25/05
07:20

TSE nega registro de candidatura ao deputado estadual Luciano Bispo

Por unanimidade de votos, o Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, na sessão desta terça-feira (24), o registro de candidatura de Luciano Bispo de Lima, que foi eleito deputado estadual por Sergipe nas eleições de 2014. Os ministros consideraram que o candidato teve contas públicas, enquanto prefeito, rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE) por irregularidades graves e insanáveis, que o tornam inelegível. Luciano anunciou, através de sua assessoria, que vai recorrer da decisão.

Ao acolher o recurso da Coligação Digo Sim a Sergipe contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) que manteve o parlamentar no cargo, a relatora, ministra Luciana Lóssio, informou que o TCE-SE constatou nas contas de Luciano Lima uma série de irregularidades.

A ministra citou, entre elas, irregularidades no controle de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), informações deficientes sobre despesas com pessoal, falhas e escolhas indevidas de modalidade de licitação em diversos procedimentos, e emissão de vários cheques sem fundos.

“Destaco que as que mais me chamaram a atenção foram condutas reiteradas em desobediência à lei de licitações, a inobservância das disposições contábeis, que impedem a regular fiscalização da aplicação dos recursos públicos e, principalmente, os pagamentos realizados com cheques nominativos à própria prefeitura e cheques sem fundos”, salientou a ministra Luciana Lóssio.

Segundo a relatora, esses atos revelam a má-gestão por Luciano Lima dos valores recebidos. “As citadas irregularidades ostentam gravidade suficiente, principalmente considerado o seu conjunto. E, por isso, têm natureza insanável e consubstanciam ato doloso de improbidade”, finalizou.

EM/TC Processo relacionado: RO 44880


Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
25/05
07:15

Cai o índice de infestação pelo aedes aegypti em Aracaju

Aracaju, a capital sergipana, está fora ds zona de alto risco de dengue, conforme informações do Índice Rápido para o Aedes Aegypti. No último levantamento, os técnicos detectaram que o índice de infestação ficou em apenas 0,8, um valor de baixo risco. Agora cabe à população continuar de olho nos possíveis focos e denunciar para que sejam exterminados.



Variedades
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
25/05
06:55

Tribunais de SE fazem gastos elevados e desnecessários com veículos e servidores

O custo de funcionamento dos Tribunais de Justiça de Sergipe (TJSE) e de Contas (TCE) e do Ministério Público Estadual (MPE) é elevado. Mas tem serviços que podem ser cortados e garantir uma boa redução na operacionalização.

Por exemplo: por que manter um carro de representação e um motorista para cada um dos 13  desembargadores do TJSE e os 7 conselheiros do  TCE?   Não bastariam para os presidentes e corregedores? Seria suficiente. Eles representam as côrtes.

O mesmo benefício chega aos desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho (TRT/SE).   Os salários dos motoristas variam de R$ 6 mil (TJ e TCE) a R$ 13 mil (TRT), onde os condutores de veículos são técnicos chamados de seguranças. (Do Periscópio. Do Jornal da Cidade)



Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
24/05
18:19

Servidores da Saúde farão paralisação terça-feira com indicativo de greve para quarta-feira


A Comissão Intersindical da Saúde, da qual o Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa) faz parte, decidiu juntamente com os servidores de todas as categorias promover uma paralisação geral na próxima terça-feira (31) a partir das 7h, na frente do Centro Administrativo da Prefeitura de Aracaju, com indicativo de greve para quarta-feira (1º de junho). A deliberação foi tomada durante assembleia conjunta realizada na tarde desta terça-feira (24), no auditório do Conselho Regional de Odontologia.

O principal motivo para a paralisação e indicativo de greve é a falta de diálogo com a Prefeitura Municipal de Aracaju, que recebeu diversos ofícios solicitando uma negociação para o reajuste salarial que as categorias pedem de 12,5%, que seria para compensar a inflação anual que ficou neste patamar, mas que não conseguiu nenhuma resposta por parte da gestão para o diálogo.

