09/07
19:06

Luzes! Ação! Abram os olhos: a coerência sumiu!

Cezar Britto
Advogado do escritório Cezar Brito Advogados Associados

Cuidará esta crônica da narrativa vencedora de um animado debate sobre a influência do cinema na formação jurídica dos profissionais do direito.

Nesta semana participei de um animado debate sobre a influência do cinema na formação jurídica dos profissionais do direito. Cada um dos participantes escolhia um filme e explicava a todos como o aplicou em algum caso defendido ou até como inspiração de tese. Não faltaram filmes e exemplos, destacando-se: Doze Homens e uma sentença (1957), Kramer vs. Kramer (1970), O Advogado do Diabo (1977), A testemunha (1985), A firma (1993), Filadélfia (1993), Um sonho de liberdade (1994), O Cliente (1994), O informante (1999), Hurricane – o Furacão (1999), Erin Brockovich: Uma mulher de talento (2000), O Mercador de Veneza (2004) e Terra Fria (2005). Eu ia escolher o imperdível Amistad (1997), quando me lembrei de que já tinha praticado a estratégia utilizada pela advogada Jennifer Park, no filme a Ira dos Anjos (1983).

E antes que esperem que eu revele aqui as partes narradas no debate, esclareço que a minha alma de cinéfilo me impede de praticar um spoiler. Mas devo contar a estratégia que fora vencedora, baseado no fantástico filme Tempo de Matar (1996). Incorporando o advogado Jake Tyler Brigance, quando defendia Carl Lee da acusação de homicídio e de lesões corporais graves, em razão de tiros deferidos contra os assassinos e estupradores de sua filha. E também aqui encerram os comentários sobre o filme dirigido por Joel Schumacher.

Pois bem! Cuidará esta crônica da narrativa vencedora, como ela fora posta pelo participante do nosso colóquio cinéfilo-jurídico. Pediu-nos ele que fechássemos os nossos olhos e pensássemos em algum órgão público, não importando a esfera ou o tamanho. Pediu, ainda, que imaginássemos como seria a nossa reação jurídica se os fatos narrados fossem verdadeiros e quais medidas judiciais seriam cabíveis. Ainda explicando a necessidade dos olhos cerrados, solicitou a nossa concentração e começou a contar a história aqui transcrita:

– Imaginem um órgão público que sempre foi respeitado por sua coerência e zelo com a coisa pública, sendo paradigma para todo o Brasil – instigou o narrador. – Agora pensem que para ele, sem qualquer pré-aviso, um dos seus integrantes propusesse e tivesse aprovado uma resolução extinguindo oitocentos e vinte e cinco (825) cargos efetivos, preenchidos pelo constitucional, impessoal e igualitário concurso público.
– Certamente queriam economizar, o que seria coerente – respondeu um dos ouvintes, sem abrir os olhos em sua viagem interpretativa.
– Calma, não opinem agora! Ainda fiquemos na imaginação – seguiu, impávido, o narrador. – No mesmo ato, o proponente sugere criar oitocentos (800) cargos comissionados para as mesmas atividades, agora preenchidos pelo livre critério pessoal do gostar, sem observar as cotas para as pessoas com deficiência ou mesmo as recém decididas contas sociais...
– Aí este órgão não seria sério! – interrompeu outro participante, agora com um argumento jurídico. – Assim a sua premissa inicial estava falsa. 
– Ainda não acabei todo conteúdo da proposta – ouviu-se o sorriso alto do narrador. – Os valores desses novos cargos e como seriam preenchidos não seriam observados por critérios fixados em lei, mas por normas criadas pelo próprio órgão, sem qualquer controle externo. Agora, ainda sem abrir os olhos, pensem como todos reagiriam.
– Eu não deixaria passar nenhum projeto legislativo nesse sentido, pois é inconstitucional – disse o primeiro. – Acho até que nenhum parlamento iria aprovar, mesmo porque não iam querer abrir mão de debater valores e critérios futuros. Eles já foram proibidos de agir assim. Não vão permitir que outros façam.
– Eu mobilizaria a sociedade e a entidade sindical deles – complementou outro. – O concurso público é muito importante para a lisura do cargo público, assim como a política de inclusão social pelas cotas.
– Eu levaria a questão para a OAB – registraram algumas vozes que pertenciam ao lembrado órgão de classe.
– Eu procuraria os promotores e procuradores do Ministério Público local – disseram, coletivamente, a maioria das vozes, em argumentos que se assemelhavam. – Eles têm atuado muito em casos como esses. Eles já ingressaram com milhares de ações contra vários governantes municipais, estaduais e federais que tentaram esta manobra ofensiva. Eles têm experiência em ação civil pública e não perdoam a farra com dinheiro público. Eles sempre defenderam os grupos vulneráreis, não deixaram que castas de amigos substituam os que efetivamente merecem ser protegidos. Eu confio na atuação do Ministério Público.

