos Estados, começou a ser sentida com maior intensidade no Brasil em 2012 e em Sergipe os efeitos tornaram-se graves em 2014. Mas a economia vem daí para os dias de hoje se arrastando e chegou ao fundo do poço. E agora, Sergipe sai do fundo do poço ou fica deitado em berço explêndido? Tudo dependerá do Brasil e do próprio Sergipe.

O Estado precisa ser repensado, buscar uma nova matriz de desenvolvimento econômico, até então pautada no setor extrativo mineral. A Celse, o porto e área ao redor podem configurar em um novo pólo de crescimento, associado a setores de serviços como educação e serviços médicos, por exemplo. Os economistas do Governo, os deputados, os segmentos produtivos e os trabalhadores precisam colocar esses temas na ordem do dia.

 



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Por Eugênio Nascimento
15/02
18:15

Novas tecnologias em saúde: a telemedicina na UFS

Angelo Roberto Antoniolli – Reitor da Universidade Federal de Sergipe

A telemedicina basicamente pode ser descrita como o uso de modernas tecnologias de informação e comunicação para auxiliar no cuidado da saúde das pessoas, onde a distância seja um fator crítico. Possibilita a troca de informações entre médicos e outros profissionais de saúde com seus pacientes para facilitar o diagnóstico, o tratamento e a prevenção de doenças e agravos à saúde e, com recentes avanços, a realização de procedimentos. No mundo inteiro, com peculiaridades devendo ser observadas em relação ao arcabouço legal, tem salvado muitas vidas por encurtar as distâncias e levar o conhecimento técnico especializado a locais onde não existem esses profissionais.

A UFS foi pioneira no Estado de Sergipe e esteve na vanguarda do uso dessas tecnologias e se prepara para coloca-las à disposição dos futuros profissionais de saúde. Eles precisam saber da existência das tecnologias disponíveis e, em suas formação técnica, limitações legais e alcance nos cuidados em saúde. No ano de 2013 a UFS iniciou um projeto piloto vinculado a uma ação mundial com a Cisco Systems denominado “Connected Healthy Children”, coordenada pelo Prof. Dr. Mario Adriano dos Santos.


Neste projeto, utilizou-se da telepresença e de consultas colaborativas (com médicos nas duas localidades). Clínicas de saúde da família localizadas nos municípios de Lagarto e Tobias Barreto receberam equipamentos e conectividade para que pudessem transmitir áudio e vídeo em alta resolução e se conectarem com o Hospital Universitário de Sergipe, onde especialistas prestaram apoio específico aos médicos da Estratégia de Saúde da Família - ESF. A comunicação em tempo real, com imagem e som, além da disposição dos ambientes, permitiu que ambas as equipes compartilhassem virtualmente o mesmo local, apesar da distância que os separava. Especialistas e responsáveis pela ESF encurtaram as distâncias e, juntos, minimizaram o sofrimento decorrente dos grandes deslocamentos, além de produzirem impactos no absenteísmo escolar das crianças atendidas e redução de perdas de dias de trabalho de seus familiares. Diversos outros impactos foram primariamente identificados, pois os municípios e familiares costumam ter gastos com deslocamentos, abrigo e alimentação de pacientes e familiares, além do absenteísmo citado.


Quando colocamos à disposição do médico generalista um especialista, através da Telemedicina, que avaliava a criança juntamente com ele, identificamos uma marcante redução nas solicitações de avaliações presenciais nas duas especialidades pediátricas que participaram do projeto, com nenhuma criança necessitando o posterior deslocamento para o serviço especializado em Aracaju. Outro ponto relevante que destacamos foi a redução no tempo necessário a tomada de decisões, uma vez que as crianças tiveram seus planos terapêuticos implementados logo após a consulta na clínica de saúde da família, com o generalista incorporando, quando cabíveis, medidas discutidas com o especialista.