“A gente convoca todos os servidores da Saúde para participar deste ato na terça-feira e que possam ir vestidos de preto para mostrar o luto pela saúde e na quarta-feira há probabilidade de greve é grande porque até hoje não foi dado o reajuste salarial e é muito difícil que a Prefeitura de Aracaju se posicione agora. É bom deixar claro que só estamos pedindo a recomposição salarial já que não tivemos a possibilidade de sermos premiados como o setor da administração geral que já teve seus vencimentos a mais no dia 1º de maio deste ano e já está confirmado outro aumento em 1º de abril de 2017”, desabafou o diretor do Sintasa, Adaílton dos Santos.

O diretor falou taxativamente ainda que é preciso que os trabalhadores da saúde acordem senão ficarão dois anos sem reajuste. “Se o atual prefeito vencer as eleições a partir de 1º de janeiro tentaremos mais negociações, mas se outro ganhar vai dar a desculpa que está chegando e que é preciso ver as contas, aí o ano vai passar e ficaremos dois anos sem reajuste. Então, é preciso resolver tudo este ano”, alerta Adaílton dos Santos, acrescentando que amanhã será encaminhado um ofício para o atual secretário de Saúde informando legalmente dos atos que acontecerão na próxima.

Além do Sintasa, a Comissão Intersindical conta com o Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas de Sergipe (Sinodonto), Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (SEESE), Sindicato dos Psicólogos do Estado de Sergipe (Sindpsi), Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate as Endemias do Município de Aracaju (Sacema) e Sindicato dos trabalhadores Fisioterapeutas de Aracaju (Sintrafa), Sindicato dos Assistentes Sociais de Sergipe (SINDASSE) e Sindicato de Nutricionistas e Técnicos em Nutrição do Estado de Sergipe (SINDINUTRISE).

Ascom/Sintasa


Política
Com.: 0
Por Kleber Santos
24/05
10:43

Matheus Moura é bronze no Brasileiro de Tênis de Mesa


Confirmando sua constante evolução no tênis de mesa, o aluno Matheus Moura garantiu a terceira posição no Campeonato Brasileiro, categoria Mirim. Realizada em Fortaleza (CE) de 16 a 22 de maio, a competição contou com a participação de grandes nomes do esporte, incluindo Matheus, que trouxe a medalha de bronze para casa e conseguiu se classificar entre os quatro melhores do Brasil. Em Sergipe, ele ocupa o primeiro lugar no ranking.
 
Patrocinado pelo Colégio do Salvador, o jovem mesatenista já conquistou vários títulos locais e regionais. Agora, veio o retorno nacional. “Treino muito para alcançar resultados bons em nível nacional. E o objetivo era estar entre os melhores do país. Já participei de outros campeonatos brasileiros, mas este resultado, consegui pela primeira vez. Foi difícil!”, conta Matheus.

Dividindo seu tempo entre estudos e esporte, sempre o apoio do colégio que o patrocina, Matheus continua agora a preparação para o próximo jogo, a terceira etapa do Campeonato Sergipano de Tênis de Mesa.

Ascom


Esportes
Com.: 0
Por Kleber Santos
22/05
16:33

A deterioração do mercado de trabalho é mais acentuada no Nordeste

Ricardo Lacerda
Professor do Departamento de Economia da UFS 

A queda do nível de atividade econômica por cinco trimestres seguidos e em oito dos dez últimos trimestres tem causado impactos muito intenso sobre o mercado de trabalho brasileiro. O emprego formal e a ocupação sob qual quer tipo de vínculo vem não apenas despencando como o ritmo de queda vem se acentuando. 

Com a adoção de medidas adicionais de redução das despesas públicas prometidas pelo governo interino a fim de se contrapor à deterioração do quadro fiscal, a situação do mercado de trabalho deverá se tornar ainda mais crítica nos próximos trimestres, com efeitos imprevisíveis em termos de crise social e de seus desdobramentos políticos. 

A esse respeito, chamou atenção a declaração recente do ministro da fazenda Henrique Meirelles de que a taxa de desocupação da economia brasileira, que atingiu 10,9% da População Economicamente Ativa (PEA) no trimestre encerrado em março, deverá alcançar 14% antes de começar a cair, em um momento ainda incerto. 

Queda da ocupação nas regiões
Menos tratada tem sido a dimensão regional da deterioração do mercado de trabalho. Entre todas as regiões do país, o Nordeste tem sido a região mais atingida pelos efeitos da crise econômica e política sobre o mercado de trabalho. A região, que havia sido a mais beneficiada pelo ciclo de inclusão social e de fortalecimento do mercado de trabalho, vem sendo, sob quase todos os aspectos, a mais sacrificada na crise recente, especialmente nos dois últimos trimestres. 