Eis que, encerrando o debate, com pausada voz de narrador trailer de filme hollywoodiano, triunfante na escolha do roteiro adaptado, traça o seu grand finale:

– Luz! Ação! Abram os olhos! Eu estou falando do Ministério Público do Estado de Minas Gerais. A coerência sumiu.

*É ainda escritor e autor de livros jurídicos, romances e crônicas.


Colunas
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Por Kleber Santos
09/07
18:36

Coluna Primeira Mão

JB com Lula

Na sexta-feira, 07, antes de embarcar para 15 dias de férias, o governador Jackson Barreto reuniu-se com o ex-presidente Lula, no Instituto Lula, em São Paulo. Na pauta, política e economia e perspectivas de desenvolvimento para país e para Sergipe. O ex-deputado federal e vice-presidente do PT, Márcio Macedo, acompanhou o encontro. Jackson Barreto relembrou os momentos de luta pela redemocratização do país ao lado de Lula e de diversos companheiros. "Lula falou da importância de unirmos as forças progressistas em torno de um projeto que seja capaz de tirar o Brasil dessas dificuldades, mas garantindo os direitos e conquistas do povo", disse o governador. Jackson Barreto ficou impressionado como Lula está atualizado sobre a política no Nordeste, avaliando os cenários e as possíveis composições partidárias para unificar um projeto para 2018. "Ele fez um apelo para que eu não deixasse a vida pública. ?O verbo desistir não é para você, disse Lula?, indagando-me se eu vou deixar o governo para ficar sentado em casa

Ficar de olho

Não seria má ideia as duas emissoras privadas de TV terem correspondentes em Brasília, para fazer a cobertura das atividades parlamentares dos políticos sergipanos na capital federal. Fala-se que muitas verbas disponíveis para estado e municípios em diversos ministérios deixam de requeridas por falta de empenho de certos representantes sergipanos.

Planejamento

Muitos economistas sergipanos têm defendido a volta do planejamento estatal em Sergipe. Não precisa ser nos velhos termos do CONDESE. A política econômica dos nossos governais estaduais parece ser muito carente de racionalidade. Aplica-se dinheiro sem critérios conhecidos de prioridade.

Aracaju/Buenos Aires

Setores da nossa classe média estão contentes com notícia de que em breve haverá vôo direto entre Aracaju e Buenos Aires. Argentinos podem não vir a Aracaju, mas a capital portenha deverá ficar cheia de sergipanos.

Greve aquece

As duas últimas greves gerais serviram para "aquecer" a economia sergipana. Isso pôde ser observado pelo grande número de pneus queimados nas avenidas e estradas. Segundo apurou esta coluna, atualmente há uma escassez de pneus carecas e danificados nas oficinas e borracharias de Aracaju. Os donos desses negócios dizem que estão reabastecendo os seus estoques de pneus imprestáveis com a compra deles em cidades do interior.

Quarto governador

No próximo mês de abril, Simão Dias emplacará o seu quarto governador sergipano, o político Belivaldo Chagas. Isso acontecerá porque naquele mês, o atual governador JB se afastará da governadoria para se candidatar a uma vaga no Senado. Antes de Belivaldo Chagas, Simão Dias forneceu os governadores Celso de Carvalho, Antônio Carlos Valadares e Marcelo Déda.