A presença das tecnologias de informação e comunicação em rincões e lugares distantes merece destaque, também, na redução de custos na capacitação dos profissionais realizada de forma direta em cursos formais e indireta, nas discussões para a solução dos casos específicos. Atualmente a UFS, que dispõe de dois Hospitais Universitários, continua utilizando a tecnologia em benefício da população atendida. O Hospital Universitário de Lagarto atende uma elevada demanda de usuários (em torno de 160 pacientes de clínica médica por dia) e seu corpo clínico ainda está sendo formado. O Hospital Universitário de Aracaju possui um corpo de especialistas maior e para dar uma continuidade e maior celeridade aos processos no HUL utilizamos a telemedicina para os pacientes internados na Clínica Médica quando identificada a necessidade de uma avaliação de especialistas nas seguintes áreas clínicas: dermatologia, hematologia e pneumologia.


Como dispomos de programa de residência médica em Clínica Médica, os nossos residentes acompanham os pacientes para as consultas colaborativas com os especialistas. Mais uma vez denotamos que conseguimos capacitar nossos quadros e prover uma resolutividade maior e mais rápida para nossos usuários uma vez que são avaliados em tempo real com especialistas que auxiliam na condução de seus casos. Todas as ações descritas e realizadas até o momento atenderam às normas éticas e legais vigentes, principalmente no que concerne à presença de dois médicos: um ao lado do paciente e discutindo a situação clínica com o outro médico localizado em espaço geográfico diferente. Destacamos que os objetivos da consulta colaborativa e de todo o processo são explicados previamente ao paciente ou seu responsável legal, que autorizam a realização. Existe uma preocupação muito grande com a confidencialidade e com a preservação do sigilo das informações dos pacientes.


Para realização desses procedimentos temos toda a equipe de profissionais da enfermaria de Clínica Médica do HUL, juntamente com os residentes do programa de Clínica Médica do HUL (coordenado pela Gerência de Ensino e Pesquisa do HUL) e o Setor de Gestão de Processos e Tecnologia da Informação dos dois HUs. Ainda temos a Unidade de Telessaúde do HU de Aracaju e médicos especialistas do HU agindo para que o projeto transcorra em sua normalidade e sucesso.

Estamos em um importante momento de discussão sobre a utilização e alcance da telemedicina com os profissionais e a sociedade se debruçando sobre sua regulação, usos e limites. Independente dos normativos a serem estabelecidos, a telemedicina e o conjunto de tecnologias envolvidas estão sendo progressivamente incorporados às práticas e rotinas de trabalho trazendo importantes avanços nos cuidados em saúde.



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Por Eugênio Nascimento
14/02
16:57

Novas tecnologias em saúde: a telemedicina na UFS

A telemedicina basicamente pode ser descrita como o uso de modernas tecnologias de informação e comunicação para auxiliar no cuidado da saúde das pessoas, onde a distância seja um fator crítico. Possibilita a troca de informações entre médicos e outros profissionais de saúde com seus pacientes para facilitar o diagnóstico, o tratamento e a prevenção de doenças e agravos à saúde e, com recentes avanços, a realização de procedimentos. No mundo inteiro, com peculiaridades devendo ser observadas em relação ao arcabouço legal, tem salvado muitas vidas por encurtar as distâncias e levar o conhecimento técnico especializado a locais onde não existem esses profissionais.

A UFS foi pioneira no Estado de Sergipe e esteve na vanguarda do uso dessas tecnologias e se prepara para coloca-las à disposição dos futuros profissionais de saúde. Eles precisam saber da existência das tecnologias disponíveis e, em suas formação técnica, limitações legais e alcance nos cuidados em saúde.