Para exemplificar como os mercados regionais de trabalho tem sofrido rápida deterioração, são apresentados a seguir os dados de ocupação por tipo de vínculo e por setor de atividades. Em artigos subsequentes, serão examinados os indicadores regionais de desocupação e de remuneração.

Vínculos ocupacionais
Na série que compara com o mesmo período do ano anterior, o contingente de pessoas ocupadas no Brasil, sob qualquer tipo de vínculo no mercado de trabalho, começou a cair no 3º trimestre de 2015 (jul-set), quando recuou 0,2%. Desde então, o ritmo de queda tem sido intensificado, tendo alcançado 0,7% no trimestre out-dez de 2015 e 1,5% no trimestre jan-mar de 2016. 

O contingente de pessoas ocupadas na região Nordeste começou a recuar no último trimestre de 2015. Já naquele momento, a queda na taxa da desocupação da região foi mais acentuada do que nas demais regiões e atingiu o dobro da média nacional, respectivamente 1,7% e 0,7% (ver Gráfico). A retração no número de pessoas ocupadas se intensificou muito no 1º trimestre de 2016, quando alcançou 3,7%, frente à média 1,5% do país.

O contingente de pessoas ocupadas no 1º trimestre de Nordeste, nessa comparação com igual período do ano anterior, teve desempenho pior do que a média do país sob praticamente todos os tipos de vínculos dos trabalhadores com o mercado de trabalho.

Em linhas gerais, a região registrou quedas mais acentuadas do que a média do país no número de empregos no setor privado com ou sem carteira assinada e do emprego no setor público. O emprego com carteira assinada caiu 7,3% na região Nordeste frente à média nacional de recuo de 4,0%. 

Por outro lado, a taxa de crescimento do contingente de pessoas da região que encontrou alternativa de trabalho por conta própria para enfrentar a piora no mercado foi bem menor do que na média do país, 3,4%, frente aos 6,5% da média nacional


Ocupação setorial
A crise no mercado de trabalho do Nordeste tem-se revelado abrangente em termo setoriais. Na comparação entre o 1º trimestre de 2015 e o 1º trimestre de 2016, o contingente de pessoas ocupadas na região Nordeste somente cresceu nas atividades de alojamento e alimentação, favorecidas que foram pelos efeitos da depreciação da moeda sobre o turismo interno, e no setor de transporte e armazenagem (ver Quadro). Em todos os demais grupos de atividades a ocupação regional registrou retração. 

Chama a atenção o fato de que, em quase todas as atividades, a queda na ocupação na região tem sido mais intensa do que na média do país. O Quadro apresentado sombreia as células em que a variação da ocupação por setor em cada região, no período em questão, foi pior do que a média nacional. Entre todas as regiões, foi no Nordeste que um leque maior de atividades registrou tal comportamento.



*Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
**Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
22/05
16:31

Sobre a inutilidade do Vice

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS*

No mundo moderno, a ideia do vice é uma criação dos norte-americanos. Com efeito, ao inventarem o presidencialismo, fizeram nascer o vice. Quem é o vice? É o substituto do titular, ou seja, do presidente, nos casos em que este não pode administrar o país, para que não haja descontinuidade administrativa. Mas o vice sempre existiu, formal ou informalmente, na história política dos povos. O que fazer quando o titular se afasta? É disso que se trata.

O vice é alguém que sonha em ser o titular. O titular sabe disso. Quase todo vice deseja ocupar, nem que seja interinamente, o cargo do titular. Está sempre preocupado com a saúde do titular, sugerindo férias para este descansar com a família, viagens ao exterior, etc. Na incerteza de saber se será o sucessor do titular, quer, pelo menos, colocar no currículo que foi o titular por algum tempo. Quando isso acontece, o titular cuida para que, na sua ausência, o vice não tome decisões que ele não gostaria de fazer. Se isso ocorre, o titular, na sua volta, tem de desfazer tudo o que foi feito – o que pode gerar tensão entre os dois por todo o mandato.