Emancipação

Neste sábado, Sergipe faz mais um aniversário de sua independência política. É uma unidade política da federação brasileira que, até hoje, tem sido muito dependente financeiramente do Estado federal. Se não fizesse parte dessa federação equivaleria a um daqueles pequenos estados da América Central.

Bancários

Aracaju vai sediar a 19ª Conferência Interestadual dos Bancários da Bahia e Sergipe, nos próximos dias 15 e 16. O senador e jornalista Roberto Requião (PMDB) fará a palestra de abertura do evento, com o tema ?A defesa de um projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil?. A solenidade, aberta ao público, será no dia 15, às 9h, no Mercure ? Delmar Hotel, localizado na Avenida Santos Dumont 1500, na Orla da Atalaia. Segundo a presidenta do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE) Ivânia Pereira a Interconferência reunirá cerca de 300 bancários e bancárias dos dois estados.

Um ano de atraso

O Grupo João Santos, que produz o Cimento Nassau, está praticamente paralisado, mas não encerrou as suas atividades em Sergipe. Aos empregados que ainda restam, o grupo paga mensalmente R$ 300 ou R$ 400, isso referente a 2016. O ano de 2017, que começou em janeiro último, deverá ter início, para essa empresa, somente em 2018.

Sem laboratórios

Comentários feitos por funcionários da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) dão conta de que o órgão está funcionando nos últimos quatro ou cinco meses sem laboratórios e faz o "repeteco" de velhas pesquisas das condições de balneabilidades das águas dos rios e praias de Sergipe. É demais.

15 minutos

A lei municipal que obriga os bancos a atenderem os usuários de seus serviços em no máximo 15 minutos não é cumprida e virou um filão para quem quer conseguir alguns trocados via denúncias nos Procons ou diretamente nas pequenas causas judiciais. Muita gente tem usado e abusado disso.

Jackson e Valadares juntos?

Esse afastamento do PSB em relação ao Governo do Presidente Michel Temer e o maus tratos que JB vem recebendo do governo federal reaproximarão os dois políticos sergipanos?



Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
09/07
12:52

Uma conquista com gosto de derrota

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

Os preços ao consumidor no mês de junho registraram a primeira deflação em onze anos. A última vez que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) havia apresentado recuo mensal foi em junho de 2006. Alimentação e bebidas e Habitação foram os dois grupos de preço que mais contribuíram para a queda do índice, mas os demais grupos ou se mantiveram estagnados ou apresentaram incrementos próximos a zero. Com o resultado de junho, o IPCA em doze meses subiu 3,0%, o limite inferior da meta de inflação para 2017. A profunda recessão em que se encontra economia brasileira produziu esse resultado, só aparentemente positivo. 

A título de reduzir a inflação e de perseguir o ajuste fiscal, as políticas monetária e fiscal quebraram intencionalmente a espinha dorsal do mercado de trabalho. Entre as alternativas disponíveis para recolocar a inflação em patamar mais bem comportado optou-se por produzir desemprego com o propósito principal de conter os preços dos bens não comercializáveis, aqueles que não sofrem diretamente a competição de produtos importados, muito particularmente nos segmentos de serviços em que a remuneração do trabalho é a referência básica dos preços cobrados. 

Pelos menos desde 2015 que alguns experts de forma disfarçada e outros declaradamente, como o professor da FGV Samuel Pessôa, têm argumentado em favor de quebrar o poder de barganha dos prestadores de serviço como um elemento central para conter os preços e ajustar a demanda ao produto potencial. Com os últimos resultados do IPCA vai ser difícil sustentar que a política de juros do Banco Central não errou a dose, causando sofrimentos desnecessários e gerando fortes desequilíbrios nas finanças públicas e privadas. A queda da inflação é a típica vitória de Pirro, uma conquista com gosto de derrota.

