20/11
16:01

Eleição do Conselho Regional de Contabilidade poderá ser decidida na Justiça


A eleição para nova mesa diretora do Conselheiro Regional de Contabilidade de Sergipe (CRC-SE), que acontece das 8 horas desta terça-feira, 21, até às 18 horas de quarta-feira, 22, está agitada e promete ser decidida na Justiça. Os contabilistas Vanderson Melo e Alaelson Cruz encabeçam, respectivamente, as chapas 1 e 2. Contudo, o registro da chapa 2 foi indeferido pela Comissão Eleitoral do CRCs por quatro candidatos da chapa não preencherem o requisito de elegibilidade, mas a Chapa 2 conseguiu o mandado de segurança para participar do pleito.
Apesar do mandado da Justiça Federal em Sergipe, cujo processo é de número 0805905-89.2017.4.05.8500, representantes da Chapa 2 denunciam que, pelo menos, até o início da tarde desta segunda-feira, 20, a Chapa 2 não constava no site do pleito: https://www.eleicaocrc.org.br, onde os contabilistas farão a votação virtual. Por outro lado, os nomes dos representantes da chapa 1 já estão inseridos. “Tal atitude impede a visibilidade no sistema de votação servindo apenas como propaganda indireta da chapa da situação, chapa essa apoiada pela atual presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Sergipe”, diz nota emitida pela Chapa 2, nessa segunda-feira.
Pelo lado da direção do CRC-SE, uma nota publicada no site informa que, inicialmente, quatro candidatos da Chapa 2 estavam irregulares por sofrerem punição do Conselho em processo ético ou disciplinar, nos últimos cinco anos. Após ser notificada, a Chapa 2 teria substituído apenas dois candidatos. Com isso, o processo subiu para Conselho Federal de Contabilidade, que manteve o indeferimento. Sobre ação judicial, o CRC-SE garante que está “à inteira disposição do Judiciário para prestar os esclarecimentos devidos e cumprir suas determinações”.


Variedades
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Por Kleber Santos
19/11
17:35

Livro de Ibarê expõe biografia do ex-governador Leandro Maciel

O cientista político Ibarê Costa Dantas está ultimando os preparativos para lançar o livro “Leandro Maynard Maciel na politica do século 20”. Trata-se de uma biografia do ex-governador Leandro, nascido em Rosário do Catete (SE) em 8 de dezembro de 1897, filho de Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel e de Ana Maynard Maciel. O pai, abastado senhor de engenho em Sergipe, foi político militante desde 1871. O lançamento acontecerá no dia 6 de dezembro próximo, às 17h, no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju.



Política
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Por Eugênio Nascimento
19/11
16:23

A atribulada retomada da ocupação

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

Os dados da PNADc do terceiro trimestre de 2017 confirmam que a ocupação da força de trabalho vem aumentando, mas o mercado de trabalho permanece muito fragilizado, devendo demorar muitos trimestres até que a taxa de desocupação se situe abaixo de 10%. Até o momento, não dá para falar ainda em copo meio cheio meio vazio. 

Surpreende a velocidade de transformação no mercado de trabalho brasileiro. Entre o segundo e o terceiro trimestres de 2017, um milhão de pessoas encontrou algum tipo de ocupação no Brasil. 

A recuperação da ocupação vem ocorrendo muito desbalanceada no que se refere à posição das pessoas no mercado de trabalho. Cerca de 2/3 das novas ocupações nessa comparação com o trimestre imediatamente anterior eram de pessoas que trabalhavam por conta própria (37,9%) ou em empregos no setor privado sem carteira assinada (27%).  

No trimestre, o emprego formal no setor privado recuou 2,4%, ou 31 mil vínculos, mas na maioria dos setores de atividade é razoável inferir que esse tipo de vínculo parece ter atingido ou estar próximo de chegar ao fundo do poço, com problemas concentrados em duas atividades: agropecuária e construção civil.

O principal fato novo no 3º trimestre foi o incremento da ocupação na construção civil, mas, aparentemente, o aspecto sazonal deve ter prevalecido, não havendo clareza que a ocupação no segmento vá começar a recuperar a partir de agora.

Posição na Ocupação
Ainda falta muito para que o mercado de trabalho reponha as ocupações perdidas e crie oportunidades para os novos contingentes de jovens que buscaram uma colocação no mercado de trabalho nos últimos três anos. A PNAD do terceiro trimestre constatou que 13 milhões de pessoas estavam desocupadas no Brasil, frente às 6,7 milhões de pessoas nessa situação no 3º trimestre de 2014.