Quando assume a titularidade interinamente, o vice faz questão de chamar todos os familiares, amigos e correligionários para visitá-lo em palácio. Enquanto esquenta a cadeira do chefe, é bom que todos saibam que ele é o titular por algum tempo, que ele está no topo do poder. É o momento em que ele ganha a atenção dos fotógrafos, dos cinegrafistas e dos jornalistas. Ele pode fazer isso em seu próprio gabinete. Isso também vale. Ele sabe que o staff do titular está de olho nele.

Existem dois tipos de vice: o sombra e o espaçoso. O vice que faz o papel de sombra é aquele que todo titular deseja. Ele sempre é prestativo, discreto, sempre está disposto a colaborar para o sucesso da administração com ideias, projetos, etc.  Sempre está um passo atrás em todos os eventos públicos e em reuniões, sem precisar que alguém lhe diga isso. Enfim, não incomoda. Agora, o vice espaçoso é um problema.

De fato, ele sempre quer “aparecer”.  Por isso, o titular está o tempo todo a cortar as asas dele, a reduzir o seu orçamento, a lhe destinar menos missões e incumbências e a lhe pedir que o represente mesmo em eventos irrelevantes. Se o vice espaçoso fala sem a autorização do titular, lá vem este em seguida a desautorizar o que foi dito. Se toma medidas não acordadas com o titular, de novo o titular tem que desfazer tudo. Dependendo do caso, esse vice pode ter dificuldades em ser indicado para a sucessão do titular.

Ser vice é mais e menos do que ministro de Estado. Com efeito, a qualquer momento o vice pode ser o titular, mas quase sempre provisoriamente. Ao passo que controlar um ministério é como ser um presidente de uma pasta, ter orçamento próprio, planejar e implementar políticas, mandar e ser obedecido por muitas pessoas. O vice sabe disso. Além do mais, pode acontecer de o vice nem sempre ter acesso direto ao titular, enquanto ministros podem não encontrar obstáculos a esse acesso. Nesse caso, o vice sempre busca se aproximar de ministros que possam lhe dar informações sobre o que está acontecendo no governo. Isso mesmo, pois nem sempre o vice faz parte do “inner circle” do poder.

Quase sempre o vice é escolhido por último pelo titular. Ele é pensado como alguém que servirá para fechar a aliança eleitoral. Vamos admitir: nem sempre isso é símbolo de prestígio. O vice pode ter e não ter votos próprios. Votos podem vir de seu partido. Houve tempos em que, no Brasil, o vice também era eleito. Esse vice era tratado com mais cuidado. O vice sem votos, ou com votos não contados como seus – é desse que estamos falando.

Existe vice da total confiança do titular?  Parece que não. No jogo pesado e tenso da política, não existe espaço para isso. Ainda assim, o vice sempre está querendo ganhar a confiança do titular e este sempre está fingindo confiar nele. Mas não são poucos os casos em que se estabelece uma relação de confiança entre os dois.

O vice é uma figura inútil? Há quem diga que sim. É uma figura decorativa. O que fazer para acabar com esse estorvo? Bastaria mudar a linha sucessória. Ela poderia passar pelos ministérios mais importantes. Além de inútil, o vice custa caro. O contribuinte tem que pagar pela manutenção de seu palácio, carros, empregados, staff, viagens, etc.

Tempo livre é o que não falta ao vice. Ele tem migalhas do poder. Pode usar esse tempo para muitas atividades, formais e informais. Em certos contextos políticos, pode servir-se do tempo livre para, entre outras coisas, ajudar no sucesso da administração do titular, mas também para sabotar o trabalho do titular, fazer vazamentos que atrapalhem a sua administração do titular, etc. - especialmente se ele não se acha prestigiado pelo titular. Esse tempo livre pode ser usado, inclusive, para algo mais grave e importante como conspirar, com e sem sucesso, contra o titular.

O leitor pode dizer que o retrato do vice parece ter sido pintado muito negativamente. Essa não foi a nossa intenção. Admitimos que existem vices que são leais, não invejosos, pouco ambiciosos, que ficam contentes com o posto que ocupam, que só querem servir ao seu país, que não aspiram derrubar o titular e assim por diante. Não sabemos dizer, todavia, se esse perfil é a exceção ou a regra.

*Coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Estado e a Democracia


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
22/05
16:28

Frei Antônio e as mulheres grávidas

José Lima Santana
Advogado*

Frei Antônio. Frei Antônio de Lalande. Português do Ribatejo. Na verdade, ele era de Torres Novas, no distrito de Santarém, ao norte do Ribatejo. Ali, apresentam-se duas regiões geomorfológicas distintas. Ao fundo, o cenário da Serra de Aire, de característica acidentada e de formação calcária. Ao noroeste, contrastando com o cenário anterior, aparecem as regiões planas do Ribatejo, formadas pelos rios Tejo e Almonda, cujas enchentes alimentam as terras circundantes, fertilizando-as. O rio Almonda e a Serra do Aire são os fatores mais marcantes da paisagem natural de Torres Novas, cujo clima é favorável ao cultivo da figueira e da amendoeira. A região também é rica em pinheiro bravo, não esquecendo os olivais e os laranjais. Riquezas da terra. 

Foi, pois, daquelas terras lusitanas que, aos trinta e poucos anos de idade, frei Antônio de Lalande arribou para o Brasil. Instalou-se, de princípio, numa grande capital. Logo depois, bandeou-se para o Nordeste, a fim de formar nova comunidade com dois outros frades franciscanos menores. Aquele jovem filho de Francisco de Assis, ou Chiquinho de Assis, para os mais íntimos como eu (que petulância, hein?) não gostou da cidade grande. Na quentura nordestina, no meio do povo pobre, porém, ele se deu muito bem. Era um guapo português com provável ascendência visigótica e moura, numa mistura tão comum em Portugal. Um tipão de frei bem apanhado, como dizia Dona Carmelita de ‘seu’ Jerônimo do finado Aristides do Campo Grande. Um incansável batalhador para a afirmação da nova comunidade religiosa e, também, para lutar ao lado dos pobres. Os jovens o adoravam. Ele tinha um jeito especial para a catequese da juventude. Infiltrava-se no meio dos jovens, cantando e tocando violão, que era uma graça. Um ano, dois anos, três anos, e frei Antônio de Lalande ardia debaixo do sol inclemente do Nordeste. Chapelão de palha na cabeça, ele subia e descia morros, levantava a poeira avermelhada das estradas, no período abrasador do verão e salpicava a batina marrom com a lama que subia das sandálias, no tempo de chuvas. Nunca se ouviu um boato sobre algo que desabonasse o trabalho e a pessoa de frei Antônio de Lalande. As velhas beatas tinham-no como um jovem santo. Prestativo como ele só. Homem de oração e de ação. Metido com o povo. 

Meter-se com o povo podia ser perigoso naqueles anos quentes dos meados da década de 1960. Qualquer um poderia ser tido como comunista. Bastava estar ao lado dos pobres. Frei Antônio sempre estivera ao lado dos pobres. Ajudando-os. Incentivando-os. Fazendo-os descobrir as maravilhas do Evangelho. Todos aprendendo a se ajudarem mutuamente. Isso haveria, um dia, de desgostar alguém. Quem sabia se não seria o prefeito local, que já tinha passado pela Prefeitura três vezes. O pai tinha sido prefeito. O avô também. Dizem até que o bisavô tinha sido barão do Império. Na Monarquia muitos tabacudos chegaram ao baronato, sabe Deus como! Se os barões se foram, os coronéis teimavam em não ir. Eles continuavam dando as cartas. Cartas marcadas de um baralho sebento. 

Numa tardezinha ensolarada, frei Antônio cuidava da papelada da comunidade franciscana, para a devida prestação de contas semestral à Província Franciscana. Alguém bateu à porta. Surpresa. Era o prefeito. Frei Antônio apressou-se em acomodar a autoridade. E que autoridade! Tomando assento numa velha poltrona, o prefeito foi direto ao ponto que lhe interessava. Tinha gente falando mal do frei. Tinha uns maridos desconfiados com as gravidezes de suas mulheres. Eram três. Todas casadas há um bom tempo, mas que não deram cria até então. Queria dizer, até conhecerem o frei. Até se aconselharem com ele. Era o que se dizia nas casas e nas ruas. O frei sabia como era a língua do povo. O frei sabia muito bem que, para o povo dali, onde havia fumaça, havia fogo. Ele, João Fulgêncio, homem temente a Deus, não seria capaz de imaginar nem de apoiar o que se dizia por ali. Ora, dizer que três mulheres casadas, que tinham os órgãos da gestação destrambelhados, engravidaram depois de tanto se ajoelharem aos pés do frei, era um disparate. Mas, o frei sabia como era a língua do povo. Por outro lado, o Espírito Santo não devia ter-se bandeado para aquelas terras, para fazer tantos milagres. Embora ele, o prefeito, não concordasse com o que diziam, não era um despautério afirmar que um homem naquela idade, que pouco passara dos trinta anos, bem fornido e descansado, não pudesse ser nas cabeças das pessoas, um motivo para certos desarranjos com as mulheres. 