Diante do impacto da recessão sobre as receitas públicas e o desemprego causado além do estimado, alguns desses experts deverão ajustar o próprio discurso, propondo acelerar a redução dos juros nominais, mas jamais reconhecerão minimamente o desastre que produziram. É sempre possível atribuir a responsabilidade pela eliminação de mais de dois milhões de empregos formais e de deixar catorze milhões de brasileiros sem ocupação ao desequilíbrio fiscal promovido pelo governo anterior ou aos atuais desarranjos do mundo político; mas difícil será reconhecer as consequências do overshooting da política de juros altos.

Preços represados
Ao final de 2013, a inflação apresentava-se aparentemente comportada, com o IPCA alcançando 5,9%, mas havia muita pressão de preços contida. Os chamados preços monitorados, que incluem tarifas de energia elétrica, de gasolina e botijão de gás, entre outros, acumulavam fortes defasagens e naquele ano haviam subido apenas 1,5% (ver Gráfico 1), com custos fiscais muito elevados para o governo central e causando pressão sobre a rentabilidade da Petrobras. De outra parte, a manutenção do real valorizado funcionava como um subsídio aos preços de produtos importados, à custa da rentabilidade dos setores produtores dos bens comercializados, notadamente os bens industrializados, com efeitos potencialmente desestabilizadores sobre o balanço de pagamentos. 

Ao assumir o comando da economia em novembro 2014, o futuro ministro Joaquim Levy implementou um programa de correção dos preços artificialmente contidos, promovendo um choque nos preços monitorados e intensa de desvalorização da moeda nacional. O impacto sobre os preços e sobre o poder de compra da população foi imediato e revelou-se muito maior do que o dimensionado pelo governo, jogando o país na recessão. Ao final de 2015, os preços monitorados que haviam aumentado 5,3% em 2014 se elevaram em 18,1% e os preços dos produtos comercializáveis saltaram de 6% para 8,3%.

Apesar da recessão já muito intensa em 2015, a elevação dos preços dos bens e serviços não comercializáveis manteve-se em aceleração, diante de um mercado de trabalho que até então resistia à retração da demanda, e atingiu 8,7% no ano (Gráfico 2). Com a correção dos preços reprimidos e a mudança do patamar do câmbio, o IPCA de 2015 subiu 10,7%, causando apreensão nos mercados. 

Desemprego e queda da inflação
Depois do choque intencional de preços, havia o risco dos mecanismos de propagação elevar o patamar do IPCA em relação ao padrão anterior, mas, mesmo na pior hipótese, o resultado de 2015 não seria repetido nos anos seguintes, posto que parte dos aumentos se dissiparia, não sendo incorporado pelos mecanismos de indexação, em um mercado fortemente recessivo e marcado pela contenção do poder de compra da população. 

Dissipados progressivamente os efeitos dos choques de preço e frente à intensa deterioração do mercado de trabalho, todos os grupos de preços passaram a apresentar desaceleração no segundo semestre de 2016. Ao final do ano, o incremento do IPCA caiu para 6,3 e chegamos em junho de 2017 com índice de doze meses em 3,0%.  A queda da inflação para o limite inferior da meta de inflação reflete a intensidade da recessão no mercado de trabalho. Não é um resultado a ser comemorado. Cabe agora correr contra o prejuízo.
  


*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
09/07
12:00

A Orelha do Cachorro

José Lima Santana
Professor da UFS

“Gostar de conversa mole, eu não gosto. Sou daqueles cabras do tipo pé de boi, marrento, cosquento, amuado e lá se vai. Não sou de bulir com ninguém, mas espero que ninguém bula comigo. Do contrário, o carvão pega fogo sem querosene e sem sopro de bochechas. Sou assim. Nasci assim. E assim hei de morrer. Sou do bem. Só gosto de gente do bem. Não molesto ninguém, nem um bichinho de Nosso Senhor. Cachorro, então, é bicho de grande valia para mim. Naçãozinha de bicho amigueiro está ali. Cachorro é bicho que quase parece com gente na afeição, no agrado. Balançar o rabo, latir e se enroscar por entre as pernas da pessoa afeiçoada são modos dessa naçãozinha de bicho caseiro”. Esta fala foi de Zé de Fausto, na barbearia de Chico Nanico do finado Edgar do Taquaral, que, coitado, morreu botando sangue por tudo que era orifício lá dele, após ser picado por uma cobra coral das verdadeiras. Sim, porque tem também a cobra coral falsa, cuja picada não ofende. É o que diziam. 