Considerando apenas a reposição nas ocupações perdidas, há muito ainda a caminhar, com situações diversas de acordo com a posição na ocupação e do setor de atividade, como veremos nas tabelas a seguir. 

A coluna A da Tabela 1 mostra que 1.462 mil pessoas encontraram ocupações entre o 3º trimestre de 2017 e o mesmo período de 2016. Foi o primeiro resultado positivo nessa comparação anual. Em relação ao pico em 2014, a ocupação no 3º trimestre de 2017 é ainda inferior em 972 mil pessoas (Coluna C).
Observe-se que a redução do contingente de pessoas ocupadas no 3º trimestre atingiu seu ponto máximo em 2016, quando em relação a 2014 haviam sido eliminadas 2,4 milhões de ocupações. 

Em todos os sentidos, foi notável o esforço feito pela população brasileira para buscar alternativas de sobrevivência em uma economia em profunda recessão, mesmo que em posições precárias de ocupação, como trabalhador por conta própria ou aceitando vínculos empregatícios informais. 

O quadro do mercado de trabalho formal no 3º trimestre de 2017 permaneceu muito precário. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (Coluna A da Tabela 1), o número de pessoas com emprego formal no setor privado havia recuado em 810 mil pessoas, o que é um contingente ainda muito expressivo. Na comparação com o volume de pessoas ocupadas no 3º trimestre de 2014 (Coluna C da Tabela 1), a quantidade de pessoas ocupadas com vínculo formal no setor privado havia decrescido em 3,6 milhões.

Parcela expressiva dessas pessoas buscou, nessa comparação, ocupação por conta própria (1,4 milhão de pessoas), emprego sem carteira (655 mil pessoas), como empregador ou em trabalho doméstico.

Ocupação setorial

A Tabela 2 mostra comparação similar do ponto de vista do setor de atividade. Na comparação com o mesmo trimestre de 2016 (Coluna A), apenas o setor agropecuário e a construção civil contavam com contingentes menores de pessoas ocupadas no 3º trimestre e 2017. 

Na comparação com o 3º trimestre de 2014, há perdas expressivas de ocupação em atividades muito importantes com destaque para a indústria de transformação, com menos 1,4 milhão de pessoas ocupadas, e a construção civil, menos 741 mil pessoas ocupadas, considerando tantos os vínculos formais quanto os informais.
Para onde essas pessoas se dirigiram em busca de alternativas de subsistência?  Na comparação com a situação de igual trimestre de 2014, para ocupações por conta própria, como empregados sem carteira, ou como empregadores; no segmento de alimentação e alojamento, no setor de transporte, no comércio, nos serviços domésticos e outros serviços e na administração pública.  

Os dados da PNADc do 3º trimestre de 2017 parecem sinalizar que a recuperação do mercado de trabalho deverá seguir desbalanceada em termos setoriais e de posições na ocupação. E que muita água deverá rolar até que o emprego formal possa voltar a crescer em ritmo intenso. 


*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
19/11
16:20

A prisão do cavalo

José Lima Santana
Professor da UFS

O fato não se deu nos dias de hoje. Nem de ontem. Foi no tempo pratrasmente de trasantontem. Início da década de 1950. Naquele tempo, o delegado de polícia era um oficial reformado da briosa Polícia Militar. Era outro tempo. Diverso do tempo de hoje, bem mais civilizado. Aconteceu, nas Varas Verdes do Chapadão, cidadezinha mixuruca espremida entre a Serra do Castelo e a Serra do Corisco. Um cavalo foi preso. Alguns, para aliviar a barra do vexame, que se tornaria nacional e internacional, disseram (in) justificadamente, que tudo não passou de uma detenção, e não prisão. Outros, ciosos para com a Briosa, disseram que o que houve mesmo foi apenas a apreensão do representante da espécie equina. 

