22/05
08:32

Latim ressuscitado

Geraldo Duarte*

Há dias, caro amigo recebeu oferta de um Curso de Latim, à distância, através da Internet e gratuito. Por brinde, também, a obra De Officiis, de Marcus Tullius Cicero.

No e-mail presenteador, de aparência marmotosa, uma mãozinha indicava link a ser clicado.

Não bastassem os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela, ainda nos chegam esses virtuais. No palavrório do Gafanha, quanto mais se reza, mais assombração aparece.

A mensagem fez-me buscar na memória os tempos do Colégio Lourenço Filho. Os ensinamentos do renomado mestre Francisco Edmilson Pinheiro, advogado, jornalista, contador, vereador, deputado estadual e catedrático de colégios fortalezenses, no quase findar da primeira aula da linguagem dos Césares, quando instado por nosso colega Carlos Alberto Leite.

“Professor, latim não é uma língua morta? Pra que a gente aprender?”.

O sapiente educador tirou os óculos, limpou as lentes com um lenço, recolocou-os, dobrou e guardou o pequeno pano e olhou para o indagador por alguns momentos. Talvez, acredito, contando até 10, pelo menos, para respostar.

“Meu pequeno discípulo! Porque foi falada e escrita durante vinte séculos, sendo a língua-mãe das neolatinas. Português, francês, espanhol, inglês e outras. Utilizada por milhões de pessoas. Ademais, conhecer suas estruturas facilita e aprimora aquelas, incluída, especialmente a nossa. Até o século XVIII, era o maior idioma do mundo antigo e guardador dos clássicos da antiguidade. Não só da literatura, mas da filosofia, da teologia e das artes em geral. Portanto, considere o latim ressuscitado, entendeu? Res-sus-ci-ta-do!”.

 *Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
22/05
08:30

Workshop debate importância da Integridade Estrutural

Evento será realizado terça feira no Auditório do Sebrae

O III Workshop de Análise de Integridade Estrutural – Tecnologias inovadoras para pesquisa e controle de qualidade no Estado de Sergipe, será realizado em Aracaju nos dias 22 e 23 de maio. A abertura será na terça feira, às 18h30, no Auditório do Sebrae. O evento prossegue na quarta feira nos turnos da manhã e da tarde.

Para Emanoel Sobral, superintendente do Sebrae, será um evento interessante para o Estado. “Ele vem contribuir com desenvolvimento tecnológico e fomento à inovação, a partir do momento em que viabiliza para acadêmicos e empresários conhecimento de fundamental importância para os seguimentos de Construção Civil e Petróleo e Gás”, destaca.

Durante o Workshop será realizado o Curso de Análise de Falhas em Equipamentos de Processos, onde serão abordados os conceitos básicos de análise de falhas e patologias, caracterização de materiais e propriedades, corrosão e degradação de materiais e estruturas, análise e garantia de desempenho (Norma ABNT 15575), além de estudo de casos relacionado a área.

A capacitação será ministrada pelo professor Pedro Dolabella Portella, atual diretor do Departamento de Engenharia de Materiais do BAM (Bundesanstalt für Materialforschung und – prüfung), o Instituto Federal de Teste e Pesquisa de Materiais da Alemanha, com sede em Berlim.

A organização é da Laies – Laboratório de Análise de Integridade Estrutural, apoio Sebrae, UFS, CREA, BAM, ABECE. Informações na Unidade de Atendimento Coletivo Indústria do Sebrae, com o analista Thiago Oliveira, e-mail thiago.oliveira@se.sebrae.com.br , telefone (079) 2106 – 7727. Inscrições no endereço eletrônico https://ufslab.wixsite.com/laies/eventos


Economia
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Por Kleber Santos
22/05
08:29

Em Sergipe, a produção de Petróleo e de Gás Natural volta a crescer em março

Análise realizada pelo Boletim Sergipe Econômico, parceria do Núcleo de Informações Econômicas (NIE) da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) e do Departamento de Economia da UFS, com base nos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostrou que a produção de petróleo no estado, em março de 2017, ultrapassou os 781 mil barris equivalentes de petróleo (BEP), ficando 7,2% acima da produção do mês imediatamente anterior, fevereiro último. Já no comparativo anual (março/2016), houve retração de aproximadamente 22,2% na produção. No primeiro trimestre de 2017 a produção atingiu os 2,3 milhões de bep, com retração de 20,6%, quando comparado com o mesmo período de 2016.