Deveras e provado restava que Zé de Fausto era um sujeito brioso, dono de sua casa e de seu nariz. Trabalhador. Bom filho, bom marido e bom pai. Meter-se com a vida alheia? Jamais. Botar os pés numa bodega, só na mais alta precisão. Demorar-se ao pé de um balcão lavado com cuspe gosmento de cachaceiro? Nunca, nunca, nunca. 
Zé de Fausto morava no subúrbio da cidade, distante da Praça da Matriz, que era o ponto mais central da cidade, coisa de um terço de légua. Casa avarandada, sítio esparramado por boas cinco tarefas de terra. Dali tirava o sustento da família, que tinha muito bem do que passar, do que comer e vestir. 

Na Praça da Matriz morava Aristides, dono de loja de tecidos e padaria. E dono, também, de boa solta de gado mestiço. Era quase vizinho de terra de Zé de Fausto. Aristides, porém, era um novato na cidade. Ali chegara há menos de cinco anos, já botando loja e padaria. A solta de gado era herança de sua mulher, que ali nascera e se criara, filha do afamado fazendeiro Benildes de Totonho Tapioca, mão de figa infeliz, que passava fome para juntar dinheiro. 

Aristides Vilela da Fonseca Pimenteira. Esse o nome de cabo a rabo do comerciante e criador de gado mestiço. Era aparentado com gente graúda da política e da justiça. Sujeito pançudo. A pança mais parecia duas barricas encangadas. Gostava de vestir ternos de linho branco, daquele linho de primeira, cuja queda da calça já mostrava a qualidade e o preço. 

O vaqueiro de Aristides, Maneco de Bastião de Margarida de Sá Dorinha, era também um bom caçador de espingarda, tocaia e arapuca. Caçava tudo que era tipo de caça, graúda e miúda. Caçava bicho de pena e de pele. E de casco também, como tatus-pebas, vezeiros em cavar defuntos, para se empanturrarem, como muita gente acreditava. Maneco tinha, então, bons cães de caça. Cachorros perdigueiros de muita valia. Um deles, que atendia pelo nome de Veludo, era achegado a Aristides. Não podia vê-lo, que logo lhe fazia graças na espera de mimos. Aristides gostava de alisar o pelo negro e aveludado do cachorro de Maneco. Aristides gostava de estumar o cão, batendo palmas: “Êcô... êcô...”. Explicando para quem não é da roça, estumar é açular, incitar, e é palavra encontrada nos bons dicionários. Não é, pois, palavra criada pelos tabaréus. 

Tarde invernosa. Há dias, chovia à vontade. Inverno tardio, mas promissor. Os pastos, em todos os lugares, estiveram no casco, na areia pura. Isso há coisa de dois meses. De lá para cá, as chuvas começaram a cair. De início, uns pés d’água ligeiros, mal e mal molhando o beiço seco da terra. Depois de três semanas naquele chove-não-molha, eis que o inverno pegou de vez. Uma grandeza de Deus! Homens, mulheres e meninos jogaram-se no plantio de milho, feijão, fava e mandioca, nos quintais, sítios e malhadas. Os pastos enverdeceram novamente. Os riachos fizeram-se rios. Estradas enlameadas dificultavam a passagem dos transeuntes. 