O fato inusitado correria trechos e ruas. Cidades e estados. Países até. Uma muvuca da desgraça. A oposição feita pela UDN ao governo do PSD, tanto no município, quanto no estado, lavou a égua de tanto explorar entre gargalhadas e comentários desvairados a prisão do cavalo.
Tudo se deu quando, numa cavalgada, o dito cavalo espantou-se, à aproximação de um carro, pinoteou duas vezes e meteu um coice no carro de Tibério Orelhudo, sogro do prefeito. Foi um Deus nos acuda. Carro novinho em folha. Um Simca Rabo de Peixe. Um luxo! Único veículo de passeio daquele tipo na cidade. Talvez, na região. O Orelhudo era dono de fábricas de descaroçar algodão. Três delas: a Nossa Senhora Aparecida, a São Francisco de Assis e a Santo Antônio. Dona Sinhazinha, a mulher do empresário, era devota de todos eles. 

A autoridade policial entendeu que houve dano ao carro. E houve mesmo, um amassãozinho de leve, uma bituca de quase nada. Todavia, contudo e, porém, o velho oficial reformado da Briosa vociferou que houve “crime de dano”. Danou-se. O “crime” estava mais do que provado. A autoria também. E lugar de “criminoso” era a cadeia. O dono do animal ainda alegou que o cavalo Precioso não deveria ser preso. Ofereceu-se, pois, para tomar o lugar do animal. O velho oficial disse: “Não!”. O ofensor foi o cavalo. Ele pagaria pelo “crime de dano” praticado. Conduziu-o ao quartel e o colocou numa cela. Que ironia! O animal de sela acabou numa cela. Era o fim de tarde de um domingo. É de lembrar que, enquanto o cavalo era conduzido ao xadrez, uma pequena multidão acompanhou o grande feito do velho oficial, entre risos e galhofas. No meio da caminhada, o exemplar guardião da ordem gritou, perante tamanha algazarra: “Se continuarem com esse furdunço, eu boto todos vocês juntamente com o colega de quatro patas”. Mais uma vez, danou-se. 

Domingo. Fim de tarde. O que poderia exigir aquela populaça de um velho oficial reformado, que, longe de casa, ainda haveria de queimar panela no quartel se quisesse uma jantazinha na noite que se avizinhava? Pensava aquela cambada que a sua vida era fácil? Que tinha sido fácil em trinta anos de caserna, enfrentando bandidos e malfeitores em todas as zonas do estado, inclusive na própria “zona”? Qual nada! Ele sofreu muito. Assentou praça no fim da década de 1910. Reformou-se em 1948. Há quatro anos, era delegado de polícia comissionado, como assim o era naqueles tempos bicudos. E ainda tinha que aguentar aquele povinho cheio de ditos e churumelas. Se ele metesse dois ou três daqueles atrevidos no xilindró, tudo se acalmaria. Enfim, a autoridade policial ali era ele. E prendia quem quisesse: cavalo ou gente. Pronto.

Cavalo preso, pessoas dispersas. Regalias ao preso? Uma baciazinha com água para beber e um pequeno feixe de capim sempre verde. Cela pequena, entulhada de bregeços. Pobre cavalo, que nem se mexer podia. Deitar-se, espojar-se? Nem pensar. 

Day after. Uma segunda-feira de sol. Primavera que mais parecia verão. O fotógrafo lambe-lambe Tito Retratista tinha subornado o soldado de plantão, na noite anterior, após o oficial reformado ter-se recolhido, e retratou o cavalo preso, que saiu em pose de primeira página no jornaleco “Fiu-Fiu”, de Beto Felizola, adversário do prefeito Getúlio Bocão. A pequena tiragem do jornal vespertino não deu para quem quis. Lá estava o cavalo Precioso tristinho, atrás das grades. Antes, porém, da saída do jornal de oposição, que, além da foto com a matéria zombeteira, exibiu uma foto antiga do oficial reformado em farda de gala, dos tempos em que ele desfilava garboso no Dia da Pátria, e localizada nos arquivos do jornal, o Serviço de Amplificação G.C., de propriedade do vereador Genildo Carvalho, parlamentar combativo, que se dizia independente, ora atacando, ora elogiando a situação ou a oposição, e que tinha o seu serviço de som esparramado por quase toda a cidade, meteu a ripa. Botou a jiripoca para piar. Ele tinha uma verdadeira “rádia” nos céus da cidade em ondas médias, curtas e longas, como costumava dizer Elízio Souza, o seu produtor, operador e, por vezes, locutor de ocasião. 