Do total produzido em março, 23,1% ou aproximadamente 181 mil barris foram extraídos do mar.  Em termos relativos, observou-se crescimento de 13,7% em comparação com o mês imediatamente anterior, porém com retração de 25,4% na comparação com março do ano passado.

A produção em terra, por sua vez, respondeu por 76,9% da produção total, ultrapassando os 600 mil bep. No comparativo com o mês anterior (fevereiro/2017), verificou-se crescimento de 5,4%, entretanto, quando comparado com março de 2016, houve retração, ficando menor 21,1%.

Produção de Gás

A produção de gás natural, em março, ficou acima dos 420 mil bep. Em termos relativos, houve elevação de 11,8%, na comparação com o mês imediatamente anterior, fevereiro último. Entretanto, em relação ao mês de março de 2016, foi registrada retração de 16,9%.

A produção em mar continuou sendo a principal fonte de produção, somando mais de 394 mil barris, abrangendo 93,6% do total produzido no estado, ao passo que a produção terrestre ficou próxima dos 27 mil barris, respondendo por 6,4% da produção do estado.

 Unicom/FIES


Economia
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Por Kleber Santos
21/05
19:12

Uma área definitiva para o Campus do Sertão

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da Universidade Federal de Sergipe

O Campus da UFS no sertão sergipano, com sede provisória em Nossa Senhora da Glória, ainda se ressente de uma área onde possa instalar definitivamente. Depois de algumas marchas e contramarchas, em 2015, eis que uma solução pareceu viável de concretizar-se. Trata-se de uma fazenda pertencente à EMBRAPA. E à EMBRAPA sediada em Petrolina (PE), apesar de a mencionada fazenda situar-se na confluência dos municípios de Nossa Senhora da Glória e Feira Nova, mais para este do que para aquele.

Ao tomarmos conhecimento da área, pouco explorada pela EMBRAPA, buscamos o apoio inicial da EMBRAPA sediada em Aracaju. Os seus técnicos, dentre eles Manoel Moacir Costa Macêdo, fizeram a ponte com a EMBRAPA de Petrolina. Somos reconhecidos e gratos. Os contatos pessoais foram mantidos. As conversações evoluíram a contento. Todavia, um empecilho surgiu. Fazia-se necessário um contato com a direção superior da EMBRAPA, em Brasília. Tentativas foram feitas. Há duas coisas que nos movem em tudo o que devemos fazer: a obstinação e a persistência. Disso não abrimos mãos. Aliás, quem administra não deve ficar alheio a estes dois predicados.

O tempo passou. Insistimos. Recorremos daqui e dali. Não descansamos. Batemos em portas. Nenhuma se fechou, mas o acesso não foi completo. Voltamos à carga. Fizemos tudo direitinho. Palmilhamos passo a passo. Não retrocedemos. Um objetivo claro e firme nos conduzia. No Campus do Sertão, alunos, professores e técnicos ansiavam – e ainda anseiam – para ver concretizada essa empreitada, qual seja a obtenção da cessão da fazenda, ou de parte dela, a fim de que possamos construir o Campus definitivo.

Nas últimas alterações dos cargos da administração direta e indireta da União Federal, nós buscamos, mais uma vez, o apoio dos nossos congressistas. A bancada federal sergipana, nós já o afirmamos mais de uma vez, não nos tem desapontado. Ao contrário, tem envidado esforços, uns mais do que outros, para atender as necessidades da Universidade Federal de Sergipe, que, por conseguinte, são as próprias carências da sociedade sergipana, que tem na UFS a sua única Universidade pública.

O governador Jackson Barreto conseguiu junto ao então ministro da Educação, Aloísio Mercadante, que tem raízes em Sergipe, a implantação do Campus do Sertão. Já o dissemos antes. A senadora Maria do Carmo decidiu, recentemente, amadrinhar o referido Campus junto ao atual ministro da Educação, Mendonça Filho. Somos gratos a todos que apoiam a UFS.

Precisávamos de quem nos guiasse à presidência da EMBRAPA. O senador Eduardo Amorim se predispôs a levar-nos. Fomos com ele. A ele também somos muito gratos. O presidente Maurício Antônio Lopes nos recebeu com gentileza. Ouviu-nos. Mostramos os nossos projetos. Dissertamos sobre os nossos planos, sobre as nossas ideias. O presidente gostou do que viu e ouviu. Dispôs-se a abraçar a nossa causa. Comprometeu-se a levar o nosso pleito à reunião do Conselho de Administração da EMBRAPA, no próximo mês. Uma parte da fazenda acima citada deverá ser cedida à UFS em forma de comodato.