Naquela tarde, Zé de Fausto estava na casa de Maneco, seu vizinho. Conversavam sobre o inverno que prometia boas colheitas. Num dado momento, eis que Aristides riscou no terreiro de Maneco no Jeep azul com tração nas quatro rodas, bom danado para rodar naquelas estradas encharcadas. Ao descer do veículo, Aristides foi saudado por Veludo, que encostou as patas sujas na calça de linho branco do visitante. Quanto mais Maneco chamava Veludo e quanto mais Aristides tentava se desvencilhar do animal, mais este lhe lambuzava a calça de linho branco. “Saia daqui, seu peste!”, vociferava Aristides. Sem sucesso. A calça de linho branco de Aristides ficou com listas escuras.

Sem nada dizer, mas, fulo da vida, Aristides agarrou Veludo pela coleira e, dando cabo de uma faca, que estava no banco do passageiro, meteu-a na garganta do cachorro. O sangue espirrou na calça de linho branco, espirrou na grama verde. Maneco amarelou, agoniado. Não disse nada diante da cena grotesca. Sobre a grama verde, o corpo de Veludo, que se esvaia. Com pouco tempo, o cão bom de caça esticou a canela. 

Aristides esbravejava. O filho mais novo de Maneco, um galeguinho magricela, apegado ao cachorro, chorava agarrado na saia da mãe. 

Até então, Zé de Fausto estava quieto. Enquanto Aristides tentava limpar-se com um lenço, Zé de Fausto sacou da cintura uma faquinha de cortar sola, pois ele mesmo fazia suas alpercatas e as dos meninos, e cortou uma orelha do cachorro Veludo. Nisso, aproximou-se de Aristides, encostou a faquinha em sua goela e disse: “Um cabra que mata um cachorro desse jeito, cachorro também é. Cachorro gué do rabo fino. Você vai comer esta orelha. Engula sem fazer careta!”. Aristides gaguejou. A faquinha já riscando a pele do seu gogó. Um filete de sangue saindo. “Engula, seu gordo fio duma porca parideira!”. Zé de Fausto apertou mais ainda a faquinha na goela de Aristides. 

No fim daquela tarde, muita chuva caiu. Invernão. 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
08/07
22:49

Jackson e Lula conversam sobre conjuntura política e econômica do país

Antes de embarcar para 15 dias de férias, o governador Jackson Barreto
reuniu-se com o ex-presidente Lula, no Instituto Lula, em São Paulo. Na
pauta, política e economia e perspectivas de desenvolvimento para país e
para Sergipe. O ex-deputado federal e vice-presidente do PT, Márcio Macedo,
acompanhou o encontro.

Jackson Barreto relembrou os momentos de luta pela redemocratização do país
ao lado de Lula e de diversos companheiros. "Lula falou da importância de
unirmos as forças progressistas em torno de um projeto que seja capaz de
tirar o Brasil dessas dificuldades, mas garantindo os direitos e conquistas
do povo", disse o governador.

Jackson Barreto ficou impressionado como Lula está atualizado sobre a
política no Nordeste, avaliando os cenários e as possíveis composições
partidárias para unificar um projeto para 2018. "Ele fez um apelo para que
eu não deixasse a vida pública. ‘O verbo desistir não é para você, disse
Lula’, indagando-me se eu vou deixar o governo para ficar sentado em casa.
Quis ouvir de mim um compromisso sobre uma possível candidatura ao Senado
Federal, pois ele avalia que um governo progressista irá necessitar mais do
que nunca de um Congresso Nacional que apoie as decisões que beneficiem o
povo e não um apoio para que o governo possa atrofiar os direitos
históricos conquistados pelo povo, mas para ampliá-lo" explicou Jackson.

Lula disse ao governador que quer visitar Sergipe no final do mês de agosto
e pediu que fosse preparada uma agenda para ele. "Quando eu voltar da minha
viagem, irei sentar com a presidente do PT em Sergipe, Rogério Carvalho, e
vamos discutir uma agenda. Disse a Lula que acho que ele deve ir em
Lagarto, conhecer o Campus da Universidade Federal na área da saúde, que
ele criou para os filhos do povo. Acho que ele deve visitar também
Itabaiana e Nossa Senhora de Glória, para fazer um ato unificado para o
sertão. São ideias que vamos discutir com os companheiros", explicou
Jackson.