O Serviço de Amplificação G. C., ao bem do povo e da veiculação da verdade, entrevistou pessoas, transmitiu lorotas, fez um carnaval. Teve até quem imitasse um famoso locutor da capital, fazendo uma gozação das seiscentas. Até um “fio do canço” apareceu relinchando e pedindo um habeas corpus. Sátiras danadas. Os ouvintes caíram na maior gozação. Um cavalo preso e os bandidos soltos, diziam. Na capital, as autoridades ficaram indóceis. Umas, defenderam o velho oficial reformado, que sempre foi um policial valoroso em todas as missões que lhe foram acometidas. Outras queriam a sua cabeça. Na Assembleia Legislativa, o deputado Chico Frederico, que se dizia “esquerdista, mas nem tanto”, oportunista que só ele, fez um discurso cheio de verborreias e disse mais empolgado do que pinto no lixo: “Senhores deputados, minha gente da galeria, esse cavalo que foi preso, não é gente, mas é um ser humano, que merece respeito”. Um gaiato da galeria retrucou, para delírio da galera: “Muito bem deputado: o cavalo é um ser humano igual ao senhor!”. O orador fez que não entendeu,  ou não entendeu mesmo. 

O cavalo foi solto ainda na segunda-feira. Saiu mancando, coitado. Passaria por uma averiguação feita por uma junta de veterinários da capital. A Liga das Senhoras Aflitas fez correr uma subscrição para pedir ao governador do estado a apuração do caso. Afinal, nos dias que se seguiriam jornais e emissoras de rádio do eixo sul/sudeste do país estraçalhariam o estado por causa daquele episódio. Um cavalo preso pela autoridade policial. Deu até no Pravda, jornal soviético. Na Rádio de Moscou. Na BBC de Londres. Na Voz da América. Na Rádio de Havana. Na Rádio de Berlin Oriental. Até na “Voz do Brasil”. Em tudo que foi canto, para o desencanto do povo do pequenino estado. Coisas do longínquo ano de 1952. Coisas passadas, que jamais poderiam acontecer nos dias de hoje. Com certeza. Tá doido! Prender um cavalo hoje em dia? Nos dias de agora, em pleno século XXI, ninguém chegaria ao desplante de prender um cavalo. Isso não. 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
19/11
16:11

Quero-quero

Clóvis Barbosa
Blogueiro e presidente do TCE/SE

A alma é de natureza contemplativa. O nascer do dia desta última terça-feira em Aracaju foi inusitado. Estava no Parque da Sementeira preparando-me para uma corrida leve de 7km. O céu, no parque, e todo lado leste da cidade estava claro, anunciando a chegada de um sol radiante. Do lado oeste, o horizonte escuro dava a entender que chuvas torrenciais desabariam na cidade a qualquer momento. De repente, surge à frente do lado oeste, oponente, como mensageiro divino a nos repreender pelas loucuras que cometemos diuturnamente, um arco-íris encantador. Não sei, mas falam que logo após o Dilúvio, quando a Arca de Noé chegou ao Monte Ararat, Deus prometeu que nunca mais iria inundar a Terra. Como prova, depois de cada chuva apareceria nas nuvens um arco-íris e este seria o símbolo da aliança entre o Senhor e todas as espécies da face da terra. Começo a correr. Depois de 3km ou 19min de corrida, ao seguir pela trilha de barro que vai dar na CCTECA, a Casa de Ciência e Tecnologia da Cidade de Aracaju Galileu Galilei, deparo-me, no campo aberto vizinho à trilha, com dois ovos solitários. Fiquei curioso, mas não parei de correr e, mentalmente, procurei encerrar o meu exercício matinal naquele local. Aproximei-me dos dois ovos e, ao chegar a três ou quatro metros, um bando de quero-queros veio em minha direção se esganando em gritos histéricos e alucinantes. Fizeram barreira nos dois ovos como a defendê-los da minha intromissão. Parei estupefato com os gritos repetidos: ‘quero-quero, quero-quero, quero-quero’. Sem conhecer a cultura e o comportamento daquelas aves, não me conformei com o local em que estavam colocados os ovos, no chão, exposto ao sol escaldante, ao sereno, e na possibilidade de serem comidos por uma cobra ou outro animal ou até mesmo serem esmagados por um automóvel ou bicicleta que trafegavam no local. Existia uma planta rasteira no local, em forma de palha e gravetos, semelhante ao feno. Recolhi uma boa quantidade para forrar o chão, debaixo de uma árvore, e melhor proteger os ovos das intempéries.