Frei Antônio de Lalande ouviu tudo, calado. Sem pestanejar. Não parecia ter-se afligido com a lenga-lenga do prefeito. Ao contrário, deixou sempre à mostra um sorriso suave, enquanto o político dizia o que queria. Quando João Fulgêncio parecia ter-se dado por satisfeito, frei Antônio disse: “Senhor prefeito, eu não sou um santo, como, por exemplo, São Francisco de Assis, o nosso fundador e patrono. Na verdade, eu sou um pecador. Todavia, eu dobro os meus joelhos diante do Cristo Eucarístico, todos os dias. Eu invoco o fogo abrasador do Espírito de Deus, para que Ele me dê sabedoria e discernimento. Eu louvo o Santo nome do nosso Criador e o do nosso Salvador. Eu rezo o rosário da Mãe de Jesus. Todos os dias. Só assim, eu encontro firmeza nos meus propósitos de testemunhar Jesus Cristo. De anunciar o seu Evangelho. E de denunciar, quando é preciso. Eu oro com fervor, embora seja ainda dono de um fervor tão pequenino, de uma fé que procura se afirmar, para atender aos pedidos das pessoas em suas agonias e em seus desejos mais íntimos e mais puros. Saiba o senhor, que para Deus nada é impossível. E que o tempo de Deus não é o tempo dos homens. Eu orei muito por quatro mulheres que tinham ânsia de serem mães. O senhor está vendo aquele monte?, indagou-lhe, apontando a silhueta do cume de um monte que aparecia através da janela, que o frei tinha aberto tão logo o prefeito chegara. Nele eu subi de joelhos várias vezes, ao alvorecer. Eu pedi a Deus por aquelas quatro mulheres. A três delas, Deus já atendeu. Espero, em nome de Jesus, que a quarta mulher receba logo a sua graça e a sua bênção. Senhor prefeito, eu sou um pecador, mas, para a sua ciência, eu jamais pequei contra a castidade. Jamais contradisse os meus votos. Disso Deus é ciente. Vá em paz, senhor prefeito, que Deus também vai abençoar a sua casa”. 

Foi-se o prefeito. Frei Antônio de Lalande, mais uma vez, dobrou os joelhos. Orou até que a noite se fez. Meses depois, Aparecida de Epitácio, carroceiro, Maria Célia de Pedro Oliveira, dono do armazém de secos e molhados, e Aninha de Cecílio, um pequeno sitiante, deram à luz. Três menininhos. Cada um tinha uma característica do respectivo pai. Um tinha a mesma mancha vermelha do pai, na testa. Outro tinha um sinal acima do olho esquerdo, igualzinho ao pai. E o terceiro tinha um sinal em forma de “v”, no tórax, como o pai também o tinha. E seis meses depois daqueles três nascimentos, a mulher do prefeito, que era a segunda esposa, pois ele viuvara há uns dez anos, também ela daria à luz. A um menino. Antes, ela passara pelo dissabor de três abortos involuntários. Sofreu muito. Os médicos aconselharam que ela não tentasse mais engravidar. Corria riscos. E eis que o menino nasceu com o olho esquerdo semiaberto como o prefeito. 

Os quatro meninos foram batizados com o nome de Antônio. Igual ao jovem frei, cujas orações foram ouvidas por Deus. Um daqueles meninos é, hoje, bispo. E frei Antônio de Lalande, que já passa dos oitenta anos, é o seu confessor. 

*Professor da UFS, Membro da Academia Sergipana de Letras e do IHGSE


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Kleber Santos
1 2 3 4 5 6 » Próxima » Última

Enquete


Categorias

Arquivos