Estamos esperançosos. Confiantes. Enfim, a última porta se abriu para a UFS, nessa questão da área para sediar a Campus definitivo do Sertão. Os projetos estão prontos. O ministro da Educação garantiu os recursos para o início das obras, no montante que nos será possível de concretizar neste ano.

A EMBRAPA será parceira da UFS, e vice-versa, em projetos que interessam às duas entidades. E que são, sobretudo, do interesse prático das populações sertanejas, em especial dos produtores rurais, na agricultura, na pecuária e na agroindústria.

A Universidade Federal de Sergipe tem muitos desafios a enfrentar. Enfrentaremos. Cruzar os braços é um defeito que não temos. A UFS não precisa de braços cruzados. Precisa, sim, de braços que se unam, de mãos que se deem. Mãos que sirvam para construir pontes, e não muros. Este é o caminho. Esta é a caminhada.


Política
Com.: 3
Por Eugênio Nascimento
21/05
18:55

Rogério Carvalho: Doações foram do Diretório Nacional

O presidente do Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT/SE), Rogério Carvalho, divulgou nota informando não ter qualquer envolvimento direto, de sua parte, com o grupo empresarial JBS, que liberou verbas para diversas agremiações políticas em todo o Brasil.

A nota diz o seguinte:
“Diante das informações divulgadas nesse fim de semana, devo esclarecer que as doações recebidas em nossa campanha de 2014, foram encaminhadas diretamente pelo Diretório Nacional do Partido do Partido dos Trabalhadores para o Diretório Estadual, todas de forma oficial. Os dados estão disponíveis nos sites do TRE/SE e TSE”.
 


Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
21/05
16:53

Instabilidade política e crise econômica

Ricardo Lacerda* 
Professor da UFS

A equipe econômica não teve tempo de comemorar os resultados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), referente ao mês de março, e do emprego do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do mês de abril, quando uma nova tormenta política tomou conta do país, enredando em novas denúncias de corrupção e desmando, de forma pessoal e inequívoca, o presidente da república, Michel Temer, e o senador Aécio Neves, candidato derrotado nas eleições de 2014 e presidente do PSDB, partido que é o maior avalista do atual governo junto às elites empresariais, à alta classe média urbana e aos organismos financeiros internacionais. 

Os efeitos de retroalimentação entre a instabilidade política e a recessão econômica vêm marcando a vida brasileira desde o final de 2014, quando a então oposição não reconheceu a vitória de Dilma Rousseff no último pleito presidencial de 2014, dando início à escalada de ataques que redundou no afastamento da presidente eleita em maio de 2016. 

Depois que a esperada retomada do crescimento no segundo semestre de 2016 não se confirmou, as projeções de mercado apontavam para uma recuperação muito lenta ao longo de 2017 e crescimento moderado para 2018 e anos seguintes, de forma que somente em 2021 o PIB brasileiro recuperaria o patamar de 2014. 

A nova crise política, atingindo o núcleo do poder central, parece mostrar que o arremedo de solução institucional encontrada terá fôlego curto e resultados pífios, além de revelar um custo desmesuradamente elevado, diante da demonstração de desapreço pelos seus patrocinadores aos princípios mais elementares da democracia e do estado de direito. 

Termômetro quebrado

É verdade que o crescimento alcançado pelo IBC-BR do 1º trimestre é atípico em vários sentidos. Em primeiro lugar porque resultou principalmente da mudança das metodologias da Pesquisa Mensal do Comércio e da Pesquisa Mensal de Serviços, ambas do IBGE, que afetou o cálculo do IBC-BR de fevereiro. 

Como o IBGE não fez a chamada retropolação dos resultados anteriores a janeiro de 2017 de acordo com a nova metodologia, na prática os índices dos primeiros três meses do ano do nível de atividade do setor serviços e do volume de vendas do varejo não são comparáveis com os de períodos anteriores, contaminando o cálculo do IBC-BR.  Como assinalou o economista Marcos Lisboa, em artigo publicado em 30 de abril na Folha de São Paulo, o IBGE quebrou o termômetro. 

Para ilustrar a dimensão da distorção gerada pela mudança de metodologia sem atualizar os resultados anteriores é suficiente assinalar que o IBC-BR do 1º trimestre de 2017 cresceu 1,12% em relação ao 4º trimestre de 2017, na série em que os efeitos sazonais já estão descontados, muito acima do crescimento previsto pelo mercado para todo o ano de 2017, de 0,5%.  