No ano de 2013 a UFS iniciou um projeto piloto vinculado a uma ação mundial com a Cisco Systems denominado “Connected Healthy Children”, coordenada pelo Prof. Dr. Mario Adriano dos Santos. Neste projeto, utilizou-se da telepresença e de consultas colaborativas (com médicos nas duas localidades). Clínicas de saúde da família localizadas nos municípios de Lagarto e Tobias Barreto receberam equipamentos e conectividade para que pudessem transmitir áudio e vídeo em alta resolução e se conectarem com o Hospital Universitário de Sergipe, onde especialistas prestaram apoio específico aos médicos da Estratégia de Saúde da Família - ESF. A comunicação em tempo real, com imagem e som, além da disposição dos ambientes, permitiu que ambas as equipes compartilhassem virtualmente o mesmo local, apesar da distância que os separava. Especialistas e responsáveis pela ESF encurtaram as distâncias e, juntos, minimizaram o sofrimento decorrente dos grandes deslocamentos, além de produzirem impactos no absenteísmo escolar das crianças atendidas e redução de perdas de dias de trabalho de seus familiares.


Diversos outros impactos foram primariamente identificados, pois os municípios e familiares costumam ter gastos com deslocamentos, abrigo e alimentação de pacientes e familiares, além do absenteísmo citado.


Quando colocamos à disposição do médico generalista um especialista, através da Telemedicina, que avaliava a criança juntamente com ele, identificamos uma marcante redução nas solicitações de avaliações presenciais nas duas especialidades pediátricas que participaram do projeto, com nenhuma criança necessitando o posterior deslocamento para o serviço especializado em Aracaju.


Outro ponto relevante que destacamos foi a redução no tempo necessário a tomada de decisões, uma vez que as crianças tiveram seus planos terapêuticos implementados logo após a consulta na clínica de saúde da família, com o generalista incorporando, quando cabíveis, medidas discutidas com o especialista.


A presença das tecnologias de informação e comunicação em rincões e lugares distantes merece destaque, também, na redução de custos na capacitação dos profissionais realizada de forma direta em cursos formais e indireta, nas discussões para a solução dos casos específicos.


Atualmente a UFS, que dispõe de dois Hospitais Universitários, continua utilizando a tecnologia em benefício da população atendida. O Hospital Universitário de Lagarto atende uma elevada demanda de usuários (em torno de 160 pacientes de clínica médica por dia) e seu corpo clínico ainda está sendo formado. O Hospital Universitário de Aracaju possui um corpo de especialistas maior e para dar uma continuidade e maior celeridade aos processos no HUL utilizamos a telemedicina para os pacientes internados na Clínica Médica quando identificada a necessidade de uma avaliação de especialistas nas seguintes áreas clínicas: dermatologia, hematologia e pneumologia. 


Como dispomos de programa de residência médica em Clínica Médica, os nossos residentes acompanham os pacientes para as consultas colaborativas com os especialistas. Mais uma vez denotamos que conseguimos capacitar nossos quadros e prover uma resolutividade maior e mais rápida para nossos usuários uma vez que são avaliados em tempo real com especialistas que auxiliam na condução de seus casos. Todas as ações descritas e realizadas até o momento atenderam às normas éticas e legais vigentes, principalmente no que concerne à presença de dois médicos: um ao lado do paciente e discutindo a situação clínica com o outro médico localizado em espaço geográfico diferente. Destacamos que os objetivos da consulta colaborativa e de todo o processo são explicados previamente ao paciente ou seu responsável legal, que autorizam a realização. Existe uma preocupação muito grande com a confidencialidade e com a preservação do sigilo das informações dos pacientes.


Para realização desses procedimentos temos toda a equipe de profissionais da enfermaria de Clínica Médica do HUL, juntamente com os residentes do programa de Clínica Médica do HUL (coordenado pela Gerência de Ensino e Pesquisa do HUL) e o Setor de Gestão de Processos e Tecnologia da Informação dos dois HUs. Ainda temos a Unidade de Telessaúde do HU de Aracaju e médicos especialistas do HU agindo para que o projeto transcorra em sua normalidade e sucesso.


Estamos em um importante momento de discussão sobre a utilização e alcance da telemedicina com os profissionais e a sociedade se debruçando sobre sua regulação, usos e limites. Independente dos normativos a serem estabelecidos, a telemedicina e o conjunto de tecnologias envolvidas estão sendo progressivamente incorporados às práticas e rotinas de trabalho trazendo importantes avanços nos cuidados em saúde.

Angelo Roberto Antoniolli



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