Dei uma volta e resolvi enfrentar as feras: procurei uma árvore bem próxima, fiz uma forragem e aguardei o momento de recolher os ovos e colocá-los na sua nova morada. Deu tudo certo, embora fosse perseguido por três quero-queros, conhecido como a “sentinela dos campos”. A propósito, em 1914, Rui Barbosa, em um dos seus inteligentes discursos, disse sobre a ave: “O chantecler dos potreiros. Este pássaro curioso, a que a natureza concedeu o penacho da garça real, o voo do corvo e a laringe do gato, tem o dom de encher os descampados e sangas das macegas e canhadas com o grito estrídulo, rechinante, profundo, onde o gaúcho descobriu a fidelíssima onomatopéia que o batiza". Dizem que existem quatro subespécies que às vezes são fundidas duas a duas, formando duas espécies distintas de quero-quero: a Vanellus cayennensis, que absorve a subespécie lampronotus e a Vanellus chilensis, que absorve a subespécie fretensis. No rio Amazonas e no norte do Chile e da Argentina, vivem as do tipo chilensis lampronotus. Como ave nativa, ela habita o nordeste e sul do Brasil, além de outras partes do mundo. Procurei estudar o seu modus vivendi e descobri que vive em terrenos de baixa altitude, em campos, praias arenosas, várzeas úmidas, brejos, mangues, onde haja predominância de vegetação rasteira. A sua reação contra o meu comportamento explica-se pela intolerância que ela tem com a presença humana. Outra curiosidade é que adora campos de futebol. E, por falar em campo de futebol, o Clube Sportivo Sergipe é proprietário do Estádio João Hora de Oliveira, localizado no Bairro Siqueira Campos. Pois bem! Não é que lá residem duas corujas que vivem a atanazar um cão que também mora no Estádio e é responsável pela vigilância do local? A cena, quase sempre no entardecer, enche os olhos de qualquer espectador que assiste ao voo rasante das corujas em direção ao cachorro. Este sai em correria, tentando inutilmente alcançar as corujas. A camaradagem entre esses animais é inexplicável.

Carlos Britto, o nosso ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, sempre quando faz conferências sobre improbidade e corrupção por esse Brasil afora, gosta de citar o exemplo das garças que habitam nas margens dos rios Poxim e Sergipe, no lodaçal dos mangues ali existentes. Diz ele que, embora as garças vivam no lodo e lamaçal, diferentemente dos corruptos, não se sujam e vivem impecavelmente alvas e límpidas. Sou testemunha ocular do modus vivendi dessas aves. Em 2012 passei quase o ano todo remando pelo rio Poxim. Saía dali do Parque dos Cajueiros e sempre gostava de, logo após o píer, entrar à direita, como se estivesse voltando em direção, digamos, ao restaurante do Miguel. É um canal que cada vez mais encontra-se raso, contudo, na maré cheia, dá para trafegar remando. Ao adentrar pelo canal, parava de remar e ficava apreciando os filhotes de garças que ali habitavam. Os pais saíam em busca de alimentação e só retornavam à tarde. Eles pousavam no barco, a uma certa distância, como quem desconfiados. Era um espetáculo fascinante que só a natureza nos proporciona. E com isso vou aprendendo, como Shakespeare, que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular. 