O governador disse também que conversou sobre o trabalho de Rogério
Carvalho na unificação de apoios em torno de um projeto progressista.
"Falei do papel de Rogério como presidente estadual do PT, que muito tem
nos ajudado. Lula ficou surpreso e feliz em saber que o secretário de
Agricultura do Estado é um assentado do MST. Esmeraldo Leal tem feito um
grande trabalho e consegue ser respeitado e reconhecido tanto pelos
movimentos populares, como pelos agentes do agronegócio", disse.

Ao final, os dois se despediram com o compromisso de aprofundarem as
conversas no final de agosto em Sergipe.

Foto: RICARDO STUCKERT


Política
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Por Kleber Santos
08/07
22:48

Lançamento do livro “O Cristão e o Tabernáculo” reúne grande público

O presidente do Banese, Fernando Mota, compareceu ao lançamento do livro de Gilvan de Sousa / Fotos: Luis Mendonça

Novo evento literário contou com o apoio cultural do Instituto Banese e do Museu da Gente Sergipana

O bancário, teólogo e escritor Gilvan de Sousa realizou na noite da última quinta-feira, 6, o lançamento do seu novo livro “O Cristão e o Tabernáculo”. O evento, realizado no Museu da Gente Sergipana, contou com a presença do presidente do Banco do Estado de Sergipe (Banese), Fernando Mota, e muitos funcionários do banco, além de parentes e amigos do escritor.

De acordo com Francisco Santos, diretor Administrativo e Financeiro do Instituto Banese, que administra o Museu da Gente Sergipana, a noite de autógrafos do escritor foi muito movimentada. “Recebemos de braços abertos o nosso amigo Gilvan de Sousa para o lançamento desse seu trabalho literário, ele que além de religioso, um teólogo, é também um pesquisador. Foi uma noite de gala, com a presença de um grande público”, acentuou.

O livro “O Cristão e o Tabernáculo” tem 112 páginas e foi impresso na Gráfica J. Andrade, de Aracaju. A obra, segundo o autor, procura trazer, numa linguagem compreensiva a todos os leitores, a aplicabilidade da simbologia do Tabernáculo, demonstrando didaticamente que cada peça, cor, número, medidas e rituais têm um significado prático para a vida cristã na atualidade.
Gilvan de Sousa é teólogo e pedagogo, pós-graduado em Didática e Metodologia do Ensino Superior. Funcionário do Banese, onde ocupa o cargo de superintendente de Auditoria, é também pastor na Comunidade Tempo de Vida, em Aracaju, e autor do livro Liturgia de Ceremonias, escrito na língua espanhola e publicado no Chile em 2005, além de co-autor do livro “Desafios da Formação de Professores para o Século XXI”, abordando o tema “Da Teoria à prática escolar”, publicado pela Editora UFS – Universidade Federal de Sergipe, em 2009.


Variedades
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Por Kleber Santos
08/07
21:10

Turismo religioso pode ser boa opção para SE

Eugênio Nascimento

 

Não nutro simpatia por nenhuma religião. Mas entendo que é preciso reconhecer a força das igrejas no sentido de movimentar multidões em todo o mundo. Mexe com corações e mentes.  Sei que a fé, para muita gente, move montanhas,  e é capaz de movimentar pouco mais de R$ 80 bilhões no turismo mundial, como acontece em cidades como Santiago de Compostela (Espanha), Fátima (Portugal), Lourdes (França), Aparecida do Norte/Louvações a Nossa Senhora Aparecida – SP/Brasil, Belém/Círio de Nazaré – PA/Brasil e outras espalhadas pelo mundo.  