O cálculo do crescimento do IBC-BR do 1º trimestre é inteiramente artificial. Em termos anualizados, o IBC-BR do 4º trimestre de 2017 apontaria para um resultado 4,56% acima do mesmo trimestre de 2016, quando a mais recente projeção de mercado é de que o PIB do último trimestre deve ficar em torno de 1,9% maior do que o equivalente de 2016. Nessa hipótese, o IBC-BR de 2017 apresentaria o crescimento fantástico de 4,1% em relação ao ano anterior, muito distante da situação real em que estamos vivendo, de uma estabilização arrastada e com recuperação muito lenta do nível de atividade e de desemprego generalizado.   

O resultado artificial do volume de vendas no varejo pode ser visto no indicador de janeiro, parcialmente corrigido pelas quedas de fevereiro e março (ver Gráfico).

 A geração de 59.856 empregos formais em abril é um resultado muito bem vindo, mas não sinaliza ainda a recuperação do nível de emprego, depois do fechamento de 2,8 milhões de postos de trabalho nos últimos dois anos. Os resultados do IBC-BR de março e do CAGED de abril são inconclusivos em relação a que estágio nos encontramos no momento em relação à estabilização e retomada da economia.  Os impactos da nova crise política sobre o nível de atividade, por sua vez, certamente não serão favoráveis, mas ainda é muito cedo para dimensioná-los. Talvez o mais importante do novo episódio que paralisa o país atualmente tenha sido o de demonstrar o elevado custo político, social e econômico de soluções institucionais artificiais.

 

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
21/05
16:52

Lágrima de cobra e áudio demolidor

José Lima Santana
Professor da UFS

Não, não é lágrima de crocodilo. É, sim, lágrima de cobra. Alguém já viu? Não. Nem vai ver. Lágrima de cobra é o que se diz quando alguém não é capaz de derramar lágrima nenhuma. Afinal, cobra não chora. Nem teria porque chorar. Cobra chorando? Meu Deus! Seria o fim dos tempos. Pois não era que o fim dos tempos estava próximo, no entender de Cida de Tonho Rufino, presidente do diretório municipal do Partido Socialista dos Trabalhadores Brasileiros Autônomos. Este Partido era, deveras, uma agremiação partida ao meio. Aliás, partida em muitos pedaços. Partido de aluguel. A cada eleição, aliava-se a quem pagasse mais. Uma lástima. Não era o único partido político que se vendia. Uma vergonha!

Cida era a irmã caçula de Tonho Rufino, presidente do partido e vereador. Sujeitinho mais enrolado do que Bombril. Mais enrolado do que sabão em jornal velho, no balcão de bodega de ponta de rua. Ah, por falar em bodega, no meu tempo de menino, minha mãe comprava sabão Aurora, na bodega de “seu” Américo, nas Dores. Um dia, apareceu um representante querendo vender um sabão barato de nome Caçote. Tinha, gravada, a figura de uma rã, que também era chamada de caçote. Caçote de beira de fonte, verde, almoço ou jantar de cobra. Sabão ruim, que se desmanchava no primeiro esfregão. A freguesia não gostou do sabão. “O barato sai caro”, dizia minha mãe, que experimentou, mas não gostou do sabão molenga. “Seu” Américo, na visita seguinte do representante do sabão com nome de rã, despediu o sujeito e preferiu ficar com o bom gosto das freguesas. 

Voltando ao presidente do partido de aluguel, Tonho Rufino, também conhecido, nas rodas da malandragem da cidade como Toinho do Pó, fora denunciado por conta de uma delação premiada. O dono de um açougue de periferia fizera revelações bombásticas contra Tonho Rufino e meio mundo de políticos locais. A republiqueta de bananas de terceira, como um jornalista da capital denominara a cidade sertaneja, na qual, nas últimas três décadas, nenhum político sério tinha surgido, andava de mal a pior. Ali se encontrava uma laia só. De todos os partidos. De todos os lados. Se um era rato velho, e roubava, o rato novo acabaria roubando mais. Havia uma sucessão de ladrões, que roubavam os parcos recursos da municipalidade, oriundos dos tributos que o povo suava para pagar. Porém, eleição após eleição, o povo votava no mesmo grupo de ladrões, que dominavam os partidos políticos locais. O mundo estava perdido. Tudo estava perdido. 