Post Scriptum
O Ladrão

Jorginho, de um metro e 68 centímetros, era um homem feliz no seu casamento com Manú, de dois metros de altura. O casal tinha uma filha de quase dois anos, Ana Elisa, excessivamente paparicada pelo pai. Por ela, ele fazia todos os sacrifícios. Além deles, também morava em sua pequena casa no Conjunto Marcos Freire II, em Nossa Senhora do Socorro, a cadela que respondia pelo nome de Luar, uma vira-lata valente, inteligente e muito querida pelos seus donos. Jorginho era motorista de um órgão público e Manú, segurança de um banco. Certa noite, a chuva estava intensa naquele conjunto residencial. Fortes pancadas de água e uma tempestade de vento tomavam conta do bairro. Lá por volta das duas horas da manhã, Jorginho acordou atordoado com um barulho forte no portão. Ele ficou paralisado. Não teve outro pensamento: - É ladrão! Repentinamente, outro baque violento! Espantado, o medo começou a tomar conta dele. Seu pensamento só levava para Luar que, a qualquer barulho, começava a latir. - Onde está essa cachorra? Será que o ladrão a envenenou? Perguntava-se. Começou a se desesperar. Levantou-se, calado, e foi à procura de Luar e a encontrou na porta do quarto toda tremendo. Ao colocá-la nos braços, estava ela tiritando num bater de dentes frenético. Não perdeu tempo! Correu para a cama e começou a acordar Manú. Ainda sonambúlica, Manú perguntou o que era que ele queria. – Tem ladrão na casa! Acorde e vá lá ver. – Eu não! O homi da casa não é você?! Vá lá e resolva! – Como eu vou lá? Estou com Ana Elisa. Alguém precisa cuidar dela. Ou você não gosta dela? Impaciente, Manú acordou e perguntou pra ele: - Você é um homi ou um saco de batata? – Sou um saco de batata, pronto! Agora você é que tem que resolver. Quem entende de ladrão é você! Você não é segurança? Fez curso pra que? Deixe de conversa e bote esse ladrão para correr! Cambaleante, ela levantou-se, colocou um casaco, pegou o revólver e abriu a porta do quarto. Luar continuava tiritando e com um olhar choroso. Acendeu as luzes, percorreu todos os cômodos da casa e nada de ladrão. Dirigiu-se à porta da frente e olhando pelas frestas da janela, observou que o vento era o responsável pelas batidas do portão. Aproximou-se e, sob uma chuva torrencial, fechou o portão. Retornou ao quarto. Jorginho fechou com chave após a sua saída. Bateu na porta. E nada de ser aberta. Ela não aguentou com a froxura do marido: - Abra a porra dessa porta, seu molenga! Ele abriu todo temeroso ao lado de Luar. Quando disse que era o vento batendo no portão, ele deu um abraço na mulher. E olhando para Luar, já mais calma e balançando o rabo, disse: - Isso é que é mulher, Luar! O resto é conversa!            

Clóvis Barbosa escreve aos domingos, quinzenalmente.


Variedades
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Por Kleber Santos
19/11
16:09

Avanços no Hospital Universitário

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

Na última quarta-feira, dia 15, o Hospital Universitário da nossa querida UFS avançou mais uma vez. Desta feita, foram inauguradas a Reforma e Conclusão do Prédio do Anexo Hospitalar, ao custo de R$ 8.311.903,76, e o Centro de Imagem, ao custo de R$ 3.187.733,18. No primeiro caso, a área construída é de 2.681,56 m², ao passo que no segundo caso a área construída é de 515,59 m². 

A Obra de Reforma e Conclusão do Prédio do Anexo Hospitalar compreende a conclusão da construção de três pavimentos, reforma/adaptação do pavimento térreo existente, construção de uma passarela ligando o referido Anexo ao Prédio Central do HU, bem como cobertura, marquise e reforma da rampa frontal ao Anexo, permitindo, assim, o acesso de ambulâncias a todos os demais ambientes. 

No caso do Anexo, no piso térreo foram reformadas as instalações existentes, a saber: sala de espera com balcão de atendimento; salas para realização de exames 
(ecocardiograma, tomografia, mamografia, raio X simples e raio X contrastado),  além de salas de coordenação médica, expedição de laudos, expurgo, banheiros, hall de elevadores e escadas etc.

No segundo pavimento foram construídas: área de circulação, sala de emergência, salas de aplicação de quimioterapia, postos de enfermagem, salas de diálise consultórios, salas de recuperação, sala de prescrição médica, sala de paramentação, sala de repouso, depósitos, além de banheiros, lavabos, hall de elevadores e escadas.

No terceiro pavimento foram construídas áreas de circulação, enfermarias para adultos e crianças, brinquedotecas, sala de transplante alogênico, salas de procedimentos, postos de enfermagem, expurgo e DML, bem como banheiros, sala de apoio, rouparia, copa hall de elevadores e escadas. 

Por fim, no quarto pavimento foram construídas áreas de circulação, duas salas de cirurgia de grande porte, preparadas para a realização de transplantes, duas salas de cirurgia de pequeno porte, corredor cirúrgico, sala de guarda e preparo pré-anestésico, sala de recuperação pós-anestésico, sala de indução anestésica, sala de equipamentos e arsenal, postos de enfermagem, sala de recepção/preparo/esterilização, sala de armazenagem e distribuição, expurgo e DML, além de banheiros, hall de elevadores, hall de estar e escadas. 