Os dois eventos brasileiros citados no primeira parágrafos e uma série de outros movimentam no Brasil R$ 15 bilhões, segundo o Ministério do Turismo. O Brasil oferece aos brasileiros e estrangeiros a Festa de Bom Jesus dos Navegantes (Aracaju - Sergipe)., Festa dos Santos Reis (Carpina, Pernambuco), Festa do Bonfim (Salvador, Bahia), Festa de São Sebastião (Serra, no Espírito Santo), Festa de Iemanjá (Salvador, Bahia), Semana Santa (em todo o Brasil), Festa de Nossa Senhora dos Prazeres (Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco), Festa de Nossa Senhora da Penha (Vila Velha, no Espírito Santo), Festa de Divina Pastora (Divina Pastora-SE)Festa de São Benedito (Cuiabá, Mato Grosso), Festa de Nossa Senhora da Piedade (Macapá, no Amapá), Festa de Nossa Senhora das Neves (João Pessoa, na Paraíba), Romaria de Bom Jesus da Lapa (Bom Jesus da Lapa, na Bahia), Festa de Senhor dos Passos (São Cristóvão-SE), Festa de São José de Ribamar (São José de Ribamar, no Maranhão), Festa do Rosário (diversos municípios de Minas Gerais), Festa do Padre Cícero (Juazeiro do Norte, no Ceará), Festa de Santa Bárbara (Salvador, na Bahia), Festa de Nossa Senhora do Rocio (Paranaguá, no Paraná) e a Festa do Santo Cristo de Ipojuca (Ipojuca, Pernambuco); Essas são as mais conhecidas

A motivação para escrever este comebntário foi a iniciativa do deputado estadual Moritos Matos de promover audiência pública para colocar o tema turismo religioso em debate, na Assembleia Legislativa.  O parlamentar adotou uma excelente postura ao dar esse passo no sentido de puxar as discussões sobre um assunto que sempre esteve aí, escancarado, mas que ninguém ousou colocar em pauta. Esse tipo de turismo pode se tornar um filão para o Estado. Mas vale lembrar que Sergipe não tem sequer  um calendário de turismo religioso. Se buscar avançar na área, pode atrair parte dos R$ 15 bilhões. Turismo religioso também envolve lazer, descanso e a acolhida.

O turismo religiosos é  bom também  para divulgar o patrimônio de todos os tipos de religiões (igrejas, terreiros, praças, parques e conventos) e as cidades que os possuem. Isso representa dizer que seria ótima iniciativa para São Cristóvão, Laranjeiras, Estância, Aracaju, Itaporanga D’Ajuda, Propriá, Itabaiana, Lagarto e Tobias Barreto. Sergipe tem condições de se tornar uma opção. Basta que ocorra divulgação dos eventos dentro do círculo religiosos e isso contar com uma força do Ministério do Turismo e a sua Embratur.

Moritos Matos é autor do Projeto de Lei – PL nº 26/2017 que dispõe sobre a instituição e diretrizes para o Turismo Religioso no Estado de Sergipe. E com seguiu atrair ´para a audiência pública que promoveu junto com a Alese o secretário Estadual do Turismo, Fábio Henrique, representando o governador Jackson Barreto, o reitor da Paróquia Santuário Nossa Senhora Divina Pastora, padre Helelon Bezerra dos Anjos, representando o Arcebispo Dom José Costa, o representante do Islamismo em Sergipe, Alan Alexander Mendes Lemos, o prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, o diretor da Catedral Viagens, Claudemir de Oliveira e a diretora de Turismo, Cassandra Teodoro, representante da Prefeitura do Município de Laranjeiras. O tema despertou interesse e tomara que não fique apenas por aí.



Política
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Por Eugênio Nascimento
08/07
12:25

SECA - Gararu, Tobias Barreto, Lurdes e Poço Redondo têm emergência reconhecida

O Ministério da Integração Nacional reconheceu ontem, sexta-feira, 07,  a situação de emergência nos municípios de Tobias Barreto, Poço Redondo, Gararu, e Nossa Senhora de Lourdes, que estariam ainda enfrentando os efeitos da seca que atinge a população desde o início deste ano.  A iniciativa ministerial garante o acesso de prefeituras às ações de apoio para socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais e recuperação de áreas danificadas. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e tem um prazo de vigência de 180 dias, ou seja seis meses.



Política
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Por Eugênio Nascimento
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