Cida fora presa porque uma delatora dissera que pagava propinas para Tonho Rufino e, mais ainda, pagava as despesas de Cida com o cabeleireiro. Até o cabeleireiro era pago com o dinheiro da corrupção, dos contratos superfaturados, da lavagem de dinheiro e do escambau todo. Lama. Toneladas de lama enchiam a cidade, como se o lamaçal de uma barragem arrombada escorresse ladeira abaixo, atingindo, em cheio, praças, ruas e avenidas. O cabeleireiro subiu nas tamancas, rodou a baiana. Ou melhor, rodou o quimono. O sujeito era da raça dos japoneses. Na cidade havia dois tipos daquela gente lá do Oriente: um policial, que andou na moda, sumiu por uns tempos e tinha voltado à cena, e o cabeleireiro. 

Cida, coitada, gostava de mudar de penteado a cada semana. Tentava ajeitar-se, mas não tinha jeito. Dizia-se na cidade que ela não precisava de um cabeleireiro, mas, sim, de um arquiteto, que lhe repaginasse. Línguas ferinas...! 

A Justiça afastara do cargo o vereador Tonho de Rufino. Usava de dois pesos e de duas medidas. Antes, em idêntica situação, outro vereador fora preso. Era de outro partido, tão corrupto quando o de Tonho de Rufino. Eram, todos, gatos do mesmo saco, ratos da mesma toca. Ladrões. Sanguessugas do povo. 

Na cidade, muita gente estava enredada com uma operação policial denominada “Avião a Jato”. Um ex-presidente estava atolado. Ex-presidente da Câmara Municipal. Outros antes dele, também. Assessores, empresários, gente daqui e dali. Uma cambada da desgraça. Até o presidente da Câmara de plantão, que ali chegara de forma mais ou menos espúria, na visão dos seus opositores, estava na berlinda. Algumas prisões já tinham sido efetuadas. As delações se sucediam. Conflitos judiciais. Bate-bocas. O mundo jurídico estava entrando num processo de destrambelhamento. Nem todos falavam a mesma língua. Alguns nem falavam: balbuciavam, grunhiam. 

Uma nova operação policial estava em marcha: era a Operação Lágrima de Cobra. Uma “jararaca” ainda estava solta. Forças ocultas, mas nem tanto, aglutinavam-se para agarrá-la. Seria questão de tempo. Apostas eram feitas na cidade. Muita gente poderosa, que não tolerava a tal “jararaca”, grunhia para acertar-lhe a cabeça e, assim, matá-la de uma vez por todas, ou, no mínimo, bater-lhe na espinha, para aleijá-la. O que importava era não permitir que a tal “jararaca” voltasse à toca, que tanto almejava. Até ali, contudo, só tinham acertado o rabo da “jararaca”. Por isso, as forças ocultas, mas não tanto, roíam as unhas, morriam de raiva e de desespero. O cerco se fechava contra a “jararaca”, mas novas provas alcançavam outras cobras. Se a Justiça agisse de maneira isonômica, haveria de faltar veneno no mercado. 
Nenhuma obra restaria solta. 

Cida de Tonho Rufino, enfim, foi levada para depor junto ao juiz Mororó. Este começou perguntando: “A senhora confirma que teve despesas do cabeleireiro pagas pela dona da agência de publicidade Mourisco Santanense?”. A interrogada arregalou os olhos e disparou: “Doutor, com todo o respeito, o senhor não me está confundindo com outra pessoa, não?”. O juiz fez de conta que não entendeu. 

A Operação Lágrima de Cobra haveria de prosseguir. Neguinho tremia pela cidade afora. Cortava prego com o dito cujo. E ainda tinha um áudio demolidor rolando e causando rebuliço. Pobre cidade! Estava tudo prestes a se desmontar. Quanto ao povo, tadinho dele. 


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Kleber Santos
21/05
14:59

PMDB/SE diz que recebeu ajuda do Comitê de Temer

O presidente do PMDB de Sergipe João Augusto Gama,  divulgou nota informando que o diretório estadual não recebeu recursos diretos da JBS,  como foi denunciado pelo delator Ricardo Saud. 

“O PMDB de Sergipe recebeu uma doação proveniente do comitê financeiro do presidente Michel Temer, diretamente para o comitê financeiro da campanha em Sergipe, no valor de R$ 1,1 milhão e outra de R$ 200 mil, proveniente do diretório nacional do PMDB, também para o comitê financeiro da campanha. As duas doações foram devidamente registradas oficialmente”, diz a nota.



Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
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