No Centro de Imagem foram construídas salas para a realização de exames (Imagenologia), tais como mamografia, teste ergométrico, ultrassom, eletroencefalograma, densitometria óssea, ressonância magnética, hemodinâmica, salas de indução e recuperação anestésica, salas de comando dos equipamentos, salas de espera, salas de laudos, sala administrativa, postos de enfermagem, banheiros, sala de expurgo, DML, troca de macas etc. 

É imperioso destacar os esforços das equipes de infraestrutura da UFS e do HU/EBSERH, bem assim o apoio inestimável do Ministério Público Federal e Estadual. Do mesmo modo, sem a dedicação do senador Eduardo Amorim e do deputado federal André Moura, que envidaram esforços junto ao Ministério do Planejamento e ao Ministério da Educação para a liberação de dotação orçamentária e de recursos financeiros, não teríamos, por certo, logrado êxito nesses empreendimentos. Vale destacar também a decisão firme do presidente da EBSERH, Kleber Morais, e do próprio ministro Mendonça Filho, da Educação. A todos eles, somos muito gratos. Aliás, Sergipe e os sergipanos muito lhes agradecem. 

Antes da reforma e construção dos prédios acima descritos, esteve prestes a ocorrer um fato de gravidade ímpar: os equipamentos que serão utilizados no tratamento do câncer e noutros tratamentos estavam encaixados e prontos para ser levados para outros estados, em face da falta de recursos para a realização das obras. O Ministério Público Federal e Estadual somaram-se à gestão da UFS/HU/EBSERH e fomos bater à porta dos parlamentares federais. Estes foram ao ministro da Educação. O quadro foi revertido. Os recursos foram assegurados. Projetos e licitações foram tocados com presteza. E aí estão os resultados. 

Os usuários do SUS receberão tratamento e cirurgias oncológicas, transplante de fígado, rim, córnea e vários serviços especializados. Do mesmo modo, muito haverão de ganhar os nossos professores e alunos com espaços adequados para exercer suas respectivas funções. 

Esperamos doravante, e, para tanto, confiamos nos esforços do presidente Kleber Morais da EBSERH e do ministro Mendonça Filho, da Educação, para que possamos ter no mais breve espaço de tempo possível a obtenção de verbas para a ampliação da Farmácia e do Refeitório do HU, ao custo de R$ 1.200.000,00, e para a conclusão das obras da Unidade Materno-infantil, que contará com 118 leitos (adultos e infantis), cinco salas de parto e seis salas cirúrgicas, ao custo de R$ 15.700.000,00. Tudo isso será para o bem dos sergipanos. 

A atual gestão da Universidade Federal de Sergipe mostra-se imensamente grata a tantos quantos dedicam momentos especiais de suas vidas profissionais para o engrandecimento da nossa Universidade e, em especial, do nosso Hospital Universitário: professores e técnico-administrativos da UFS, superintendente, diretores e servidores da EBSERH, além dos nossos alunos, que continuam acreditando que é sempre possível fazer mais e melhor. 

A Universidade Federal de Sergipe continuará avançando. E com ela, o nosso Hospital Universitário. 


Colunas
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Por Kleber Santos
19/11
14:08

Chuvas nas cabeceiras do 'Velho Chico' não impactarão Sergipe

O secretário de Estado da Agricultura, Esmeraldo Leal, comentou neste domingo que o volume de água do rio São Francisco continua baixo e a vazão da Usina Hidrelétrica de Xingó é a mais baixa da história, exatos 550 m3/s. “Tem chovido nas cabeceiras, mas ainda é insuficiente para impactar aqui, em Sergipe”, explicou.

Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
19/11
13:04

Aracaju - Campanha defende faixa exclusiva para ônibus

A implantação das faixas exclusivas para minimizar o trânsito caótico de Aracaju dando prioridade aos ônibus do transporte público, que são responsáveis pelo tráfego da maioria da população, pode estar em risco. O Ministério Público Estadual solicitou na Justiça a retirada das placas que indicam faixas exclusivas para que os motoristas de carro possam ocupar toda via livremente, inclusive no espaço até então demarcado para os ônibus. O pedido foi concedido, mas a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito Público já informou que está recorrendo. No entanto, para aqueles que usam o transporte coletivo,  qualquer risco às faixas exclusivas é contestável.



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Por Eugênio Nascimento
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